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O Frio que Inspira

FELIXBRAVO foca na tradição da música para subverter

Por Leonardo Dias Pereira Publicado em 08/01/2009, às 17h11

O núcleo de composição: Bernardo (à esq.) e João.
Daniela de Carvalho

Num cenário musical cada vez mais dominado por guitarras altas, dois músicos curitibanos sustentam um orgulho de soarem anacrônicos. "Somos os malucos remando contra a maré", brinca Bernardo Bravo, que ao lado de João Félix forma o - na denominação deles mesmos - "núcleo de composição" FelixBravo.

"Consideramo-nos um núcleo de composição justamente pelo nosso foco, que é a composição acima de tudo", Bernardo explica, sobre o método de trabalho do projeto. "Por sermos apenas dois, a gente trabalha com amigos músicos, sempre de acordo com a maneira com a qual queremos mostrar determinada canção em cada show." Trabalhando com influências distintas como o erudito, o samba e ritmos regionais, as músicas da dupla possuem uma leveza que justifica o termo "bossa contemporânea" inventado por eles mesmos. "Na época da bossa nova, João Gilberto pegou a célula do samba e a incorporou com elementos jazzísticos. A bossa contemporânea seria esses mesmos elementos, mesclados a ritmos como a valsa, o maxixe, toadas regionais e o jazz."

Além dessa tradição musical, faixas como "Vem" e "Coisa de Doido", lançadas no EP homônimo, possuem forte carga poética e uma melancolia absorvida pela introspecção que os curitibanos carregam por viver em uma cidade gélida. "Tanto os dias cinza como os dias ensolarados a zero grau influenciam da forma mais charmosa possível", admite Bernardo. "Curitiba tem um clima que favorece as reuniões em casa. Muito do aconchego que a gente quer trazer na estética da canção vem desse detalhe."