MONDOMASSARI

Por Fábio Massari Publicado em 13/10/2009, às 16h06

Stephen McBean é o piloto do projeto Pink Mountaintops
DIVULGAÇÃO

Pink Mountaintops - Outside Love (Jagjaguwar)

Pelo menos por um tempinho, o futuro é rosa para o craque Stephen McBean. Outside Love, terceiro longa do Pink Mountaintops, deve garantir uma espécie de emancipação dessa que era, até então, a outra banda, o projeto paralelo do líder (compositor, vocalista e guitarrista) do Black Mountain. Sai a rifferama pesada, entram as deliciosas e envolventes protobaladas de psicodelia on the rocks. Menos Sabbath, mais Mercury Rev/Dandy Warhols. Ou algo parecido. Acompanhado de comparsas legais (gente do Destroyer e do Godspeed You! Black Emperor), McBean destila toda sua habilidade, e sensibilidade, de compositor numa bolachinha ensolarada. Destaque para a faixa-título, com a incrível Jesse Sykes no vocal, e "The Gayest of Sunbeams", uma das pequenas gemas da safra 09.

Les Claypool - Of Fungi and Foe (Prawn Song)

Mais um capítulo na mirabolante saga solo do genial Les Claypool, mais um que leva só a assinatura do eterno baixista/vocalista da instituição prog/punkadelica Primus. Of Fungi and Foe teve como base trilhas compostas sob encomenda para um game ("Mushroom Men") e um filme ("Pig Hunt"). Trata-se do registro mais "minimalista" do explosivo instrumentista e, não deveria soar estranho, é certamente seu mais esquisito. Obra inclassificável que se ouve como se fosse uma transmissão clandestina perdida, de outros tempos, de qualquer ou nenhum lugar. Parece que o convívio com Tom Waits só fez incrementar a doideira, o surrealismo das narrativas. Se não me engano, tem lugar até para um (eco de) riff subliminar de Rage Against the Machine ali no meio. Posso estar enganado.

Japanther - Tut Tut Now Shake Ya Butt (Wantage)

Peça discográfica diferenciada na já consistente galeria dos nova-iorquinos Japanther, Tut Tut Now Shake Ya Butt registra o encontro inusitado da dupla de arteiros do punk lo-fi/experimentador com figura mítica do punk mui politizado britânico: do legendário Crass comparece, como anárquico trovador convidado e manipulador de sons, o irascível Penny Rimbaud. Combinação bizarra, estranha festa de punk paraeletrônico desmontado, reprocessado e regurgitado no estilo DIY dos tempos cínicos em que vivemos. Só o redivivo Subway Sect fez algo parecido recentemente. Tosqueira caprichada e deliciosamente cerebral.