Tucanos na Corda Bamba

O PSDB quer retornar ao poder e tem o líder das pesquisas na corrida pela sucessão, mas parece mais perdido que cego em tiroteio

Por Andrea Jubé e Carol Pires Publicado em 10/07/2009, às 16h43

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Numa quarta-feira de maio, dia nobre de votações, senadores do PSDB e do DEM, partidos de oposição ao governo, tumultuavam a discussão da medida provisória que capitalizou o Fundo Soberano, uma espécie de poupança pública no valor de R$ 14 bilhões. A oposição era contrária ao fundo e preparava-se naquela noite para vencer mais um round contra a matéria. Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, e José Agripino Maia (RN), do DEM, comandavam a obstrução. Do outro lado do ringue, Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo Lula no Senado, guiava a base aliada na batalha da qual sairia derrotado.

Durante a peleja, enquanto outros senadores se revezavam na tribuna em longos discursos para atrasar a sessão, atrás do plenário, na sala do cafezinho, os adversários Virgílio, Jucá e Aloizio Mercadante (SP), líder do PT, estavam despojadamente aboletados em suas cadeiras, saboreando biscoitos de maisena e conversando amenidades.

"PSDB? Esse assunto é tão velho que está mais para samba-canção do que para rock'n'roll", caçoou Mercadante. Minutos depois, quando o petista deixou a roda, José Agripino aproximou-se. "Arthur, você está dando entrevista para a Rolling Stone? Mas você é mais velho que o Mick Jagger", provocou. Do líder dos Stones, o assunto fluiu para a apresentadora Luciana Gimenez, que havia entrevistado o governador de São Paulo, José Serra, pré-candidato tucano à Presidência da República. Logo os adversários esqueceram as diferenças políticas, entrando em acordo sobre as curvas e a beleza da mãe de Lucas Jagger.

Apesar de hoje pertencerem a partidos diferentes, Virgílio, Agripino e Jucá têm mais em comum do que supõem os espectadores da TV Senado. Jucá começou no ex-PFL (hoje DEM), passou pelo PSDB - do qual foi vice-presidente nacional e líder do governo Fernando Henrique Cardoso - até chegar ao PMDB. Agripino foi um dos fundadores do PFL em 1985 e nunca abandonou a legenda, que se transformou na principal aliada dos tucanos. Virgílio faz parte da turma de egressos do PMDB que deixou o partido para fundar o PSDB em 1988.

O PSDB, Partido da Social Democracia Brasileira, nasceu da dissidência de um grupo de peemedebistas que começou a se sentir desconfortável com o crescente poder de correligionários nos diretórios regionais. O grupo formado pelos então senadores Fernando Henrique Cardoso e Mário Covas, pelo ex-governador Franco Montoro e pelos deputados José Serra e Arthur Virgílio, destacou-se pela formação intelectual e pelo ideário de centro-esquerda. Uma postura que se contrapôs aos líderes considerados direitistas que controlavam o partido em seus estados, e estão lá até hoje, como Orestes Quércia em São Paulo, Newton Cardoso em Minas Gerais e Iris Rezende em Goiás.

Hoje, o PSDB contabiliza oito anos no comando do poder federal. No Congresso Nacional, tem a segunda maior bancada de deputados federais com 58 parlamentares, a terceira bancada no Senado com 13 integrantes e o segundo maior número de prefeituras, com 788 cidades conquistadas em 2008, perdendo apenas para o PMDB.

Depois de aumentar a ninhada, os tucanos de peito amarelo-bandeira lutam para driblar a natureza que lhes deu bico grande, asas curtas e vôo rasteiro para voar alto mais uma vez. O PSDB ainda amarga as duas derrotas consecutivas para o PT nas eleições de 2002, em que o governador José Serra perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva, e de 2006, em que o ex-governador Geraldo Alckmin saiu derrotado por Lula, que se reelegeu.

Desta vez, o PSDB precisa agir com cautela para não acabar como quem tinha dois pássaros na mão e ficou sem nenhum, depois que ambos voaram. O partido lançou-se na corrida presidencial com dois nomes competitivos, sendo que o governador de São Paulo, José Serra, mantém-se há meses na liderança absoluta de todas as pesquisas de opinião. Além disso, o partido convive com o espectro do terceiro mandato de Lula, que embora veementemente rechaçado pelo presidente da República, não deixa de assombrar os tucanos.

Serra disputa a vaga de candidato a presidente pelo PSDB com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que investe no carisma e na herança política do avô, Tancredo Neves, para derrotar o correligionário em eventuais prévias partidárias. No entanto, o comando nacional do PSDB não quer saber dessa consulta. Os esforços todos se voltam para unir os filiados em torno de uma candidatura de consenso.

O presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), garante que já no segundo semestre Serra e Aécio chegarão a um acordo que dispensará as prévias. O pernambucano acha que a briga interna prejudica o partido, enquanto o PT já saiu na frente, unido em torno da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Enquanto Dilma decola, no ninho tucano, o presidenciável Aécio Neves segue em desvantagem nas pesquisas apesar da empatia e da disposição que esbanja em suas andanças Brasil afora. Um levantamento do instituto Sensus para a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), divulgado em fevereiro, mostra Serra com 46,5% das intenções de voto contra 13,5% de Dilma. Se o candidato tucano é Aécio Neves, ele aparece com 23,3% da preferência do eleitor. Mas a diferença para o PT cai para sete pontos percentuais, porque Dilma vem logo atrás, com 16,4% das intenções de voto.

Numa pesquisa mais recente, encomendada pelo PT ao instituto Vox Populi e divulgada em maio, no cenário em que o candidato tucano é Serra, ele tem 36% das intenções de votos, enquanto Dilma possui 19%. Se o candidato é Aécio, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) lidera a corrida com 23% da preferência do eleitorado, enquanto Dilma tem 21% e o tucano fica em terceiro lugar, com 18%. A candidata lançada pelo presidente Lula, com antecedência de mais de um ano, não pára de crescer nas pesquisas. Principalmente depois de se tornar conhecida como a "mãe do PAC" e, mais recentemente, expor o drama pessoal, vítima do câncer.

No horário eleitoral e nos palanques país afora, o embate entre os dois partidos deverá focar os programas sociais, carro-chefe do governo Lula e, num segundo plano, as denúncias de corrupção que pautaram as eleições de 2006. Sérgio Guerra afirmou que o PSDB está fazendo uma rodada de debates para definir o contra-ataque à premissa de que o governo Lula foi o que mais avançou nos programas sociais. Nos primeiros seis anos de administração petista, 20 milhões de pessoas migraram das classes D e E para a classe C, apontou pesquisa Datafolha.

No campo da batalha ética, a recém-criada CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, para investigar denúncias de irregularidades e desvios de recursos públicos na gigante nacional, promete retirar do fundo do baú escândalos do passado como o Mensalão, o dossiê dos aloprados e a máfia dos sanguessugas para colocar em xeque a postura do PT.

No entanto, se o PSDB decidir enveredar pelas questões de corrupção, pode levar um tiro no pé. O partido levou golpes recentes que atingiram dois de seus governadores. O chefe do Executivo na Paraíba, Cássio Cunha Lima, acabou cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no início do ano, acusado de compra de votos durante a campanha em 2006. Depois foi a vez da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, sofrer acusações de formação de suposto caixa dois. Ela corre risco de enfrentar uma CPI na Assembléia Legislativa.

O senador Tião Viana (PT-AC) avalia que a dificuldade para encontrar pontos de ataque, um ao outro, se dá porque a briga entre ambos não é por questões ideológicas, já que possuem linhas partidárias semelhantes, mas, sim, por uma motivação visceral. "Os dois têm semelhanças na concepção programática, no modelo de Estado Nacional. A luta é passional mesmo", define.

Viana aponta, ainda, a origem da fissura entre PSDB e DEM, seu principal aliado no plano nacional. "Esse problema tem como útero a eleição de Gilberto Kassab para a prefeitura de São Paulo (em 2008), quando o PSDB concorreu com Geraldo Alckmin (e perdeu)." Uma nova rusga veio com a separação de ambos na campanha para a presidência do Senado em fevereiro deste ano. O DEM apoiou José Sarney (AP), do PMDB, enquanto o PSDB, num lance ousado, endossou a candidatura de Tião Viana, provocando rebuliço no meio político.

"Foi uma demonstração de amadurecimento político. Os tucanos trocaram a política maniqueísta por uma postura progressista, souberam diferenciar a disputa política da defesa da instituição, que era o que estava em jogo", defendeu Viana. Mesmo assim, as diferenças entre PSDB e DEM não pararam por aí. Em maio, os dois se dividiram novamente na criação da CPI da Petrobras. O DEM resistiu no começo, tentou evitar a investigação, enquanto o PSDB não sossegou até tirá-la do papel.

O episódio entrou para a história do PSDB. No dia em que o líder Arthur Virgílio e os senadores Sérgio Guerra e Tasso Jereissati pressionaram, incisivamente, pela leitura do pedido de CPI, até que a sessão foi encerrada abruptamente pela senadora Serys Slhessarenko (MT), do PT, Virgílio, conhecido pelo temperamento impetuoso e combativo, não se fez de rogado.

Em mais um de seus acessos, Virgílio invadiu a Mesa da Presidência, ligou os microfones e reabriu a sessão na marra, passando a palavra para Jereissati. No dia seguinte, o ex-presidente Fernando Henrique telefonou para Sérgio Guerra e perguntou o que havia acontecido.

"Nada, foi tudo normal", respondeu o pernambucano. "Mas o que foi? Está tudo bem mesmo?", insistiu FHC. "Ah, é porque não queriam ler a CPI, a Serys encerrou a sessão. Então, Arthur voltou lá, sentou na cadeira de presidente e religou os microfones", relatou Guerra. "Então foi tudo normal mesmo", disse Fernando Henrique.

Os desentendimentos recentes entre PSDB e DEM entusiasmam os governistas, que começaram a apostar no enfraquecimento da oposição. "Tudo leva a crer que a unidade da oposição não será como Serra pretendia", arrisca Tião Viana. No entanto, o líder do DEM, José Agripino, garante que os dois partidos seguem unidos e as soluções para os problemas são pontuais. Ele cobra o apoio do PSDB à candidatura de Paulo Souto ao governo da Bahia e à eventual reeleição de José Roberto Arruda ao governo do Distrito Federal. Se depender de Sérgio Guerra, já está tudo resolvido. De volta ao cafezinho do Senado, o trio Virgílio, Agripino e Jucá ria e conversava animadamente, como se não faltasse um ano para as próximas eleições quando, aí, sim, será cada um por si. Embora os copos estivessem cheios de suco e água, o clima era de roda de chope.

Virgílio: Jucá, você já ouviu a piada da mulher do amigo?

Jucá: Qual?

Virgílio: O amigo pergunta ao outro: "Cara, sua mulher não pára de dar em cima de mim. Não sei mais o que fazer, porque ela está marcando em cima e eu não sou de ferro, você entende. Se eu ficar com ela, o que acontece?"

Rindo, Jucá dá a deixa para que Virgílio conclua.

Virgílio: Nós ficamos quites!

A piada lembra a relação do PT e do PSDB com a história da democracia brasileira. Depois do fim da ditadura militar, o PSDB ficou oito anos no poder e, em seguida, o PT ficou mais oito. Agora, pela primeira vez, eles vão competir em igualdade de forças. Estão quites.

Depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, talvez seja o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) um dos mais incomodados com o conterrâneo Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, sigla que é a principal adversária do PT. Vizinho do senador tucano, Jarbas vive pedindo à sua funcionária que telefone para a casa do senador, no andar de baixo, para que abaixem o som. A paixão do tucano pela música atormenta Jarbas sempre que Guerra aciona o home theater da marca dinamarquesa Bang & Olufsen para ouvir o último DVD de Vanessa da Mata, um clássico dos Rolling Stones, Santana ou Pink Floyd, ou os pernambucanos Lenine e Chico Science & Nação Zumbi.

Sérgio Guerra nos recebe para um almoço no apartamento funcional onde mora na Asa Sul, em Brasília. Um espaço repleto de obras de artistas pernambucanos como Francisco Brennand, Reynaldo Fonseca e João Câmara. Criador de cavalos mangalarga e cães da raça buldogue, ele começou a vida política em 1963, como líder estudantil, e militou ao lado do ex-governador Miguel Arraes e de Jarbas Vasconcelos. Formou-se em economia na Universidade Católica de Pernambuco e fez pós-graduação na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Agora arma-se para comandar o PSDB numa das mais acirradas disputas eleitorais desde a redemocratização do país, em que tucanos e petistas vão travar uma batalha quase sangrenta para conquistar mais quatro anos no Palácio do Planalto e ampliar o número de governadores e parlamentares.

O PSDB faz de tudo para voltar ao poder em 2010. Quais as armas do partido?

Acho que o PSDB está fazendo menos que deveria. Se já tivéssemos um nome para candidato à Presidência da República, poderíamos estar divulgando-o com mais intensidade e construindo a candidatura. Se esse nome estivesse definido, também seria mais fácil estruturar as alianças locais e um discurso para o futuro. Mas hoje sabemos que essa questão só estará resolvida no segundo semestre. Por isso, acho que o partido ainda não está fazendo de tudo [para voltar ao poder].

O partido vai realizar prévias partidárias conforme deseja Aécio Neves?

As prévias só acontecerão se os governadores José Serra e Aécio Neves não se entenderem. Acredito que eles vão se entender. E vai ser logo, já no segundo semestre.

De onde vem esse otimismo?

Eu acompanho de perto o dia-a-dia dos dois e conheço as condições objetivas do partido. No PSDB, não existe favoritismo, mas há uma unanimidade: vamos nos unir e disputar a eleição para ganhar. Para isso, os eleitorados de Minas e de São Paulo terão que se entender.

A vitória se dará com Serra ou Aécio?

Serra tem um quadro eleitoral muito forte, mas Aécio tem grande potencial. O que vai acontecer só o tempo dirá. Eu só espero que esse tempo não seja longo.

São Paulo e Minas Gerais são os dois maiores colégios eleitorais do país, onde o PSDB é mais forte. Uma chapa puro-sangue formada por Serra e Aécio seria imbatível. O que a inviabiliza?

Acho que se uníssemos os eleitorados de Minas e São Paulo, teríamos vantagem folgada no Sudeste e no Sul e um equilíbrio favorável no Centro-Oeste. Teríamos que disputar no Norte e perderíamos no Nordeste [reduto do presidente Lula]. Mas ganharíamos a eleição!

O discurso de campanha do PSDB será conciliador, no estilo "pós-Lula", como defende Aécio Neves, ou mais crítico, na linha José Serra?

Temos que fazer um discurso para o futuro, preparar uma agenda para o futuro. O candidato do PSDB necessariamente terá de provar à população que não

adianta continuar como está, é preciso mudar. É claro que haverá críticas ao governo atual. Vamos defender um projeto para o país por meio de uma crítica sóbria, mostrando que o governo Lula aparelhou o serviço público, não praticou uma política severa do ponto de vista fiscal, levou a saúde ao caos e não evitou a guerra da violência nas ruas.

O centro do debate eleitoral na eleição de 2006 era a ética e a moral na política, na esteira do Escândalo do Mensalão. No pleito de 2010, a corrupção também será o foco da campanha?

A questão da corrupção é muito importante, mas do ponto de vista eleitoral ela é restrita a alguns setores da sociedade que já se identificam conosco. Com esse tema, exclusivamente, não atingimos o eleitorado potencial da ministra Dilma. Para alcançarmos esse eleitorado, precisamos de propostas que avancem na área social. Avaliamos que o PSDB fez muito no plano social, mas não divulgou, ao contrário do que faz o presidente Lula. Esse tema é alvo de seminários que estamos promovendo pelo país.

As denúncias de compra de votos que levaram à cassação do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, e de suposto caixa dois que atingem, atualmente, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, não poderão atingir o PSDB em 2010, que tem a questão ética como uma de suas principais bandeiras?

Não acredito. O governador Cássio Cunha Lima já foi acusado, injustamente acusado. E a governadora Yeda está sendo alvo de acusações neste momento, mas vamos mostrar que também são injustas.

Em 2006, o PT derrotou o PSDB com o discurso de que os tucanos queriam privatizar as principais estatais. Agora, petistas como o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ressuscitaram esse discurso, acusando o PSDB de irresponsável e afirmando que o partido quer a CPI para desmoralizar a Petrobras e, depois, vendê-la no futuro. O que o senhor acha disso?

Em 2006, o ruim foi que eles vieram com esse discurso no segundo turno da eleição. Ainda bem que eles começaram com isso agora, porque teremos tempo para mostrar que essa fraude não se segura até 2010. Se o ministro Paulo Bernardo, que é até simpático, pensasse toda vez que fala, não teria dito isso. Naquele dia, ele não pensou. Ele é bom mesmo é em eleição no Paraná. [Aqui o tucano provoca o petista lembrando as eleições de 2008, quando o prefeito de Curitiba, Beto Richa, do PSDB, foi reeleito com 62% dos votos no primeiro turno, derrotando Gleisi Hoffmann, mulher de Paulo Bernardo,

que ficou em segundo lugar com 14,5% dos votos].

Como está o namoro para conquistar o apoio do PMDB na eleição de 2010?

Vamos ter sólidas alianças com o PMDB em muitos estados. Quanto ao que o PMDB vai fazer no plano federal, não temos a menor expectativa. Hoje estamos

unidos com o partido em São Paulo, e temos confluências com os peemedebistas em muitos outros, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul.

O que o senhor achou da pesquisa do Instituto Vox Populi, que apontou a ministra Dilma Rousseff com 19% e 25% de intenção de votos para a Presidência em 2010?

A ministra Dilma cresce, mas dentro do eleitorado do PT. Antes, ela não era tão conhecida. A pesquisa sugere que o PAC e a doença a tornaram mais popular, ela teve uma exposição maior depois desses fatos. O crescimento dela era previsível e, além de crescer dentro do eleitorado petista,

ela ganhou votos que eram do Ciro Gomes e da Heloísa Helena. Sabemos que a disputa com Dilma será dura. No entanto, vamos mostrar que, no fundo, não se conhece sua origem política. Não se conhece o seu discurso e a prática não é convincente. Esse PAC convence alguém? Além disso, Dilma tem um conflito não resolvido sobre sua origem, ela não sabe dizer se é de Minas Gerais ou do Rio Grande do Sul. E são dois estados nada parecidos. Nossos candidatos são muito mais conhecidos e testados do que ela. Esta entrevista está muito séria, não?

O senhor acha? Então conte-nos o que gosta de ouvir, de ler, de fazer nas horas vagas.

Gosto de todo tipo de música. Agora estou vendo o novo DVD ao vivo da Vanessa da Mata. Mas eu gosto de tudo, olha aqui [e se levanta para mostrar uma pilha de DVDs e CDs na estante da sala]. Gosto de rock, Led Zeppelin, Pink Floyd. Dos pernambucanos, ouço Lenine, Chico Science & Nação Zumbi. Nas horas vagas, gosto de comprar coisas para a minha casa. Sabe o que eu adoro fazer? Comprar louça. O Arthur Virgílio me sacaneia dizendo que isso não é coisa de homem. Ah, também sou criador de cavalos e cachorros. Cachorros eu tenho 15 [e mostra a foto de um buldogue].

Quando falamos ao senador Aloizio Mercadante que estávamos fazendo uma matéria sobre o PSDB, ele disse que esse assunto estava "mais para

samba-canção do que para rock'n'roll". O Aloizio disse isso?

Mas ele não gosta nem de música! A única que ele deve conhecer é aquela que o [senador Eduardo] Suplicy canta nos comícios do PT! ["Blowing

in the Wind", do Bob Dylan].