Pelo Timbre Perfeito

Avesso a todos os rótulos, Marcelo Birck (RS) busca por soluções originais

Leonardo Dias Pereira Publicado em 14/10/2008, às 20h04

"O que realmente caracteriza o rock gaúcho é o gosto pelas soluções idiossincráticas. Grupos como DeFalla ou Comunidade Nin-Jitsu têm outras referências, mas mantêm um senso de humor e personalidade musical característicos da música feita em Porto Alegre", define Marcelo Birck, com a propriedade de quem acompanhou de perto a formação desse termo normalmente usado para classificar a mistura de jovem guarda, rock sessentista e letras nonsense/ bem-humoradas. Tudo por conta da cultuada Graforréia Xilarmônica, banda da qual foi o fundador e guitarrista ao lado de Frank Jorge. "Tinha uma noção de que a música que estávamos fazendo era algo muito diferente do que acontecia naquela época, com certo potencial para se tornar referência. Mas nunca cheguei a imaginar que batizaria uma cena", conclui. Mas Birck deixou a banda no começo para se graduarem Composição Musical pela UFRGS. E reapareceu radicalizando a estética vanguardista na obscura banda Aristóteles de Ananias Jr. Estava iniciando ali sua relação com os experimentalismos sonoros, termo mais uma vez rechaçado por ele: "Sou avesso ao termo 'experimental', que em muitos casos é usado para abrigar coisas cuja única afinidade é não se encaixar em definições vigentes". Por mais que ele evite, é difícil não somar esses termos para obter uma mínima definição de sua arte peculiar, sobretudo quando se ouvem os álbuns solo Marcelo Birck (2000) e o recém-lançado Timbres Não Mentem Jamais. "O que mais me atrai no rock é justamente ser uma música que enfatiza timbres", ele conta. "Uma mixagem, por exemplo, nada mais é que uma manipulação direta do timbre, e é nesse ponto que busco as soluções mais minuciosas".