ROBERTO FREJAT

Com seu terceiro disco solo, Roberto Frejat consolida carreira além do Barão Vermelho

Bruno Maia Publicado em 16/10/2008, às 18h53

Sorridente e dono de uma cordialidade que já virou marca no meio musical, Frejat nos recebe em seu estúdio no Rio de Janeiro. Lançando Intimidade Entre Estranhos, seu primeiro trabalho independente, ele está tranqüilo. Engajado em questões políticas envolvendo a música, tornou-se uma espécie de diplomata da classe - não aponta o dedo para ninguém, mas cutuca a ferida da passividade alheia fazendo sua parte.

Poucos roqueiros tiveram sucesso comercial em carreira solo sem ter se desligado totalmente da banda. O que você fez de diferente?

Já ouvi isso de um outro colega de geração. Não tenho uma explicação. Fiz tudo com muito cuidado. Achava importante não demolir o Barão Vermelho por conta da minha carreira solo, não era bom nem para um nem para o outro

Apesar do seu sucesso solo, o Barão voltou em 2004 depois de três anos em recesso e passou outros três anos na estrada. Naquele momento, reencontrar o grupo fazia mais sentido para você, artisticamente falando?

Não. Naquele momento, o mais sensato seria seguir com meu trabalho, que estava em uma curva ascendente. Voltei para provar para as pessoas que o Barão não tinha acabado. E era uma prova que nós tínhamos que dar a nós mesmos. Acreditava muito nisso, mas acho que até dentro do próprio grupo tinha gente que se questionava. E estes três anos juntos foram incríveis, cheios de momentos lindos.

Seu cuidado em planejar os passos do Barão tem a ver com algum trauma pela saída repentina do Cazuza em 1985?

Com certeza. Não diria um trauma, no entanto, jamais gostaria de passar por aquilo de novo. É lógico que com o tempo tudo se assimila, mas já estive naquela situação e não gostaria de colocar outras pessoas nela. Então não tenha dúvidas de que esse é um dos motivos para eu ser tão cuidadoso.