A Estrela Sobe

Christopher Connely Publicado em 27/01/2010, às 14h51

LIKE A VIRGIN Madonna veste um de seus figurinos mais famosos - o vestido de noiva-lingerie - no 1º MTV Video Music Awards, em 1984

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Madonna não precisa agradecer à sorte por seu sucesso recém-nascido. Sua carreira já estava sendo planejada desde que saiu de Detroit e conquistou Nova York. Na primeira entrevista para a Rolling Stone EUA, em novembro de 1984, mesmo ano em que chegou às paradas Like a Virgin, seu segundo disco, ela prova seu inegável carisma, redefine a sensualidade em videoclipes e faz sua escolha: o sucesso a qualquer preço

Estamos em uma mesa de canto do Evelyne's, um restaurante francês elegante no coração do último bairro nova-iorquino a renascer, o East Village. As coisas estão mudando muito rápido nesta parte da cidade. Seus salões de reunião ucranianos e os restaurantes sem frescura estão sob o cerco da multidão refinada que invade a área com suas samambaias felpudas e suas carteirinhas de academia. Apesar do momento de transição, a maior parte dos quarteirões continua com a mesma aparência suja que tinha quando a adolescente Madonna Ciccone deu início à sua independência. "O primeiro apartamento que tive só meu", ela lembra entre goles de Campari, "ficava na 4th Street com a Avenue B, e era o meu orgulho e a minha alegria, porque era o pior bairro possível para morar." Naquela época, ela batalhava como dançarina e era a garota "louca por atenção - mas do tipo certo, sabe como é?". E conseguiu tudo o que mais desejava. Sua voz de sereia e sua presença opressiva no vídeo a arrancou do anonimato. Ela já colocou dois singles no Top 10, "Borderline" e "Lucky Star", e seu álbum, Madonna (1982), ganhou disco de platina e ainda ocupa altas posições nas paradas, o que adiou para o final deste ano o lançamento de seu trabalho seguinte, já gravado: Like a Virgin, tão lotado de hits quanto seu antecessor.

A RS Brasil preparou uma galeria de fotos exclusiva sobre as turnês de Madonna, confira aqui.

Mas, quando se fala de Madonna, é bem mais fácil prestar atenção a seus clipes que praticamente redescobriram o que significa projetar sex appeal: os puxões ardentes no vestido dela em "Burning Up" passam a impressão de que ela não consegue se segurar, quer rasgar o pano e tirá-lo do corpo; o biquinho em "Borderline"; e o erotismo sem rodeios em "Lucky Star" - seus peitos e sua bunda entram na câmera e o indicador brinca provocante dentro de sua boca. Ainda assim, a parte mais importante do corpo dela é a barriga, cujas curvas oscilam pela mente de homens em todos os lugares.

Agora Madonna tem um loft no SoHo, bairro cada vez mais valorizado, um contrato de cinema (está filmando Procura-se Susan Desesperadamente, da Orion Pictures), uma bela quantia em dinheiro e uma carreira estrelada pela frente. E é por isso que ela pode olhar através da janela deste restaurante e suspirar: "É ótimo voltar a este bairro e saber que não sou tão pobre quanto as outras pessoas".

Você acha que é rude da parte dela? Azar o seu - ela é assim. Ela é a mesma pessoa que aparece sexy em seus vídeos, mas não age sempre com a intenção de seduzir, como poderia se esperar. Essa mulher guarda seu poder de explosão sexual para quando o taxímetro está correndo. E não se deixe enganar pelo cinto que ela usa tantas vezes, em que se lê "BOY TOY" (algo como "brinquedinho de menino"). A maioria dos homens que chegou perto dela - muitos deles bem machões - saiu quase sempre de coração partido. Durante toda a vida, uma emoção a guia: ambição. "A coisa se resume no que é preciso fazer pela sua carreira. Acho que a maior parte das pessoas que se sente atraída por mim compreende isso, e tem que levar o fato em consideração." Algumas levaram, outras não - e viveram para se arrepender disso. "A gente fica achando que, se ficar com alguém da indústria fonográfica, a pessoa vai ser mais compreensiva. Mas as pessoas são iguais em qualquer lugar. Todo mundo quer mais atenção."

Você lê esta matéria na íntegra na edição 22 da Rolling Stone Brasil, julho/2008