O Senhor do Improviso

Marcelo Adnet se recusa a fazer humor do mau humor e quer seus 15 minutos de praia

Por <b>Marcelo Ferla</b> Publicado em 15/12/2008, às 17h32

Os engraçadinhos de plantão continuam fazendo piada sobre o caos aéreo, mas receber às 21h30min o cara que esperei desde às 18h no aeroporto de Congonhas não teve graça nenhuma. Vítima de um atraso mal explicado, ele chegou de bermuda, tênis e camiseta com a estampa de Gérson, ídolo do seu Botafogo. Ocupado ao celular, ergueu as vistosas sobrancelhas para sinalizar ter entendido que era eu o desconhecido que iria recebê-lo, levá-lo à MTV, e depois para um estúdio fotográfico, e mais tarde para o pernoite em Santo André - eu também haveria de entrevistá-lo naquela quinta, em algum momento entre o assédio das fãs, a sessão de fotos e os afagos da namorada, Dani Calabresa, comediante de stand-ups e jurada do Quinta Categoria, programa que o teria como convidado naquela noite.

Marcelo Adnet estava cumprindo a quinta ponte aérea Rio-São Paulo da semana. As cenas dos próximos capítulos não seriam menos intensas: na sexta, ia gravar seu programa na MTV e participar do stand-up Comédia ao Vivo, em São Paulo; no sábado voltaria ao Rio para uma reunião e, à noite, se apresentaria na peça Advocacia Segundo os Irmãos Marx, que também teria sessão no domingo, depois de participar de um evento em São Paulo, para onde voltaria na segunda. "Tô sentindo falta de coisas como tomar sol e dar um mergulho no mar. Não tem um dia em que não tenha de ser engraçado, e apesar de meu humor ser espontâneo, é bom ter tempo para organizá-lo", conta o carioca de 27 anos, especialista em imitações, improvisações e paródias musicais, que roubou a cena no último Video Music Brasil, tradicional premiação da MTV, e que tem sentido os efeitos da merecida fama que nunca almejou.

Você lê esta matéria na íntegra na edição 27, dezembro/2008