Mulher Cobaia

Sabrina Sato não se acha engraçada nem se leva a sério – e é aí que está toda a graça

Por <b>Pablo Miyazawa</b> Publicado em 15/12/2008, às 17h30

Quando Sabrina Sato adentrou a padaria de esquina, o local instantaneamente silenciou. Entretido que estava com anotações, não percebi sua aproximação, mas ouvi o burburinho no ar. Era impossível não notar a figura chamativa e radiante, meio japonesa/meio libanesa, usando botas de salto, camisa branca de botão semi-aberta e minissaia, além da indefectível pinta centímetros acima dos óculos escuros. Ela iria chegar atrasada para a entrevista, mas acabou se adiantando, algo raro em sua rotina atribulada. O manobrista da padaria pede autógrafo. Ela sorri e concede. Parece acostumada e gosta disso.

Dezesseis andares acima, estamos no triplex em Perdizes com vista para o Estádio do Pacaembu, que ela divide com a irmã, Karina, e o irmão, Karin. Mas não estamos sós. Ela busca José Dunha, o buldogue de 4 meses que vive na lavanderia, no andar de baixo. "Era pra ser Dunha, mas o Karin quis José. Só que é muito comum, nome de gente. Dunha não, é nome de qualquer pessoa. E aí ficou José Dunha", explica, como se fosse a coisa mais normal do mundo. E no mundo de Sabrina, é mesmo.

Enquanto a dona faz café na cozinha, o cão trata de marcar seu território pela sala. Sabrina coleta ela mesma a obra com papel higiênico, espirrando produto de limpeza sem critério. Reclamando do cheiro, reforça a preocupação com a limpeza: amanhã, o mesmo local seria o palco do primeiro encontro com a atual sogra.

Desde 2003, quando sua estampa se tornou pública graças aos olhos inconvenientes do Big Brother Brasil, e, meses mais tarde, quando passou a integrar a equipe do programa Pânico, Sabrina Sato Rahal, interpretando a si mesma, sem recalques, se tornou personagem-símbolo de um estilo de humor descompromissado, corrosivo e, por vezes, nos limites do bom gosto. "Eu tinha acabado de sair do Big Brother", ela conta, sobre seu début na comédia, "e eles precisavam de alguém mais conhecido. Ninguém sabia quanto tempo ia durar. Era tudo molecagem, coisa de turma do fundão, sacaneando as pessoas".

Você lê esta matéria na íntegra na edição 27, dezembro/2008