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Lutando até Depois do Fim

Envolvimento da família de Michael Jackson com as finanças dele fica cada vez mais complicada

Por Claire Hoffman Publicado em 09/10/2009, às 09h38

Familiares e empregados de Jackson agora brigam na justiça

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Mais de um mês após a morte de Michael Jackson, descobriu-se que seu médico, Conrad Murray, é alvo de uma investigação por homicídio culposo - e que a provável causa da morte do astro foi o anestésico cirúrgico Propofol. Murray admitiu ter dado a potente droga intravenosa a Michael Jackson na manhã de 25 de junho; mais tarde, naquele dia, Jackson morreu. A polícia descobriu um quarto bagunçado na casa do cantor, em Bel-Air, na Califórnia, com equipamento doméstico de medicação intravenosa e tanques de oxigênio. Outro quarto estava cheio de anotações feitas à mão (inclusive a frase "as crianças são meigas e inocentes"). Também foram encontradas grandes quantidades de Propofol, assim como um enorme estoque de anestésicos, narcóticos e sedativos. "O Michael e eu costumávamos falar de negócios sempre no quarto dele", diz Frank DiLeo, empresário de Jackson por longa data. "Eu chegava à casa e ele dizia: 'Frank, sobe aqui'. Mas ultimamente era o contrário. Ele dizia: 'Frank, me espera aí'."

No final de julho, a polícia em Los Angeles, Houston e Las Vegas fez buscas nas casas e nos consultórios de Murray, confi scando fichas médicas, discos rígidos e o iPhone do médico. Seu advogado, Edward Chernoff, disse que o médico "não prescreveu ou administrou qualquer substância que possa ter matado Michael Jackson". Jackson lutava contra a insônia, e por pelo menos dois anos teve um médico para administrar o remédio (quando queria dormir) e cortar a vazão intravenosa (quando queria acordar). "Fico chocado que um médico tenha feito isso", diz o dr. Kenneth Rothfield, chefe do departamento de anestesiologia do Hospital St. Agnes, em Baltimore. "Não consigo imaginar o uso dessa substância como auxiliar para o sono. O maior risco disso é uma parada respiratória."

Enquanto isso, a Rolling Stone descobriu que o pai do cantor, Joe Jackson, vinha tentando, nos meses que antecederam a morte de Michael, tomar as rédeas da carreira e das finanças do filho - e continua a se esforçar para alterar o testamento de Michael. No começo deste ano, frente a um débito de centenas de milhares de dólares, Michael contratou uma nova equipe para empresariá-lo, inclusive DiLeo, que o representou durante seus gloriosos anos 80, e John Branca, seu advogado de longa data. A equipe fechou um negócio que traria Michael de volta ao azul - uma série de 50 shows na O2 Arena, em Londres, com produção da gigante AEG Live. Michael, que havia passado a maior parte da vida adulta tentando escapar do controle do pai, seguia tendo dificuldades em dizer não a ele. Nos últimos meses, o cantor cortou rispidamente as diárias ligações-sermão de Joe enquanto tentava se preparar para a temporada em Londres. "O Michael amava a família, mas não a queria em sua vida profissional", diz Randy Phillips, presidente da AEG Live. "Ele me disse: 'Eles vão vir atrás de você. Sempre que faço algo, eles surgem'". Joe Jackson não respondeu aos pedidos de entrevista.

No começo de março, Joe foi à casa alugada de Michael com o promotor de shows Leonard Rowe, que trabalhou brevemente com os Jacksons em 1979. Rowe tem um passado obscuro, que inclui detenções por cheques sem fundos e prisão por fraude. Mas Joe - que insistiu repetidas vezes ao fi lho que a AEG o estava trapaceando - estava determinado a colocar Rowe como empresário de Michael. De acordo com DiLeo, Joe preparou papéis declarando que Rowe cuidaria dos assuntos profissionais de Michael, e forçou Michael a assiná-los. "Eu só assinei porque meu pai me pressionou", Michael disse a DiLeo. Em meados de maio, Michael ligou para Phillips e disse: "Minha mãe marcou um encontro, meu pai está me deixando louco." A reunião ocorreu em um bangalô no Hotel Beverly Hills. Joe e Katherine, a mãe de Michael, trouxeram Rowe. Tenso por ter de estar sozinho com o pai, Michael esperou no carro até Phillips chegar. O cantor se sentou constrangido no sofá ao lado da mãe, enquanto Joe argumentou que a AEG estava dirigindo mal os shows. "Quando Joe viu que as coisas não estavam sendo feitas do jeito dele, veio para cima de mim", diz Phillips. "Ele disse: 'Se não fosse por mim, não haveria Michael Jackson'." O tiro de Joe saiu pela culatra. Na mesma semana, Michael fez uma carta para Rowe: "Você não me representa", escreveu, "e eu não desejo ter qualquer comunicação com você, oral ou escrita, acerca de como lidar com minhas questões profissionais e/ou pessoais."

O testamento de Jackson coloca Branca e John McClain, seu assessor de longa data, como executores do patrimônio. De acordo com fontes próximas, os bens de Jackson valem US$ 100 milhões, e os negócios fechados nas últimas semanas acrescentarão aproximadamente outros US$ 100 milhões a eles. As transações incluem um acordo de US$ 60 milhões com a Sony pela filmagem dos ensaios de Jackson para os shows em Londres; uma nova edição da autobiografia de Jackson, Moonwalk; um acordo para lançar uma nova versão de seu filme, Ghosts, de 1997, na TV; e um acordo de produção e distribuição de mais de 300 itens de merchandise.

Katherine Jackson ficou com 40% do patrimônio e a guarda dos três filhos de Jackson (outros 40% pertencem às crianças, e os 20% restantes serão doados instituições que cuidem de crianças). Mas os advogados de Katherine estão articulando um esforço agressivo para nomeá-la coexecutora - uma jogada que muitos acreditam ser ideia de Joe. "Eles estão tentando reescrever o testamento, tentando assumir o controle", diz DiLeo. O patrimônio de Jackson inclui uma vasta coleção de músicas. Os bens mais valiosos são participações em duas gravadoras: Sony/ATV (que inclui 251 canções dos Beatles e músicas de Bob Dylan e dos Jonas Brothers) e Mijac (que controla os hits do próprio Jackson). Desde sua morte, Jackson vendeu 3,5 milhões de álbuns, de acordo com a Nielsen SoundScan, melhorando substancialmente a situação financeira de seu patrimônio. Há também pelo menos 100 músicas - inclusive muitas gravadas em seu auge, na década de 80 - que nunca foram lançadas. DiLeo conta que antes do lançamento de Bad, em 1987, ele e Michael viajaram para Ojai, na Califórnia, e reservaram um bangalô de dois quartos, onde passaram três dias tentando enxugar a lista de músicas de 60 para 20. Acabaram levando 30 para Quincy Jones. Ao longo dos anos, diz DiLeo, ele falou com Michael a respeito de uma canção em especial: "Eu dizia pra ele que era uma música para um cara mais velho, que ele deveria dá-la ao Neil Diamond. Ele falava: 'Não vou doar hits. Não vou entregar ouro de mão beijada'." Também há faixas em que Jackson trabalhou com Will.I.am, Ne-Yo e Akon. Muitas estavam na casa de Jackson em discos rígidos de computadores quando ele morreu. Os discos rígidos, diz DiLeo, foram pilhados por LaToya Jackson quando ela e outros membros da família chegaram e limparam a casa, horas depois da morte do cantor. "Eles encheram caminhões, levando tudo", DiLeo diz. "Eles levaram até a mobília alugada. São essas as pessoas que vão cuidar do patrimônio dele?"