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Como Danger Mouse, maestro do Gnarls Barkley, inventou a trilha sonora dos novos Estados Unidos

Brian Hiatt Publicado em 09/06/2008, às 17h17

Brian Burton: Danger Mouse para os não-íntimos

Brian Burton não dormiu muito bem ontem à noite, e a culpa é toda de Beck. Em uma manhã no início de março, ele caminha até um Starbucks próximo ao seu estúdio em Los Angeles, onde, horas antes, havia finalizado uma sessão para o próximo álbum de Beck. "Uma parte foi divertida, outra, não", é só o que ele diz sobre o trabalho. Dentro do local, o produtor - mais conhecido como Danger Mouse, uma das metades do Gnarls Barkley - pede um sanduíche de presunto, ovo e queijo, sem café (ele não bebe). O incentivo da cafeína "parece fácil demais", explica, com olhos cansados atrás de óculos escuros: faz anos que ele trabalha sem parar, e não faz muito que começou a folgar nos fins de semana.

Danger Mouse é um fã de hip-hop cuja vida mudou por causa dos Beatles, Jimi Hendrix e Pink Floyd. "O hip-hop era o que conhecia bem", diz, bebendo água vitaminada, de volta ao seu estúdio. "Mas não foi isso que me inspirou a fazer música. Foram as coisas mais antigas de rock que comecei a ouvir." Os sons criados por Burton confundem os limites entre samples e instrumentos ao vivo, introduzindo batidas deformadas de hip-hop por baixo das notas orquestrais de Ennio Morricone, da força analógica dos Beatles e da liberdade do rock psicodélico.

Ao lado do cantor/rapper Cee-Lo, ele lançou The Odd Couple, seu segundo álbum como Gnarls Barkley. O disco pode até não trazer um hit como "Crazy" (2006), mas sua combinação de batidas robóticas e texturas dos anos 60 soa diferente de qualquer música lançada recentemente. "Meu público inicial é Danger", diz Cee-Lo. "Minha aspiração é sempre impressioná-lo."

Você lê esta matéria na íntegra na edição 21 da Rolling Stone Brasil, junho/2008