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MONDOMASSARI

Por Fábio Massari Publicado em 08/09/2009, às 19h04

Meat Puppets - Sewn Together

Meat Puppets - Sewn Together (Independente)

Neste ano daria até para considerar uma categoria específica para os dinossauros de um certo "american underground", mas talvez o mais divertido seja vê-los disputando o listão principal dos melhores lançamentos da safra 09. Por falta de espaço, é bem provável que algumas dessas bolachinhas "clássicas" sejam sacrificadas no balanço final. Sai fora o The Eternal (Sonic Youth), dança o Farm (Dinosaur Jr.). Varshons (Lemonheads) e Popular Songs (Yo La Tengo): no pasaran! Não temos vagas para Life and Times (Bob Mould) e por aí vai Ou não. "What's your pleasure, sir?" Com Sewn Together, aproximadamente seu 12º álbum (sem contar registros ao vivo, formatos intermediários etc.), os irmãos Kirkwood do Arizona (aqueles do acústico do Nirvana), os míticos Meat Puppets, parecem querer garantir a vaga em qualquer lista e de qualquer jeito. Ou melhor, daquele jeitão especial deles: frenético country rock psicodélico com estranhas, surrealistas emoções à flor da pele. Ícones da cena "alternativa" americana (das primeiras falanges da seminal etiqueta SST), sacaram o sucesso e mergulharam no mais terrível dos infernos - a história tem drogas, tiros, cadeia e morte. Do reencontro dos irmãos em 2007 resulta o melancólico, quase narcótico e promissor Rise to Your Knees. Este novo, >Sewn Together, independente, marca a volta dos Meat Puppets à grande forma. Suas músicas poderiam estar espalhadas pelo melhor da consistente discografia da banda (fora o início mais casca-grossa). Ecos de discos prediletos como Huevos e Mirage, e da subestimada fase "major", de Too High to Die e principalmente do ácido No Joke. Sem surpresas aqui, só um reforço: Curt Kirkwood é o cara. O disco é um passeio do carismático líder do trio. Assina a caprichada arte da capa (escola "muito ácido no deserto" e Grateful Dead e punk rock na cabeça) e a meticulosa produção. Não bastasse encontrar sua melhor sintonia como vocalista, transformando fragilidade em drama, Curt prova, evidentemente sem a mínima intenção, porque é disparado um dos maiores guitarristas da sua geração. Destaque para "Blanket of Weeds", "Sapphire", "Rotten Shame" e "Nursery Rhyme", reluzentes gemas de rock existencial viajante com belos vocais e guitarras plugadas no monstruoso cacto secreto que esconde a inscrição "cosmic jimi link".