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Por Que Obama Venceu?

A histórica eleição do novo presidente dos Estados Unidos, que assume o cargo neste mês, pode ser o prenúncio de uma "Nova Nação"

Por Jann S. Wenner Publicado em 08/01/2009, às 16h44

Segundo especialistas, Obama teve a mais bem organizada campanha política de todos os tempos, comparada apenas à de John Kennedy, em 1960

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Dias após a histórica eleição de Barack Obama, ocorrida em 4 de novembro de 2008, debatemos com os especialistas em política Peter D. Hart e David Gergen sobre os novos rumos para os Estados Unidos e as causas que levaram à vitória do primeiro presidente negro na história do país. Em Nova York, estamos diante desses dois estudiosos: Hart é conhecido por sua cobertura apartidária das eleições para a NBC News e para o The Wall Street Journal e conduziu uma pesquisa de opinião sobre 30 governadores e 40 senadores norte-americanos; Gergen é diretor do Centro de Liderança Pública da Kennedy School, em Harvard, e trabalhou na Casa Branca como consultor sênior dos presidentes [Richard] Nixon, [Gerald] Ford, [Ronald] Reagan e [Bill] Clinton.

Qual foi a chave mestra na vitória de Obama?

Peter D. Hart: Os núcleos que ele estimulou dentro do eleitorado - afroa-mericanos, latinos, eleitores jovens, eleitores iniciantes. Ele teve mais de 2/3 desse eleitorado e 95% de afro-americanos. Tomou o que era um eleitorado restrito e o mudou. E, ao fazer isso, colocou no jogo os estados em que os Democratas achavam que nunca poderiam vencer: Colorado, Novo México, Nevada, Indiana e Carolina do Norte, além de Ohio e Flórida.

David Gergen: Desde cedo Obama forjou uma tática vitoriosa, montou uma equipe ao redor dessa estratégia, e executou a mais brilhante e bem organizada campanha que vimos na política norte-americana desde John Kennedy, em 1960. E essencial para essa estratégia foi a construção de uma nova coalizão - o que vemos agora é o florescimento de uma possível maioria, que pode trazer a predominância do Partido Democrático durante os anos vindouros. Obama construiu o que se pode chamar de coalizão Obama. Peter é absolutamente correto em identificar a geração do milênio, ou a comunidade afro-americana e latina, como a força motriz por trás dessa nova aliança. E ela também inclui mulheres, o eleitorado dos subúrbios e outros que eram parte tradicional do bloco votante democrata. Para mim, esses são os novos condutores.

Vamos falar sobre dois grupos desses eleitores. O voto jovem - qual foi seu papel? Foi grande o suficiente para fazer a diferença?

Hart: Fez uma diferença gigantesca. Lembre-se: quando falamos sobre eleitor jovem, estamos falando de todos os 50 estados. Não é como o voto evangélico ou um grupo étnico localizado em área específica. O eleitorado jovem voltou-se para Obama em números simplesmente difíceis de compreender. Foi uma conexão que era tanto psicológica quanto induzida pelos assuntos de seu programa. É alguém falando o idioma deles, que compreende sua época e indicou a direção que todos queriam que a nação seguisse. [Al] Gore influenciou os jovens eleitores por dois pontos. [John] Kerry, por quase nove pontos. Obama chegou aos 34 pontos.

Gergen: Essa geração emergente do milênio, como força da política norteamericana, será uma das grandes histórias do país nos próximos 20 anos ou algo assim. Sabemos historicamente que quando os jovens votam em um partido duas vezes tendem a votar nele durante a vida adulta em número desproporcional. A última vez que vimos isso foi com Reagan, que atraiu um número incomum de gente jovem. Mas essa crescente geração do milênio é muito maior do que as que a precederam. E 40% dessa geração são de minorias que vêem muito além de raça e gênero. E o uso da tecnologia na campanha de Obama foi vital para mobilizá- los. Se você olhar historicamente, cada um dos maiores realinhamentos em nossa política é sempre a união de uma nova geração e de tecnologias emergentes. Obama foi o pioneiro em juntar o poder da internet com os princípios da organização comunitária. Usou-a para criar um movimento. Foi de enorme importância para espalhar a mensagem, levantar dinheiro e mobilizar eleitores. São essas as três coisas que a equipe de Obama percebeu e executou brilhantemente.

Você lê esta matéria na íntegra na edição 28, janeiro/2009