MONDOMASSARI

Por Fábio Massari Publicado em 12/12/2008, às 15h13

Madensuyu - "D Is Done" (Digital Piss Factory)

Na Bélgica do Deus já andam dizendo que até o lançamento de D Is Done não se tinha ouvido nada parecido. Dá até para entender o entusiasmo. Apesar do ótimo momento por que passa a cena local, com boas opções em várias frentes sônicas, fica difícil contrariar algumas evidências. O segundo longa do Madensuyu (água mineral em turco), jovem dupla de Ghent, realmente impressiona. Arrasadores nos palcos, destilam poderoso rock urgente de orientação guitarrística. Músicas habilmente esculpidas como "FaFaFaFuckin'", "Write or Wrong" e "Tread on Tread Light" fazem de D Is Done o lançamento mais "nova-iorquino" do ano. Coordenadas velvetianas na cabeça, pode arquivar ali com o TV on the Radio e o A Place To Bury Strangers.

Steintryggur - "Trappa" (Smekkleysa)

A fantástica capinha personalizada - um oferecimento caprichado da mítica etiqueta islandesa Smekkleysa/Bad Taste - adverte: grooves orgânicos e audioterrorismo. Em se tratando do grande Sigtryggur Baldursson, codinome Siggi, é bom ir logo desconfiando. Pode até ser isso mesmo: articulação vigorosa de estruturas percussivas e seu processamento eletrônico. Mas no caso do intenso ex-baterista dos Sugarcubes (e de mais meia dúzia de bandas legais, seminais da cena islandesa), a viagem é muito mais delirante. Steintryggur é a parceria de Siggi com o percussionista exótico Steingrimur Gudmundsson, e Trappa um disco de difícil classificação. São jams globais registradas pela dupla em suas andanças de pesquisa sônica, devidamente reconfiguradas pelo terceiro elemento da empreitada, o manipulador australiano Ben Frost. Mantras digitais da Mongólia e parajazz caliente da quebrada polar. Mais ou menos isso

Wovenhand - "Ten Stones" (Sounds Familyre)

Todo mundo em pé, mãos juntas em reverência extática para a pregação de David Eugene Edwards e sua banda Wovenhand (que também atende por Woven Hand e começou como projeto solitário do ex-líder do visceral 16 Horsepower). Sem contar "Blush Music" (que é uma espécie de reconstrução do epônimo álbum de estréia, encomendada por um grupo de dança belga), Ten Stones é o quarto longa duração da trupe do Colorado. Tem cover de um certo Jobim e conta com curiosa participação do craque norueguês Emil Nikolaisen, capitão polivalente da cultuada banda Serena-Maneesh. Folk crepuscular, country rock incendiário, na melhor tradição "gospel" do bom e velho Nick Cave. Com Ten Stones, o rebelde filho de padre David Eugene Edwards entra para o time dos sagrados.