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Filho de Peixe

Inspirado pelo pai sambista, DIOGO NOGUEIRA saboreia a fama recente

Por Christina Fuscaldo Publicado em 06/02/2009, às 15h05

O fim da carreira no futebol deu espaço ao samba
Washington Possato/Divulgação

O grande sonho de Diogo Nogueira era se tornar craque de futebol. Mas quis o destino que ele se tornasse um divulgador da arte ensinada pelo pai, o sambista João Nogueira. E quis o mercado que o filho fosse além de onde João pôde ir antes de falecer, em 2000, aos 58 anos. Com 27, o cantor carioca acumula uma indicação ao Grammy Latino e três vitórias na disputa pelo samba-enredo da Portela. Feitos que o pai jamais conseguiu.

"Meu pai fazia samba-enredo, e chegou a disputar duas vezes, mas nunca foi campeão", lembra Diogo. "Foi ele quem me levou pela primeira vez na quadra da Portela. Eu tinha 5 anos e chorei muito. Ele entendeu a emoção que eu senti. Falou: 'Tá vendo, você já é portelense'."

Uma lesão tirou a bola do caminho de Diogo. Flamenguista, passou de clube em clube até ser convidado a jogar no Cruzeiro, time da segunda divisão gaúcha. Antes de um campeonato, disse que não assinaria o contrato sem a presença de um advogado. Nesse meio-tempo, machucou-se em um treino e foi demitido. De volta à cidade natal, teve o empurrão que precisava, dos amigos do pai, para cair no samba: foram eles que, em 2001, levaram Diogo para gravar "Espelho" em Através do Espelho, coletânea que homenageou a carreira de João Nogueira.

"Eu estava deprimido, achando que não ia realizar meu sonho", ele explica. "Aí, a galera do samba começou a ligar. Eles sabiam que eu tinha uma voz parecida com a do meu pai, já tinham me visto cantar. Me perturbavam para eu ir nas rodas, mas fiquei um mês negando. Resolvi abraçar isso pra ganhar um dinheirinho." Diogo desatou a fazer shows pelo Rio, e todos os eventos de samba passaram a ter o ex-boleiro como atração: a primeira participação foi cantando "O Poder da Criação" (do próprio pai) no DVD de Beth Carvalho. Em 2007, gravou Diogo Nogueira ao Vivo, que lhe rendeu uma indicação ao Grammy Latino 2008, como Artista Revelação.

"Tomei um susto!", ele comemora, mesmo sem ter vencido. "A indicação me abriu portas. Tem pouco tempo que estou na música, mas os shows fora do Rio já aumentaram. Em breve vou ao Pará, Mato Grosso..."