Balanço Duradouro

O samba-rock nunca foi embora, mas agora voltou a ter mais visibilidade

Por Marcos Lauro Publicado em 11/01/2010, às 18h37

Tony Bizarro agora só trabalha com novatos
FOTO CAROL DORO

Não há dúvida de que o samba-rock está de volta a o imaginário popular. Isso é comprovado, em especial, com o "Burguesinha", de Seu Jorge, que ganhou as rádios do país com o remix do DJ DeepLick. Os Opalas, Sandália de Prata, Bola de Meia e Sambasonics, entre outros, f azem parte d a cena atual e lotam lugares dedicados a essa música, como o Teatro Mars, na região da Bela Vista, em São Paulo.

"Existe um elo afetivo entre os dançarinos e o estilo", justifica Marco Matolli, vocalista do Clube do Balanço, banda responsável p elo g atilho que rejuvenesceu a onda sambarock. Essa onda foi canalizada, em 2001, pela coletânea Swing e Samba Rock, que trouxe de volta gente como Luis Vagner e Bebeto. "Foi como uma introdução ao gênero", diz. O Clube do Balanço não descansa e acabou de lançar o d isco Pela Contramão. DJ H um é outro operário da causa. Famoso por seus trabalhos no hip-hop, ele decidiu voltar às raízes com o selo Humbatuque Discos. "Aprendi a tocar samba-rock quando tinha 13 anos", conta. Ele também é o produtor do álbum de estreia de Markko Mendes, ex-guitarrista do projeto Motirô (do hit "Senhorita"), SambaSoulPopGroove.

De forma mais ampla, o que está ocorrendo é uma redescoberta da black music nacional, incluindo o funk e o soul dos anos 70. O veterano Tony Bizarro, por exemplo, retomou com sucesso a carreira, sendo que "Estou Livre", do álbum de mesmo nome, serviu de trilha sonora para o comercial de uma operadora de celular.

Força do samba-rock mostra que a black music brasileira voltou ao gosto popular músico demonstra confiança na nova geração e até aposta nela durante os shows que faz pelo Brasil. "Viajo somente com meus backing vocals. Vou usar sempre músicos locais", conta. "Esse renascimento começou em São Paulo e já tomou conta do Sul e do Sudeste", diz o cantor, que vai reservar boa parte da sua agenda para as festas da "resistência" carioca. "A massificação do funk batidão decretou a extinção dos bailes de soul. Então, 'resistentes' são os que continuaram a promover esses bailes", explica Leandro Petersen, idealizador da festa Soul, Baby, Soul! Ele é filho do lendário radialista e agitador cultural Big Boy.

João Parahyba, percussionista do Trio Mocotó, credita a permanência do samba-rock na mídia aos DJs e produtores de música eletrônica, confirmando que os samplers e as mixagens de Marky, Patifee, Marcelinho da Lua muito ajudaram o movimento. Por outro lado, ele gosta de reforçar que seu grupo foi "a mãe do samba-rock". "Se Jorge Ben é o pai, somos as mães. Fomos os primeiros a conseguir acompanhar aquela batida diferente de violão dele", conta Parahyba, lembrando do tempo em que tocava na boate Jogral com a primeira formação do Trio Mocotó, composta por Nereu Gargalo e Luiz Carlos Fritz.