Manifesto Antropofágico

Forgotten Boys come influências e arrisca ainda mais em português

Adriana Alves Publicado em 08/07/2008, às 14h51

FORGOTTEN BOYS (Da esquerda para a direita) Flávio Cavichioli, Zé Mazzei, Chuck Hipolitho e Gustavo Riviera

Coisas mais concretas me inspiram hoje em dia, como a vida, o amor, a raça humana, a religião. Às vezes, sento e uma música cai do céu. Às vezes, tenho que arrumar assunto", confessa Chuck Hipolitho, guitarra e voz do Forgotten Boys. O quarteto paulistano (formado ainda pelo baixista Zé Mazzei, o baterista Flávio Cavichioli e o vocalista e guitarrista Gustavo Riviera) lança em julho seu quarto disco de estúdio, Louva-a-Deus, com a dura tarefa de suceder Stand by the D.A.N.C.E. (2005), elogiado por público e crítica e que conduziu o som da banda a mais ouvidos e a palcos maiores do que estavam acostumados.

"Vou Me Entregar" é densa, suja e poderosa, e, assim como outras cinco faixas de Louva-a-Deus, traz letras em português - algo que o Forgotten Boys passou a fazer no trabalho anterior. Mas as canções que melhor celebram a tão característica mistura de punk sujo e rock'n'roll direto dos anos 70 ainda são as cantadas em inglês. Prova disso é a bela "News from God", a grudenta e dançante "Highest Stakes On Marke Stocks", assim como a mais acelerada e pesada "Hold On". "Veneno", uma versão-homenagem de "Poison" do MC5 (influência confessa da banda) também foi registrada em estúdio, mas ainda depende da liberação de direitos autorais para entrar no disco.

"Com certeza é um disco mais simples do que o nosso último, mas ao mesmo tempo é mais complexo de composição e soa mais pesado", continua Hipolitho, que explica o aprofundamento da banda em língua portuguesa: "Em inglês, a música soa mais redonda para nosso tipo de som, mas as letras em português são mais diretas, por isso causam certo estranhamento. De qualquer forma, as composições soam melhores do que no disco anterior."

Louva-a-Deus foi produzido por Apollo 9 (responsável por discos de Otto e Cibelle) e mixado por Roy Cicala, que já trabalhou com nomes variados como John Lennon, AC/DC e Frank Sinatra. "A mixagem que o Roy fez é algo que nunca tivemos em nossos discos anteriores. Ele quis entender cada música e deixou cada uma com a personalidade dela", comemora o fundador do grupo Gustavo Riviera. Por enquanto, o Forgotten Boys está independente: nem renovou com a gravadora ST2, nem fez acordo com outro selo. Um show e uma festa devem marcar o lançamento do disco. Pergunto a Gustavo porque o nome de um inseto batizaria um álbum: "A fêmea do louva-a-deus come a cabeça do macho durante ou após a cópula. Já nós pegamos nossas influências e nos apropriamos delas".