Novas Estrelas Globais

Já consagrado na Europa, Muse rompe a barreira do mercado norte-americano

Por David Fricke Publicado em 10/12/2009, às 16h07

"RESISTÊNCIA" SUBTERRÂNEA - Wolstenholme, Bellamy e Howard (da esq. para a dir.) gravaram o novo álbum em um estúdio construído sob uma montanha italiana
DIVULGAÇÃO

Matt Bellamy vê as coisas pela seguinte ótica: "É o tipo de experiência que te põe os pés no chão", diz o guitarrista, vocalista e pianista, alguns dias antes de sua banda, o trio britânico Muse, começar uma sequência de três semanas abrindo os shows do U2 na terra de Barack Obama. "Serve para lembrar que estamos indo bem, mas não tanto quanto eles", completa, rindo ao telefone, direto de sua casa perto do Lago Como, no norte da Itália.

Na verdade, Bellamy, 31, está ligando do meio de um verdadeiro furacão. Uma semana antes, no dia 13 de setembro, Bellamy, o baterista Dominic Howard e o baixista Chris Wolstenholme fizeram suas estreias na Broadway e na televisão norte-americana, na mesma noite. A performance de "Uprising", single do novo álbum do grupo, The Resistance - tirada de um show que a banda fez para um Walter Kerr Theatre lotado em Nova York - foi transmitida durante o Video Music Awards, da MTV.

Dois dias mais tarde, The Resistance, quinto álbum de estúdio do Muse, chegou às lojas do país. Então, no dia 23 de setembro, no Giants Stadium, a banda tocou pela primeira vez sob a enorme garra do novo palco do U2, adequadamente entrando no palco ao som de "America", do musical Amor, Sublime Amor. Naquele momento, The Resistance - um vendaval de guitarras distorcidas, espasmos de música clássica e brados apocalípticos, disparados por Bellamy em forma de falsete - estava em primeiro lugar em 16 países, incluindo o Reino Unido, e em terceiro nos Estados Unidos. Esse disco é, com toda a certeza, o único álbum nas paradas de sucesso no mundo todo, que conta com uma música - "United States of Eurasia (+ Collateral Damage)" - que tem uma homenagem vocal ao Queen, um trecho de um dos norturnos de Chopin e versos inspirados por The Grand Chessboard: American Primacy and Its Geostrategic Imperatives, livro escrito pelo conselheiro de segurança nacional do governo Carter, Zbigniew Brzezinski, e publicado em 1998.

O sucesso do Muse nos Estados Unidos já estava para ocorrer havia algum tempo. Bellamy, Howard, também 31, e Wolstenholme, 30 - colegas de escola em Teignmouth, pequena cidade da costa sudoeste da Inglaterra, começaram a tocar juntos em 1994 - já venderam 8 milhões de álbuns no mundo todo e lotaram o Estádio de Wembley, em Londres, sozinhos em 2007. "Mas sempre ficamos um pouco para trás nos Estados Unidos", admite Wolstenholme. Howard é mais direto: "Os primeiros dois álbuns nem contam por lá". O primeiro contrato com uma gravadora norte-americana, a Maverick, de Madonna, foi encerrado depois do lançamento do primeiro álbum da banda, Showbiz, em 1999, em parte porque a companhia ordenou que Bellamy maneirasse no falsete. O Muse finalmente começou a excursionar pelo país em 2004; três anos mais tarde, fizeram um show com ingressos esgotados no Madison Square Garden, em Nova York. "Tem sido um crescimento gradual e um certo prazer vem junto com tudo isso", diz Bellamy, empolgado. "Não chegamos onde estamos com músicas ou um álbum de sucesso absurdo, embora todos tenham ido bem. Não devemos nada a ninguém. O que temos veio em razão de termos feito bons shows e por termos uma boa conexão com os fãs."

E a gama de fãs do Muse varia de maneira bizarra: vai da autora da série Crepúsculo, Stephenie Meyer, que citou a banda como uma das inspirações para seu quarteto de romances vampíricos (o grupo tem músicas nas duas adaptações cinematográficas lançadas), até o conservador demagogo Glenn Beck, que tocou "Uprising" em seu programa de rádio. "Não sei muita coisa sobre ele", confessa Bellamy, "além de algumas visões questionáveis sobre certas questões sociais." Bellamy desconfia de qualquer tipo de político: "Não acredito que deixamos uma pequena rede de pessoas, que sequer dão satisfações a seus eleitores, ditar as regras". Ele é, até certo ponto, um estudioso aplicado de teorias de conspiração. "Sou uma pessoa curiosa", diz ele. "Ele gosta de extremos", conta Howard a respeito das composições de Bellamy. O maior equívoco sobre o Muse, ele conta, é achar que "somos aqueles caras sérios que acham que o mundo vai acabar nos próximos dez minutos" Wolstenholme diz que eles riram muito enquanto trabalhavam em "United States of Eurasia", especialmente na parte dedicada ao Queen. "É tão ridículo...", confessa, sem medo.