Pulse

Ciscando até o Sucesso

Banda com membros do Van Halen e do Chili Peppers é o sucesso improvável do ano

Por Brian Hiatt Publicado em 09/10/2009, às 09h41

(Da esq. para a dir.) Chad Smith, Michael Anthony, Joe Satriani e Sammy Hagar
LEANN MUELLER

Enquanto o segurança abre a porta lateral do Irving Plaza, em Nova York, que revela uma horda suada de caçadores de autógrafos profissionais, Chad Smith, baterista do Red Hot Chili Peppers, vê uma chance de zoar com o vocalista de sua banda. "Olha, é o Sammy Hagar - peguem ele!", grita Smith, cuja semelhança com o comediante Will Ferrell parece se estender a seu temperamento. O baterista e dois de seus colegas de banda correm tranquilamente até uma van que os espera enquanto a multidão aborda o confuso vocalista - que realmente é Sammy Hagar, com cabelo cacheado loiro e grosso.

É a segunda semana da primeira turnê do Chickenfoot, a história menos provável de sucesso no rock do ano. Seu primeiro álbum, Chickenfoot, estreou na quarta posição das paradas norte-americanas em junho. O resultado não é nada mau para uma semissuperbanda que é metade Van Hagar, metade seja lá o que for: no baixo está Michael Anthony, fundador do Van Halen - que foi substituído pelo filho adolescente de Eddie Van Halen - e na guitarra está o careca de dedos rápidos Joe Satriani, famoso por Surfing with the Alien e por processar o Coldplay.

A banda foi formada durante jams regadas a tequila no clube de Hagar em Cabo San Lucas, México, onde Smith (que tem uma casa ali) tocava periodicamente músicas do Led Zeppelin e Montrose com Hagar e Anthony. Por nenhum motivo especial além de acharem o nome divertido, eles começaram a se chamar de Chickenfoot (pé de galinha). Eventualmente, Hagar lançou a ideia de trazer Satriani, que mora perto do cantor na Bay Area - e as coisas ficaram (relativamente) sérias. O álbum de estreia, gravado no estúdio Skywalker Sound, de George Lucas, perto de San Francisco, revela o Chickenfoot como uma banda tipo Estrela da Morte blueseira, com um poder de fogo instrumental letal que os fãs do hard rock da velha guarda não têm visto muito em outros lugares - além do inconfundível som "Why Can't This Be Love" das harmonias vocais de Hagar e Anthony. Houve uma influência contemporânea no álbum: Attack & Release, do Black Keys, que Hagar tocou para Satriani para levá-lo em direção a riffs de rock crus.

No Chickenfoot, Smith abandona a restrição de tocar centrado nos grooves do Peppers, soltando-se com levadas constantes e selvagens. E Anthony surge com linhas brilhantes no estilo de John Entwistle. Em contraste Satriani - que passou a carreira como instrumentista solo - tem que escolher seus pontos, o que apenas torna suas explosões tipo Hendrix ainda mais impressionantes. Satriani parece ser uma alma gentil - ele é a cavilha musical da banda e uma espécie de nerd do grupo: ele abre um case para viagem e mostra o grosso romance de ficção científica. "Somos um pouco bagunceiros para Joe", diz Hagar. "Este",fala, "é o grupo mais estranho de pessoas já formado".