O Grunge Volta a Viver

Após 14 anos, Alice in Chains lança um disco de inéditas e escala um novo vocalista

Por Cirilo Dias Pereira Publicado em 09/11/2009, às 15h11

NOVA ENCARNAÇÃO - Alice in Chains em 2009, com William DuVall (à direita)
JAMES MINCHIN

"Não estamos tentando agradar a todo mundo, não somos o American Idol." É assim que William DuVall responde àqueles que ainda desconfiam do renascimento do Alice in Chains. A história do novo vocalista com o grupo de Seattle começou logo depois da morte de Layne Staley, em 2002. Em junho do mesmo ano, o guitarrista Jerry Cantrell estava prestes a sair na turnê de seu segundo disco solo, Degradation Trip, e chamou o grupo de DuVall, Comes with the Fall, para abrir os shows da turnê e servir como banda de apoio de Cantrell.

No começo de 2005, Sean Kinney, Mike Inez e Cantrell voltaram aos palcos para um show em benefício às vítimas do tsunami asiático. No ano seguinte, mais um show. Dessa vez em homenagem às irmãs Ann e Nancy Wilson, do grupo Heart, promovido pelo canal de televisão VH1, com DuVall. "A partir daí o processo foi natural. Aquele programa se transformou em um show que evoluiu para uma turnê. Quando terminou, o plano era tirar todo o ano de 2007 de folga. O que aconteceu é que o Velvet Revolver nos chamou para uma série de shows e passamos mais um ano na estrada. Começamos a estar juntos o tempo todo e novas ideias apareceram. Só quando a turnê acabou é que pensamos em colocar tudo em um álbum", explica DuVall. O material inédito ainda correu o risco de ficar engavetado. Se não fosse pela insistência de Dave Grohl, que, além de emprestar seu estúdio, ainda indicou Nick Rakulinecz, produtor dos discos One by One e In Your Honor, do Foo Fighters.

Quando a notícia de que o Alice in Chains lançaria um disco de músicas inéditas após 14 anos, os fãs torceram o nariz. Mas a desconfiança foi passando assim que o grupo começou a postar no YouTube uma série de vídeos do processo de gravação e o videoclipe de "A Looking in View", primeiro single do novo disco, Black Gives Way to Blue . O que mais chama a atenção no trabalho é a sintonia entre Jerry Cantrell e William DuVall, que pode fazer um fã distraído jurar que ouviu Layne Staley cantar em algum momento. Consciente disso, o próprio DuVall tenta afastar qualquer comparação que remeta aos tempos do antigo vocalista. "Nós temos o mesmo alcance de voz. É como trocar de corpo e manter o espírito. Espero que uma das coisas que as pessoas percebam quando ouvirem o novo álbum é que elas consigam ver uma certa honestidade. Tenho experiências diferentes das de Layne Staley, mas talvez o sentimento por trás dessas experiências seja o mesmo. Ele é um dos meus cantores favoritos. Não quero tentar ser outra pessoa."