A Segunda Intenção

Mallu Magalhães grava um segundo disco mais brasileiro, mas ainda com toques folk

Por Pablo Miyazawa Publicado em 09/11/2009, às 15h12

DIVIDIDA - Mallu grava as canções que transitam entre inglês e português
JORGE LEPESTEUR

Álbum Ainda sem título

Previsto para Novembro

Mallu Magalhães já está visivelmente diferente da adolescente que estreou em disco há pouco mais de um ano, com produção de Mario Caldato. Com recém-completos 17 anos, a cantora já prepara um novo trabalho, desta vez ao lado de Kassin - uma escolha feita por ela mesma. "Os discos que ele produz sempre têm os 'traços Kassin'", Mallu justifica, "desde o jeito que posiciona os microfones até o modo com que ele aceita os erros como características. E isso vai estar muito evidente no disco". O produtor carioca colaborou não apenas com sua expertise, mas também emprestando sua vasta coleção pessoal de baixos e guitarras que levou ao estúdio - com direito a itens raros, como um violão Gibson fabricado na década de 30.

No quinto dia seguido de gravações no estúdio COMEP, em São Paulo, o clima é de descontração. Isolada em uma cabine fechada, Mallu canta a voz-guia para "Be on the Grass", folk com indisfarçável tempero Beatle, enquanto pinta as unhas despreocupadamente. Após repetidas tentativas, ela solicita uma pausa: "Essa música força muito minha voz. E nem sei ainda se essa vai entrar no disco". O álbum é planejado com uma divisão mais ou menos organizada entre faixas em inglês e português: "Cigarro" e "Nem Fé Nem Santo", ambas com pesada carga emotiva e evidente infl uência de MPB, são algumas das garantidas. "Quando comecei a compor em português, descobri um 'outro lado' meu que une o estilo do primeiro disco com este novo. É como se fosse a essência que entrelaça tudo", teoriza Mallu, que sozinha assina a composição das prováveis 12 faixas do projeto ainda sem nome. As canções só ganharam arranjos finais após repetidas sessões de ensaios com o quinteto de músicos que acompanha a garota desde os primeiros shows. "Eles funcionam como tradutores, além de executores", ela define, "e entendem o que quero dizer. Sem eles, boa parte dessas ideias nem existiriam".

"Escuta isso aqui", Mallu pede minha atenção antes de retornar à cabine de gravação. Do clarinete posicionado em suas mãos, saem as cristalinas notas iniciais de "Moon River", standard eternizado pelo filme Bonequinha de Luxo, de 1961. Olhando de longe, Kassin parece chocado: "Ela ganhou esse clarinete no sábado!", exclama. "E já está tocando! Não dá para acreditar!"