Anos Rebeldes

por <b>David Dalton</b> tradução: <b>Caio Nehring</b> Publicado em 12/12/2008, às 15h14

"Não escolhi James Dean [para protagonizar Juventude Transviada]. Nós nos cheiramos, como gatos siameses", explica o diretor Nicholas Ray

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Ao mostrar a saga de adolescentes em busca de novas respostas para as velhas perguntas da vida, Juventude Transviada imortalizou James Dean (que morreu em 1955, mesmo ano de lançamento do filme). A produção e as filmagens desse clássico do cinema, cercadas de segredos e lendas, já davam a tônica da febre que estava por vir

Juventude transviada fala das aventuras, desventuras e do triunfo de um adolescente em seu ambiente escolar e traz James Dean como o novato Jim Stark, o novo aluno da Dawson High. No primeiro dia de aula, ele tenta fazer amigos oferecendo carona para uma bela garota, Judy (Natalie Wood), que o despreza. Quando chega à escola, ela foi dominada por um grupo de brutamontes que persegue os fracotes. O herói torna-se amigo de um dos perseguidos (Sal Mineo), defende-os da gangue e renasce vingado na melhor tradição dos seriados teen.

Juventude Transviada é claramente um filme de James Dean - que domina a cena, absorve tudo e incorpora seu drama interpretando a si mesmo. Ele é tanto vítima quanto herói, injeta na tela todos os fragmentos difusos de sua própria personalidade, revela tudo que sabemos sobre Jimmy como James Dean e, em sua inocência, expõe a corrupção e o compromisso que cerca Jim Stark. "Não escolhi James Dean", admite o diretor Nicholas Ray. "Nós nos cheiramos, como um casal de gatos siameses. Fomos a Nova York juntos para que eu visse onde ele morava - era um lugar ínfimo, atravancado de livros e caixas. Passamos uma semana juntos, jogamos basquete, fomos ao cinema e até tomamos um porre com a turma dele. Ficamos muito íntimos."

Embora Ray reconhecesse Jimmy como o ator ideal para o personagem, ainda não percebera a real contribuição que o mesmo traria à narrativa. O cineasta queria levar o problema da delinqüência juvenil para os lares da classe média. "Romeu e Julieta sempre foi, para mim, a melhor peça escrita sobre 'delinqüência juvenil'", explica o diretor. "Queria um clima Romeu e Julieta para Jim, Judy e suas famílias. A partir disso surgiu uma convicção sobre o formato do enredo que deveria seguir a tragédia clássica. A ação principal seria condensada em um dia. Uma de minhas anotações era: 'Um rapaz quer tornar-se homem, e rápido'. O problema mesmo era mostrar, nesse recorte de tempo, quando ele começou a se tornar um."

No entanto, Nick Ray não queria sacrificar seu projeto enchendo-o de estereótipos no elenco central. Jovens verossímeis eram coisa rara em Hollywood e o jeito que ele reuniu seus tipos parecia um adeus à maneira tradicional de filmar. Centenas de jovens apareceram em resposta à convocação inicial de elenco e perambulavam pelo palco-cenário que fora usado em Um Bonde Chamado Desejo (1951) aguardando seu teste. David Weisbart (o produtor) fi ltrara todos, fazendo perguntas sem precedentes, do tipo: "Como você se dá com seus pais?". Nessas entrevistas, nove amadores acabaram escolhidos como "a gangue".

Você lê esta matéria na íntegra na edição 27, dezembro/2008