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Rivers Cuomo, do Weezer, fala sobre como a meditação mudou sua música

Por Austin Scaggs Publicado em 08/07/2008, às 16h15 - Atualizado em 12/07/2008, às 18h49

SEMPRE NERD Rivers Cuomo se inspirou pela primeira vez ao ouvir Nirvana

Enquanto morou com a esposa e os sogros no Japão, Rivers Cuomo compôs muitas das faixas que acabaram no novo disco do Weezer - apelidado de "álbum vermelho" por conta da cor de sua capa. "Comprei uma bicicleta", diz Cuomo, "e ia com ela para o estúdio, que ficava dentro de um shopping futurista e surreal. Se faltava inspiração, eu dava voltas para me surpreender com cenas bizarras".

Por que "disco vermelho"?

É o nosso álbum mais ousado, corajoso e espalhafatoso. Tenho convicção plena de que, se você tem um carro vermelho, está mais propenso a ser parado pela polícia. É assim que o disco me faz sentir. Está violando leis e andando além do limite de velocidade - ou seja, arrumando encrenca.

Você pratica meditação Vipassana (prática budista). Isso afetou sua música?

Uma vez que comecei a meditar, fui me tornando mais livre e espontâneo. Acho que dá pra sentir isso em músicas como "The Greatest Man That Ever Lived". Há vários anos, não acho que eu conseguiria ter criado algo tão arriscado, porque tinha medo. É a música mais ambiciosa que já tentei. Me levou algumas semanas para compor. E, liricamente, é uma despedida para mim. Sou conhecido por escrever músicas do ponto de vista da vítima, mas nessa eu me gabo.Em "Heart Songs", você menciona artistas que fizeram parte da sua evolução musical.

Como você decidiu entre quem incluir?

As referências surgiram rápido. Foi literalmente: "Ok, vou fazer uma lista de músicas de que me lembro, em ordem cronológica". Não voltei atrás para preencher lacunas nem priorizar. Aí estão algumas de que eu lembrei ter ouvido quando tinha 5 anos, algumas que foram importantes e outras de que não gostava, mas que têm valor nostálgico.

Nessa música, você fala sobre o Nirvana. Onde você ouviu Nirvana pela primeira vez?

Eu trabalhava na Tower Records [franquia de lojas de disco] em 1991, e um outro caixa, o Harold, disse: "Rivers, tem algo que você vai gostar, se chama Nirvana. Assim que ouvi "Mom and Dad Went to a Show" [de "Sliver"], comecei a dançar na hora. Era como eu me sentia e eles traduziram em música. Me inspirou a fazer a mesma coisa.

Você lê esta matéria na íntegra na edição 22 da Rolling Stone Brasil, julho/2008