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Melodias Cênicas

Thiago Pethit agrega poesia, tango e vários idiomas

Por Fabiana Caso Publicado em 11/03/2009, às 16h56

Em uma noite de sexta-feira, após horas agendando shows com produtores via MSN, o cantor e compositor Thiago Pethit se questiona sobre ter ou não um empresário. Vestido com jeans, camisa xadrez sob pulôver preto, seus cabelos refletem algo dessa inquietação: não se decidem entre ser curtos ou compridos, com trechos apontando para cima e para baixo. Sua estréia, o EP Em Outro Lugar, motiva show sem São Paulo e agora pode chegar a outros estados. "Era para ser um cartão de visita e virou algo maior", comemora.

As canções se insinuam através do folk, arranham o rock e incorporam ares de tangos e cabarés. Versátil, a voz de Pethit pula do timbre cristalino para o rouco intenso, com sussurros, reforçados por instrumentos como violão, acordeão e escaleta.

Fissurado por musicais e cinema das décadas de 1940 a 60, ele acumulou um amplo repertório antes de enveredar pela música. Após anos trabalhando como ator, entrou em questionamentos. "Não estava dialogando com os jovens. A música atinge gente de todas as idades de forma mais direta", diz. Passou agravar poemas sobre beats eletrônicos com o pai - o jornalista Carlos Henrique Correa. Em seguida, Pethit foi para Buenos Aires, estudar canto e composição durante nove meses em uma academia de tango. Trouxe na bagagem melodias compostas a partir do compasso típico das valsas. Já as letras surgiram ao redor dos timbres de vários idiomas(português, inglês e francês) e de personagens que povoam o imaginário do autor.

"A sensação era a de ter acordado de um coma", comemora. "Finalmente havia encontrado um canal para usar referências do teatro, do cinema, da poesia e da própria música. Parecia que tudo já estava pronto na minha cabeça há muito tempo!"