Ivete Sangalo

Com disco gravado em casa (mas nada caseiro), Ivete agora sonha com Nova York

Por Paulo Terron Publicado em 19/08/2009, às 13h01

Ivete quer gravar com Stevie Wonder nos Estados Unidos

Em pode entrar, recém lançados CD e DVD, Ivete Sangalo recebe convidados para uma gravação realizada em um estúdio montado no apartamento da cantora, em Salvador. Apesar de ser basicamente concentrado na música, o especial (exibido e concebido pelo canal pago Multishow) mostra um pouco da intimidade da baiana. Enquanto seguia para o aeroporto para mais uma viagem, Ivete conversou pelo telefone sobre assédio, supostas rixas, o sonho de gravar com Stevie Wonder e a polêmica da Lei Rouanet (o nome da artista voltou a ser citado nos debates sobre artistas bem sucedidos que teoricamente não precisariam do apoio dessa lei, mas que a usam mesmo assim).

Você sente que tem liberdade para fazer tudo o que você quiser sem ser perturbada?

Depende do que você diz com "ser perturbada". O assédio não me incomoda e acho que as pessoas entendem... É o seguinte: quando você vai para a rua querendo ser notado e ovacionado, você vai e tem que se preparar para isso. As pessoas me conhecem e não é nenhum incômodo o assédio pra cima de mim. Eu tenho noção dos limites do meu ir e vir em determinadas circunstâncias. E existem várias maneiras de chegar a esses lugares e ter privacidade, mesmo [que seja] uma privacidade vigiada. Não pode ter tudo também. Toda essa coisa é uma renúncia. Eu e umas amigas minhas estávamos conversando e elas disseram: "Coitada de Ivete, não pode nem ir ao supermercado". Eu disse: "É, coitada de mim, não posso nem ir ao supermercado, não posso ir à feira, só posso ir ao supermercado em Nova York..." Ah, coitada de mim? Coitada de quem tem que ir ao supermercado todo dia...

Imagens do DVD novo mostram que você, se quisesse, não precisaria sair de casa: você tem um estúdio lá, faz as unhas lá - as pessoas vão até você. Você não pensa que pode ficar muito isolada?

Não, isso é um ato que eu herdei da minha mãe: ela fazia a unha em casa... Mas eu não me influencio com isso, porque da mesma maneira que eu faço em casa, eu faço na rua a qualquer hora, entendeu? Não é um cacoete. Eu fiz um estúdio em casa porque eu não aguentava mais ficar com amigdalite no estúdio alheio - é tanto ácaro, tanta coisa que pensei: "Vou fazer um da minha maneira".

O estúdio gerou problemas com os vizinhos?

Não, obviamente que antes eu me certifiquei de que isso não tiraria a tranquilidade dos condôminos. E o s índico já tinha me m andado uma cartinha: "Ivete, minha querida, desculpe lhe incomodar, mas estou sabendo que você vai fazer um estúdio..." Eu respondi: "Olha, eu lhe prometo que nada sairá do controle do prédio". Fiz o estúdio. Em setembro estava pronto, em outubro eu já estava fazendo a gravação do D VD. Aí desci pra malhar na academia do prédio e me encontrei com ele. E ele: "Ivete, vai começar esse estúdio em que dia?" Eu falei, calma, ainda v ai demorar. Convidei-o pra ir lá em casa e ele ficou maravilhado. Então, não tirou o sossego de nenhum de nós.

A ideia anterior era gravar esse especial n o Madison Square Garden, em Nova York? Ou era outro projeto?

A gente vai fazer o DVD lá, no ano que vem. Ia ser este ano, e quando começamos a preparar veio o lance da crise. Então a g ente abortou, a princípio por cautela. Por mais que a gente tivesse estrutura financeira e profissional, os meus fãs que queriam ir pra Nova York iam ficar de c alças curtas. Mas vai acontecer.

Você já falou que gostaria que o Bono, do U2, participasse. Teve alguma evolução nesse contato?

Se eu lhe disser que a gente ia convidar o Michael Jackson... Existia uma possibilidade. Mas, enfim, o meu desejo maior é o Stevie Wonder e estou batalhando pra ver se vai colar.

Você se vê trabalhando de Recentemente a polêmica da Lei Rouanet voltou a envolver o s eu nome. Qual a sua opinião sobre o assunto?

Eu não pago imposto? Então, negão, lei é para todo mundo. Se eu matar alguém na rua, eu vou ser presa, não vou? Lei é lei, não importa se eu preciso ou não. Só que tem o seguinte: quem precisa [da lei ] tem de ter. Se os que precisam não têm, é outra questão. Só porque sou uma cantora bem-sucedida não posso ter o auxílio da lei? Isso é muita segmentação, é preterir um artista. E se eu trabalhar mais do que outros? Como é que vamos dimensionar isso? Não se dimensiona - qual é mais dedicado, qual não é, qual dá mais sangue, qual não dá.