Circo Pagão

SILVIA MACHETE mistura performance, música e safadezas

Por Marcus Preto Publicado em 10/11/2008, às 12h13

Ao mesmo tempo em que canta, Silvia Machete gira na cintura uma dúzia de bambolês. Sem parar de rodar, passa a mão por dentro do vestido e tira da calcinha um pacote de tabaco. Do sutiã, vem um retângulo de papel de seda. Os bambolês continuam a toda. Ela distribui o fumo pelo papel, aperta com um grampo que tira do próprio cabelo. Cola o cigarro com a língua e acende. A música continua, os bambolês também. Essa e outras performances circense-musicais, que levaram à loucura os poucos que viram a cantora carioca ao vivo, estão agora no DVD Eu Não Sou Nenhuma Santa (EMI).

"Tem gente que ouve falar de mim e diz: 'Tem performance? Então não pode ser bom'. Mas não estou nem aí, sei que nada é para todo mundo", diz Silvia, que descobriu o circo quando cursava os últimos anos da escola. "Comprei umas laranjas e bolas de tênis e treinava em casa", lembra. "Quando chegou o vestibular, convenci minha mãe de que ir para a França fazer circo seria ótimo. Fui para ficar seis meses e fiquei três anos."

Viajando de mochila pela Europa, conheceu Clarke Macfarle, suíço que levava exatamente a mesma vida. "Ele foi meu marido por dez anos. É um puta malabarista, um cômico incrível." Resolveram montar um show em dupla. Pegaram o caminhão de Clark e saíram pela Europa fazendo sessões pelas praças. "A gente virou profissional. Além de sermos pagos pelas pessoas da rua, os festivais começaram a contratar a gente. Viajamos o mundo. Foi onde aprendi tudo." Na seqüência, ela partiu para Nova York. "Morei lá por nove anos, e comecei a desenvolver um trabalho que não era só na rua, era mais de palco", conta. "E a música foi entrando. Sempre cantei, mas sabia que essa seria a parte mais difícil da história." Ainda assim, decidiu que a música teria que virar o elemento principal de seu show. Foi quando resolveu voltar ao Brasil.

Com os amigos Domenico, Bartolo, Nelson e Rubinho Jacobina e outros integrantes da Orquestra Imperial, gravou Bomb of Love - Música Safada para Corações Românticos (2006), que dava uma dica do universo que Silvia habitaria, intercalando releituras de clássicos esquecidos de Erasmo Carlos e Sergio Sampaio às suas bem-humoradas composições. Em suas 15 faixas oficiais e vários bônus, o novo DVD traz nove das dez músicas que estavam em Música Safada - só que agora com imagens. E, ainda que sua voz tenha atributos suficientes para dar conta do recado sozinha, é preciso ver Silvia Machete ao vivo para compreender sua proposta.