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25 Melhores Discos Internacionais de 2008

Artistas e atitudes independentes e o retorno de nomes consagrados dão o tom da lista dos principais lançamentos do ano

Redação Publicado em 16/05/2011, às 12h42

1 - TV On the Radio - Dear Science - Interscope

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1 - TV On the Radio
Dear Science

Interscope

O grande disco do ano também é aquele que mais soa como os Estados Unidos de 2008 - desiludido, amedrontado com a guerra iminente e à beira do colapso financeiro. Dear Science, segundo álbum do quinteto nova-iorquino, serve como a comprovação do TV On the Radio como um dos nomes mais originais do rock contemporâneo. David Sitek, guitarrista e produtor virtuoso, é o maestro da refinada mistura de punk, soul e batidas dançantes que resultam em uma colcha de retalhos musicais fascinante e com a cara deste século. Para o TV On the Radio, o céu não é - e nunca será - o limite.

2 - Beck
Modern Guilt

Interscope / Universal

O melhor aspecto de Modern Guilt é que seu autor reaparece como se estivesse em 2008, e não mais como um prodígio dos anos 90. Consciente dos perigos da síndrome de Peter Pan, Beck encontrou atalhos para experimentar e, ao mesmo tempo, demonstrar sofisticação. Psicodelia, folk, soul e funk tons abaixo da energia adolescente, mas na medida para quem se preocupa em fazer música, não em aparentar que ainda é jovem.

3 - Portishead
Third

Island / Universal

Mesmo sem lançar um disco nos últimos dez anos e explorando um gênero enterrado - o triphop -, o Portishead correu riscos. Em Third, o trio inglês não se afastou do estilo consagrado, mas ofereceu uma especial atenção aos aspectos sombrios e ruidosos. Felizmente, as ousadias não alteraram a dramaticidade esperada. E, como nos velhos tempos, a voz de Beth Gibbons continua linda e mortalmente impactante.

4 - Cat Power
Jukebox

Matador

Versões podem ser feitas e avaliadas como alternativas preguiçosas à composição. Por isso é dobrado o mérito de Cat Power: no disco de covers, a cantora toma para si, com seu rouco aveludado e triste, clássicos gravados por vozes masculinas, como Bob Dylan e Frank Sinatra, e divas como Nina Simone e Billie Holiday. Os arranjos chiques da The Dirty Delta Blues só ajudam a arrematar a personalidade do álbum.

5 - MGMT
Oracular Spetacular

Sony/BMG

A visão musical de Andrew Van- Wyngarden e Ben Goldwasser envolve rock, eletrônica, R&B e psicodelia. A proposta fica clara no primeiro álbum da dupla, uma das melhores estréias do pop nos últimos anos e uma combinação eficiente de groove, bom humor e emoções múltiplas - como um disco pode ao mesmo tempo soar tão dark quanto idealista? A esquizofrenia dá a dica: esta é a trilha sonora dos realistas.

6 - Al Green
Lay It Down

Blue Note / EMI

O lendário Soulman retornou em disco como sempre deveria soar. E Al Green nunca esteve tão Al Green, com direito a mensagens divinas de amor e seus incomparáveis falsetos e gemidos. O produtor ?estlove fez questão de deixar o mestre à vontade, só se preocupando em adicionar a modernidade necessária para o álbum não soar ultrapassado. Nem precisava: Green deixa evidente que ainda tem muito a oferecer.

7 - The Raconteurs
Consolers of the Lonely

Warner Music

Jack White e Brendan Benson nasceram para escrever grandes músicas. Quem duvidava disso ainda não ouviu as belas baladas "Many Shades of Black" e "You Don't Understand Me". Mas, se o negócio for rock raso e despreocupado, o quarteto também não decepciona com "Salute You Solution" ou "Five on the Five". E, a cada novo disco, o Raconteurs se afasta do estigma de ser apenas "a outra banda de Jack White".

8 - Coldplay
Viva la Vida or Death and All His Friends

Parlophone / EMI

Chris Martin chegou a consultar um hipnotizador para vencer a pressão de escrever o antecipado novo disco de sua banda. A terapia funcionou. O quarteto elevou aos céus suas ambições, convocando Brian Eno, utilizando sonoridades inusitadas e escrevendo sobre temas globais em vez de seus problemas pessoais. O resultado é um disco intimista, ainda que expansivo o bastante para incitar isqueiros acesos pelo mundo.

9 - R.E.M.
Acelerate

Warner Music

O R.E.M. sempre teve muitas coisas a dizer, mas conseguiu atravessar décadas sem ser panfl etário. Ao proclamar que "viver bem é a melhor vingança", sob a trilha punk da sintomática abertura de Accelerate, Stipe, Buck e Mills se declaram felizes, mas não se mostram acomodados. Direto, com riffs de guitarras como há muito o R.E.M. não apresentava, o disco é muito mais do que um atestado de sobrevivência.

10 - The Killers
Day & Age

Island / Universal

Assim como a terra natal, Las Vegas, o Killers tem uma conexão inevitável com tudo o que é grandioso e brilhante: hinos de estádio, óperas sintetizadas, coros épicos ao estilo do Queen - óbvia fonte de inspiração. Em seu terceiro disco, a ambição foi levada às últimas conseqüências: percussões latinas, solos de sax e referências de world music - estranhos à sonoridade em que a banda se apoiava - caíram como uma luva na nova estética proposta. A dominação do planeta, aparentemente, se tornou a nova meta.

11 - Weezer
Weezer

Geffen / Universal

Para o sexto disco do Weezer, Rivers Cuomo, principal compositor e "dono do brinquedo", permitiu aos parceiros que apresentassem suas próprias composições. E são essas as faixas que fazem o disco soar como se fosse de qualquer banda, menos do Weezer (o que não é necessariamente um problema, visto que a metade do repertório assinada por Cuomo já vale o disco). Rompendo com suas próprias tradições, a banda se mostra disposta a ousar, mesmo que para isso acabe desagradando os fãs antigos.

12 - Metallica
Death Magnetic

Universal

Sucessor de um disco que evidenciou uma banda em colapso (St. Anger), Death Magnetic tinha o potencial de ressuscitar o Metallica do quase ostracismo ou enterrar a banda de uma vez. Talvez nem o mais otimista dos headbangers preveria a intensidade com que a banda decretaria seu retorno aos holofotes. Os riffs surgem em absurdas quantidades e sem sutileza, de modo complicado ou na velocidade da luz, como se os quarentões ainda tivessem algo para provar. Não tinham, mas agora já podem relaxar.

13 - Brian Wilson
That Lucky Old Sun

Capitol/EMI

Apesar de ser uma homenagem confessa à Califórnia, That Lucky Old Sun não cai nas armadilhas tradicionais dos discos conceituais: as faixas funcionam separadamente e comprovam o talento magistral de Brian Wilson para criar lindas melodias. Além de nos brindar com doces memórias da juventude, o eterno "beach boy" mostra que superou seus fantasmas pessoais e está pronto para retornar aos seus melhores momentos. Um disco modesto, que marca o reencontro de um gênio com sua arte perdida.

14 - Oasis
Dig Out Your Soul

Sony/BMG

O sétimo disco do Oasis talvez seja o que melhor represente a nova atitude da banda: ainda perfeita na melodia e na forma, mas que se permite rompimentos antes impensáveis (Noel Gallagher já não é o compositor exclusivo, e Liam, o irmão-vocalista, é quem melhor aproveita as chances). Felizmente, arroubos de genialidade ainda são possíveis, como "The Shock of Lightning", a melhor composição escrita por Noel nesta década.

15 - Foals
Antidotes

Warner Music

Produzido por Dave Sitek, do TV on the Radio, a estréia do quinteto inglês não poderia soar mais esquizofrênica: ao mesmo tempo em que pode ser rotulada como "rock inglês do século 21", Antidote traz uma coleção de elementos que, juntos, se tornam inclassificáveis: percussões, metais, batidas minimalistas e vocais hipnóticos que vomitam letras delirantes e enigmáticas. Indefinível e por isso mesmo, surpreendente.

16 - Little Joy
Little Joy

Rough Trade

Um clima de descontração e leveza percorre o primeiro álbum deste trio notadamente internacional (ainda que dois terços brasileiro - Rodrigo Amarante e Fabrizio Moretti, este criado nos EUA -, a banda surgiu e foi fundamentada em Los Angeles). Juntos, eles alternam instrumentos, vocais e climas em faixas que vão da euforia ("Brand New Start") à tristeza ("Unattainable"). Uma grande estréia de um grupo de veteranos.

17 - Nick Cave
Dig, Lazarus, Dig!!!

Mute Anti

Apesar de continuar com relação estreita com o inferno e seus residentes, Nick Cave produziu sua música mais apaixonada em muito tempo. Se o coração parece ter amolecido com a idade (50 anos), os temas continuam barra-pesada como sempre - morte e ressurreição, amores perdidos, vícios e crenças permeiam a experiência do álbum, cujo título faz referência ao mais sofrido dos personagens da Bíblia. Coisas de Cave.

18 - Keane
Perfect Symmetry

Island / Arsenal

Mudar sem se descaracterizar - esse foi o grande desafio vencido com louvor pelo trio britânico em seu terceiro disco. Uma guitarra aqui (item raro na história do grupo), um som eletrônico ali, e nasceram músicas perfeitamente pop, como "Spiralling", "Better Than This" e "The Lovers Are Losing". A alma sofrida e a melancolia incurável do Keane continuam as mesmas, mas o corpo do grupo caiu de uma vez por todas na dança.

19 - Paul Weller
22 Dreams

Island / Universal

Com o passar dos anos, Paul Weller vem condensando suas inúmeras influências sonoras, mas nunca deixa de prestar atenção no que vem sendo produzido no presente. O veterano padrinho espiritual do britpop até chamou os discípulos Graham Coxon (Blur) e Noel Gallagher (Oasis) para participar de seu álbum. Longo, 22 Dreams surpreende pela mistura eclética e bem-sucedida de rock, funk, soul, krautrock, música clássica e eletrônico. É o "modfather" mostrando que ainda faz parte do jogo.

20 - The Last Shadow Puppets
The Age of the Understatement

Domino / Sony/BMG

The Age of the Understatement tem a despretensão de um projeto paralelo e a arrogância de dois garotos que descobriam a riqueza do rock britânico há... dois meses. Sob o nome de The Last Shadow Puppets e com o "little help" da Orquestra Metropolitana de Londres, Alex Turner (Arctic Monkeys) e Miles Kanes (Rascals) refinaram sua contemporaneidade roqueira e encontraram um som sofisticado sem perder a veia pop, e um tanto retrô, mas nem de longe velho.

21 - Kaiser Chiefs
Off With Their Heads

Universal

Apesar da falta de grandes hinos, o terceiro disco do Kaiser Chiefs saiu muito melhor do que os fãs poderiam esperar: com riffs inspirados e refrãos empolgantes, a banda praticamente se reinventa, e de quebra apaga a má impressão deixada por Yours Truly, Angry Mob (2007). O toque do requisitado produtor Mark Ronson quase não modificou a sonoridade do quinteto, que se sentiu livre e sem pressões para explorar sua faceta mais pop e acessível. Desta vez, funcionou.

22 - AC/DC
Black Ice

Columbia / Sony/BMG

No primeiro disco de estúdio em oito anos, os irmãos Angus e Malcolm Young não se afastaram nem um centímetro do que sabem fazer melhor frente ao AC/DC: riffs violentos e pegajosos, refrãos em alto volume dignos de estádios de futebol e total conexão com a música que produziram no passado. A produção vigorosa de Brendan O'Brien só ajudou a dar mais cores e nuances ao estilo imutável e apaixonante da banda australiana mais amada de todos os tempos.

23 - Duffy
Rockferry

Polydor / Universal

As comparações com Joss Stone e Amy Winehouse foram constantes durante 2008, mas Duffy parece ter muito mais a oferecer do que apenas semelhanças com outras vozes britânicas. Com timbre agudo e um pé fincado nas melodias da Motown, a carismática galesa fez seu nome por mérito próprio, lançando um dos melhores discos de R&B do ano e emplacando hits, sem para isso dar as caras nas manchetes dos tablóides.

24 - Lil Wayne
Tha Carter III

Universal

O artista mais falado do hip-hop norte-americano no momento não canta como os outros de sua geração. Variando timbres, tons e a intensidade de sua voz da maneira que bem entende, Lil Wayne mostra a personalidade que falta atualmente ao gênero. A pegajosa "Lollipop" e a obrigatória "Dr. Carter" são exemplos de sua habilidade em fazer a arrogância natural dos rappers soar como o atributo mais interessante.

25 - The Black Keys
Attack & Release

Nonesuch

The Black Keys sempre fez música que parece feita por mais de duas pessoas, mas neste disco (produzido por Danger Mouse) eles realmente soam como uma banda de verdade. A ambientação garageira, combinada com toques de R&B e riffs de guitarra crus, faz da dupla uma referência criativa na cena roqueira, além de mostrar que as comparações com um outro duo guitarra-bateria mais famoso, além de desnecessárias, são imprecisas.