O Peso Perdido

Novo trabalho do Arctic Monkeys tem produção roqueira, mas foge do peso

Por Paulo Terron Publicado em 06/08/2009, às 17h35

Britânicos optaram pelas viagens instrumentais

O dia-a-dia da turnê de 2007 pesou na vida do Arctic Monkeys. Quando as viagens terminaram, no fim daquele ano, os músicos tinham uma ideia fixa para o próximo disco. " Queríamos gravar u m álbum bem pesado", explica o baterista Matt Helders, porta-voz do grupo. "Mas, quando tivemos férias, pensamos melhor no assunto e vimos que provavelmente seria fácil demais fazer isso, um disco tão unidimensional. Preferimos fazer algo com u m resultado mais interessante."

A salvação foi trabalhar dobrado: o quarteto gravou meia dúzia de canções com produção de Josh Homme, líder do Queens of the Stone Age, e depois p assou u ma temporada em Nova York registrando mais ou menos a mesma quantidade de faixas com o produtor James Ford (o mesmo de Favourite Worst Nightmare, "Acho que o produto final ficou com a cara que tem porque gravamos um monte de músicas e só depois fomos vendo quais se relacionavam melhor, aí selecionamos dez." Foram sete das sessões de Homme, com três de Ford completando.

O disco recebeu o nome de Humbug e vai assustar os fãs mais tradicionalistas - em menos de 40 minutos ele viaja na intensidade do Queens of the Stone Age (mas não pelo peso). "O importante para Josh e nós era que não fizéssemos o óbvio, ou seja, um disco pesado. Ele não queria ser 'o cara que deixou o Arctic Monkeys pesado'", explica Helders. "Acho que fizemos de um modo que vai durar mais, sabe? Vai ficar na memória das pessoas." Uma referência clara nas músicas novas é o requinte retrô do Last Shadow Puppets (o projeto paralelo do vocalista Alex Turner). "Só que musicalmente não acho que sejamos muito parecidos - no nosso trabalho não temos aqueles arranjos de cordas e coisas desse tipo."

Em "My Propeller", música que abre o álbum, é até difícil reconhecer a voz de Turner sem a entonação desleixada que ele costumava us ar e m sucessos como "I Bet You Look Good on the Dance Floor" ou "Teddy Picker". "Foi um desenvolvimento natural", conta o baterista. "O trabalho paralelo deu mais experiência a ele , acho que agora ele é mais cantor do que era antes." Prontos para voltar à estrada (o Brasil pode entrar na rota, mas só em 2010), os britânicos já pensam em como adaptar essa nova fase aos shows - e já ganharam um integrante a mais para a banda. "Algumas das canções são mais difíceis de tocar ao vivo, então colocamos u ma pessoa para tocar teclado, outras partes de guitarra, e coisas assim."