2009, Um Ano Previsível

Bem-vindo a 2009, o ano em que a feiura perdeu o acento e cujas previsões são, como sempre, catastróficas

Por Miguel Sokol Publicado em 09/02/2009, às 18h37

Se não foram as trombetas do apocalipse que anunciaram o ano novo, então eu não sei o significado de escolher, entre todas as personalidades possíveis (e impossíveis), justamente o cantor Daniel (no Réveillon de São Paulo) e a atriz Susana Vieira (em Salvador) para a contagem regressiva da virada: três, dois, um e... bum! Champanhes explodiam enquanto Israel estourava a faixa de Gaza. Em outras palavras: bem-vindo a 2009, o ano em que a feiura perdeu o acento. Você não faz ideia (sem acento) do que este malnascido (sem hífen) ano nos reserva, mas fará, graças as minhas premonições heroicas (sem acento):

Discos: Sim, eles ainda existem, tanto quanto o Kiss, que vai lançar um em 2009. Com a cara limpa, espero, porque já é tanta ruga que a maquiagem pode (e vai) deixá-los com a cara do Coringa - "why so serious"?

Outro lançamento triste de um tio mascarado é o do Sérgio Dias. Não contente em chamar de Mutantes aquela banda de churrascaria, vai lançar disco novo com uma possível participação de Mike Patton. Mas nem tudo é desgraça, um dos bons compositores brasileiros resolveu... compor. Nando Reis promete um disco que não é ao vivo, nem luau, nem coletânea, nem acústico - é novo mesmo.

Voltas: este ano, além da reunião do Blur, os Stone Roses vão comemorar os 20 anos do primeiro disco da banda. Há também o retorno dos Los Hermanos (que abrem os shows do Radiohead) e do Michael Jackson, este não para os palcos, mas para o tribunal. Uma mulher ironicamente chamada Billie Jean processou o cantor em US$ 1 bilhão: ela alega ser a mãe de seu terceiro filho, Prince Michael II.

Shows: Pois é, o Brasil entrou definitivamente no circuito internacional (e essa frase é bastante usada desde 1985). Desta vez, mais do que nunca (e essa, desde 1990). Dizem que a crise das bolsas vai ajudar os produtores de shows (a esvaziarem os nossos bolsos, provavelmente). Seja como for, o resultado é sempre o mesmo. Muitas promessas são anunciadas (Paul McCartney, Peter Gabriel, Amy Winehouse, Britney Spears, Oasis e Wilco), mas salvo duas ou três exceções (o Radiohead já é uma delas, para alegria dos "radionerds") acaba vindo o de sempre (Iron Maiden, Simply Red, Motörhead e Doors, já confirmadíssimos).

Quem poderá nos salvar dessas premonições catastróficas? O Super-Homem (e o Hulk, o Homem de Ferro, o Batman...)? Depois que as quatro maiores bilheterias do ano passado foram de super-heróis, Hollywood aposta todas as suas fichas neles. Watchmen e Wolverine são os primeiros a estrear (com direito a Hugh Jackman confirmado no comando do Oscar 2009), mas Capitão América, Lanterna Verde, Mulher Maravilha e até um filme do Thor já estão encaminhados. Mas quando chegarem, bem, aí nós já estaremos no imprevisível e bem-nascido (este sim, com hífen) ano de 2010...