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World Music ao Pé da Letra

Reunião virtual de músicos de rua se espalha pela internet e vira encontro real

Por Rodrigo Ortega Publicado em 30/09/2009, às 10h18

Músicos que não se conheciamsubiram ao palco na Inglaterra
DIVULGAÇÃO

Um cantor de rua de Nova Orleans divide o palco com cantores de Israel e do Congo, um guitarrista do Zimbábue e um coro de crianças irlandesas, entre outros músicos de várias nacionalidades. O encontro, que leva ao pé da letra a expressão world music, ocorreu na última edição do Glastonbury, na Inglaterra. O show foi um desdobramento do projeto Playing for Change, que começou com a ideia de registrar músicos de rua em países diferentes tocando as mesmas canções. O criador Mark Johnson conta que teve a inspiração há dez anos, quando era engenheiro de som do estúdio Hit Factory, em Nova York. Um dia, no caminho do metrô, ele viu dois monges tocando. "Não sei em que língua eles cantavam, mas era tão bonito que as pessoas paravam, sorriam e ficavam boquiabertas." Ele pegou o metrô e percebeu que "a arte que valia a pena estava do lado de fora, não dentro do estúdio". "A música está em todo lugar, e podemos usá-la para inspirar e unir pessoas que normalmente não estariam juntas", explica. Em 2004 ele começou a empreitada e gravou músicos em diversos países tocando o clássico "Stand by Me", famoso na gravação de Ben E. King (também gravada por John Lennon). O vídeo virou hit no YouTube, com mais de 12 milhões de acessos. Com o sucesso da web, Johnson ganhou apoio para mais gravações, que culminaram neste ano com o CD e DVD Playing for Change: Songs Around the World, lançado no Brasil. São dez faixas tocadas por 48 músicos de 20 países. Um deles é Mermens Kenkosenki, cantor que se mudou do Congo para a África do Sul há dez anos. Tocando numa noite em um bar, ele conheceu Johnson. "Quando ele me falou sobre o projeto, foi como se estivesse lendo a minha mente, descrevendo tudo o que sempre sonhei, viajar e espalhar a música pelo mundo."

A cantora Tal Ben Ari, assim como muitos jovens israelenses, resolveu viajar pelo mundo depois de terminar o serviço militar, e acabou indo tocar nas ruas de Barcelona. "Fizemos alguns shows menores nos EUA, mas Glastonbury é uma oportunidade incrível de ter mais público e ainda conhecer fisicamente outros artistas do projeto", diz a cantora. A turnê continua e Mark Johnson sonha em incluir o Brasil no roteiro. "A ideia das gravações foi bastante influenciada pela música brasileira, da forma como cada músico toca uma parte simples, resultando numa estrutura complexa e bonita." Ele tem outro desejo relacionado ao país: "Adoraria que o Hermeto Pascoal participasse do projeto".