Uma Questão de Pele

Boatos, falta de privacidade, metal e tatuagens: a vida louca (e nada secreta) de Kat Von D

Paulo Terron Publicado em 08/07/2008, às 16h02

Legenda: Kat Von D: A tatuadota é pop: "queria ser como Salma Hayek"

Só os tempos atuais seriam capazes de produzir uma estrela como Katherine Von Drachenberg, ou Kat Von D: uma mexicana filha de argentinos que faz sucesso nos Estados Unidos por ser tatuadora. É o excesso de informação que já faz parte desta época, o que, no caso da estrela do reality show LA Ink (People+Arts, terças, às 20h), é uma bela vantagem. "Eu queria ter um visual mais latino: minha mãe e meus irmãos têm pele mais escura. Eu acabei mais parecida com o meu pai, com uma estrutura física mais alemã", ela conta, rindo. "Eu queria ser como a Salma Hayek. Na minha adolescência todo mundo achava que eu era branca - e eu odiava! "

A latinidade de Los Angeles fez com que a cidade fosse escolhida para o programa estrelado pela tatuadora, já que a experiência anterior, no Miami Ink, não foi agradável. "Adoro Miami e suas praias, mas nada lá me inspirou, supriu minhas necessidades artísticas ou musicais. Não tem exposições e shows lá", reclama Kat, 26 anos, que quando fala de sua arte não se refere somente à tatuagem, mas também à música: ela é uma entusiasta praticante de piano clássico, hábito que adquiriu com a avó. "Ela era pianista profissional e me dava aulas semanais. Só que ela tem aquela rigidez alemã", lembra. "Como criança, não dá para entender tudo. Chopin e Beethoven são tão românticos que me prendi àquilo. Hoje tenho quatro pianos e tento tocar todos os dias." Daí para a paixão pelo heavy metal foi uma passagem - curiosamente - suave. "Não teríamos o metal sem o Beethoven! É de lá que as estruturas vêm. Um riff de metal é uma escala muito doida", se empolga.

Hoje, Kat cuida de seu estúdio de tatuagem, onde o programa de TV é gravado, organiza o festival Musink (ela quer tornar o evento itinerante nos próximos anos), desenvolve uma linha de produtos de beleza (para a Sephora) e está escrevendo um livro de memórias. "Tento dividir o tempo entre a tatuagem e os projetos. E tenho tempo de ficar com a família, já que ela trabalha comigo."

Você lê esta matéria na íntegra na edição 22 da Rolling Stone Brasil, julho/2008