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Mostra a Cara!

Por Miguel Sokol Publicado em 15/06/2009, às 16h34

Para o resto do mundo, o Brasil não tem mais cara de Pelé, olhos de Zé Carioca, nariz de Sônia Braga e boca de Carmen Miranda (com bafo de caipirinha) - tudo no corpão da Garota de Ipanema. Esse Frankenstein decrépito pelo qual nós éramos vistos desde que a bossa era nova, ou seja, quando as capitanias eram hereditárias, está finalmente mudando e - bu! - é para pior.

Antes o Brasil só aparecia no mapa-múndi de Hollywood quando ladrões ou assassinos precisavam de um paraíso onde pudessem viver felizes para sempre, com uma água-de-coco na mão e um chapéu panamá na cabeça. Ninguém se espantava mais com isso, só que agora - cuidado! - o nosso cenário paradisíaco serve

a outro protagonista: sai o vilão, entra o mocinho grandalhão, verde ou não, de cara inchada e braço murcho (ou cara murcha e braço inchado, tanto faz).

Só uma coisa é mais constrangedora que Hulk falando "espanglês" num morro carioca. Qual coisa? Aquela coisa chamada Sylvester Stallone. E é bom a gente agradecer a visita do Rambo, porque o Brasil nunca teve tanta vez em Hollywood: quando não houver mais nenhum ser humano sobre a face da Terra, Will Smith contracenará com quem? Com seu cachorro, claro. Mas quando até o cachorro se for, eis que chega a nossa vez - grande Alice Braga!

Agora nós temos que nos engolir como o paraíso do botox, dentro e fora das telonas, afinal a vida imita a arte e a mulher do Usher que o diga. Mas todo mundo sabe que botox não deixa ninguém em coma, já a dor de uma autêntica Brazilian Wax... Pois é, a mulherada gringa pede depilação completa na bacurinha assim: "brazilian wax, please".

A situação está realmente cabeluda. No reino animal, nós éramos um papagaio caloteiro que gosta de praia, feijoada, futebol e jaca. Nada poderia ser mais embaraçoso, até que o papagaio virou um sapo e mudou seu nome de Zé Carioca para Lapeño Enriquez. Sim, no Fur TV, programa televisivo inglês, esse é o nome de um brasileiro da gema, ou seja, um ex-cafetão que é DJ e vive em Londres - ilegalmente, claro.

Nessa mesma Inglaterra, a juventude deste país tropical e abençoado por Deus não é mais bonita por natureza. Aquela moça do corpo dourado do sol de Ipanema deu lugar à tragédia daquele moço morto a tiros no metrô. Horroroso assim, o Pet Shop Boys acaba de lançar uma música chamada "We're All Criminals Now", em que Neil Tennant canta o assassinato de Jean Charles de Menezes: "Peguei o ônibus para a estação, música tocando na minha cabeça, corri para alcançar o trem, a polícia atira, alguém morre, não me pergunte como, nós somos todos criminosos agora".

Onde isso vai parar? Não sei, mas seja onde for nós ainda seremos pentacampeões e a Argentina ainda será aquele bando de italianos que falam espanhol, se vestem como franceses e pensam que são ingleses. Então, menos mau.