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Hugh Jackman

Após dançar, cantar e sapatear no Oscar, ator se reencontra na pele – e com as garras – de Wolverine

Por Pablo Miyazawa Publicado em 01/05/2009, às 12h16 - Atualizado em 05/04/2013, às 17h51

Hugh Jackman tomou contato com seu lado animal no quarto filme como Wolverine
REX FEATURES/KEYSTONE

Uma semana antes de bancar o apresentador da cerimônia do Oscar, Hugh Jackman ainda não sabia o porquê de ter sido convidado para a função. "Acho que eles queriam dar um aviso a todo mundo: 'Ei, o Oscar será diferente este ano'", ele

brincou, em conversa telefônica para divulgar X-Men - Origens:Wolverine, sua quarta experiência na pele do mutante (previsto para 30/4). Sarcástico, o australiano de 41 anos falou sobre o retorno ao personagem, citou inspirações e, sem muita sutileza, despistou as questões mais comprometedoras.

Em alguns dias você comandará o Oscar. Está nervoso?

Estou emocionado com a ideia. Não vejo a hora. Acho que estava mais nervoso há três semanas, quando não sabia bem o que teria que fazer. Agora tenho um roteiro para seguir e está tudo certo. [A preparação] tem sido um processo bem intrigante. Estou feliz por ter sido convidado e determinado a curtir a experiência.

O que sua esposa disse quando você contou a notícia?

Eu já estava dormindo quando me telefonaram avisando, e eu só disse "Ok!", nem liguei muito. Só depois me dei conta de que era pra valer. Minha mulher estava se deitando e eu falei: "Querida, você está prestes a ir pra cama com o apresentador da próxima cerimônia do Oscar". E ela imediatamente começou a gritar e a comemorar. Daí ela se sentou, fez uma cara de nada e soltou: "Mas o que eu vou vestir?" [risos].

Cá entre nós, quem vai levar o Oscar de Melhor Filme?

Não faço ideia, cara. Não sei mesmo. E nem posso entrar muito nesse assunto, porque, veja bem...Eu estarei lá em cima do palco com quem quer que seja, e a pessoa vai chegar pra mim e dizer: "Ah, você disse que eu não iria ganhar, e olha eu aqui!" [risos]

Quais qualidades o ator deve ter para ser o Wolverine?

[Pensa] Boa pergunta. O Wolverine tem uma longa e turbulenta história. Ele é um guerreiro que participa de batalhas desde criancinha. E é uma vida que ele não quer, vagando pra todo lado, só lutando... Ele guarda muita coisa dentro de si e é um tipo de poucas palavras. É um cara legal, mas não é bonzinho. Gosto disso. Sou provavelmente muito diferente do Wolverine na vida real, mas é muito divertido interpretá-lo. Gerenciar essa raiva me serve como uma ótima terapia.

Por causa de Wolverine, você poderia ficar estigmatizado como ator de um só papel. Isso preocupou você?

Sim. Quer dizer, você não consegue controlar o que as pessoas irão gostar em você ou quais filmes elas vão assistir. Como ator, meu trabalho é manter o máximo de portas abertas e sempre tentar coisas novas. E aquele era praticamente meu primeiro filme. Sinto que tenho muito a aprender, diretores para trabalhar junto, estilos para experimentar... Mas gosto muito de reencontrar esse personagem. É estimulante, sabe?

Quando rolou o convite para ser Wolverine, você tinha noção da responsabilidade?

Com certeza, não. Eu sabia que os quadrinhos de X-Men eram populares, mas nunca havia lido, nem sabia nada sobre eles. Na época, os produtores do filme não queriam que os atores lessem as histórias, porque temiam que alguém aparecesse com uma interpretação exagerada ou bidimensional demais. Acho que eles só queriam que tratássemos os heróis como personagens reais e enxergássemos aquele como um filme normal, e não como "um filme de quadrinhos". Mas é claro que li as HQs, em meu trailer, antes das filmagens [risos]. Tirei muita coisa dali: a parte física, frases legais, a entonação da voz... Me aproveitei bem disso tudo.

Quais as diferenças entre o jovem Wolverine do novo filme e aquele de X-Men?

Eu acho que ele é mais selvagem, mais brutal. Fisicamente, está bem mais próximo do que eu gostaria que ele fosse, passa aquela sensação de que poderia explodir a qualquer instante. Eu fiz questão de que ele parecesse mais fodão desta vez. Mesmo quando ele está mais quieto, dá para sentir que o animal está ali.

E a inspiração para compor o personagem?

[Pensa] Uma das imagens que sempre pensei para criar o Wolverine, mais em relação à atitude do que ao estilo, é a de um jovem Mike Tyson. Ele era menor que todos os outros lutadores, mas tinha uma ferocidade natural, um sentimento animalesco nos olhos. Mesmo boxeadores experientes tinham medo dele. Também assisti a muitos filmes de Dirty Harry e Mad Max. E é engraçado, mas também sempre tive na cabeça a imagem de Robert de Niro em Cabo do Medo. Você vê aquele tipo tatuado, com o corpo todo ferrado, e não tem como não pensar: "Incrível, esse cara é um maluco mesmo!"

Com quais diretores você mais curtiu trabalhar?

Bem, acho que tive sorte de trabalhar com alguns dos grandes da atualidade - e que me fizeram ter certeza de que eu não deveria nem tentar dirigir [risos]. É difícil citar nomes... Gavin [Hood], que fez Wolverine, Baz Luhrmann, Christopher Nolan, Woody Allen, Darren Aronofsky...

E as atrizes? Você já fez par com algumas das mais bonitas de Hollywood...

[Interrompe] Agora você vai me criar problema [risos].

Mas diga sob o ponto de vista de um ator...

Sob o ponto de vista de um ator? Claro! [Risos] Não dá para escolher minhas atrizes favoritas. Imagine o que vou ouvir quando estiver ao lado de uma: "Ei, você não gostou de trabalhar comigo?" Qual é, cara. Você é esperto. Sabe que não posso entrar nessa.

Certo. Para terminar: você é o Wolverine. O que aconteceria em uma luta entre você, o Homem de Ferro e o Batman? Quem ganharia?

[Desdenha] Cara, não tenho a menor ideia... O Wolverine venceria a luta. É óbvio. Ah, qual é? Vamos, você consegue fazer uma pergunta mais difícil que essa...