6 PERGUNTAS

Líder do Killers fala sobre a atitude no palco e as pressões do mundo da música

Por Bruna Veloso Publicado em 11/01/2010, às 10h05

Brandon Flowers só tem um plano: aparecer na capa desta revista
SANDY HUFFAKER

Sede de Sucesso

Brandon Flowers é um homem ambicioso e nunca escondeu isso. Frontman do Killers, uma das bandas mais bem-sucedidas da última década, ele acredita no poder de seu grupo. Em entrevista logo após o show em São Paulo, um tranquilo Flowers não deixou de se autoenaltecer: "Apenas acredito que estamos entre os melhores".

Quem assiste a um show do Killers costuma se impressionar com a sua performance no palco. É algo calculado ou você simplesmente se deixa levar pela emoção?

É uma mistura dos dois. Quando eu tinha uns 10 anos, meu pai resolveu me ensinar a lutar [risos]. Ele não me bateu, nem nada, mas me explicou que você tem que pensar sobre cada soco que vai dar. E por mais que eu esteja envolvido pela música, eu penso sobre cada passo. Tudo, de alguma forma, é calculado. E acho que isso não tira a paixão do que faço. Muita gente diria que por ser calculado não é real. Mas, se não fosse real, acho que as pessoas perceberiam.

É muito difícil a convivência entre os integrantes da banda, ainda mais com as turnês longas e longe de casa?

Eu li uma entrevista do Julian Casablancas [vocalista do Strokes] na qual havia uma frase muito boa sobre esse assunto. Ele disse: "Montar uma banda é a pior coisa que você pode fazer por uma amizade [risos]". Ele resumiu muito bem a situação. Nós estamos tão perto um do outro que fazer coisas que amigos fazem tende a ser coisa demais. Então, não fazemos mais nada juntos. Mas ainda nos respeitamos.

Com tanto sucesso, você sente uma pressão do tipo: "Cara, preciso escrever outro hit"?

[Risos] Eu me sinto o mesmo de quando começamos. Eu sentia essa pressão antes mesmo de entrar na banda. Essa era a pressão, sobreviver e chegar lá. É muito emocionante quando você escreve uma música e acredita que ela pode se conectar com muitas pessoas. Na verdade, é mais a busca por essa carga [de emoção] do que tentar sobreviver [no mercado].

Há quem diga que você parecia confiante demais antes, e que agora está mais humilde. Você sente isso?

Sabe, você tem de ter uma casca para chegar lá, há muitos lobisomens neste negócio. Acho que eu posso ter expressado demais a minha confiança na banda, mas eu realmente sentia isso. Eu amo nosso primeiro álbum [Hot Fuss, de 2004], nos atirou para o topo. Eu poderia ter ficado calado, mas estava aprendendo. São coisas com as quais as bandas não tinham que lidar no passado. Acredito que você pode ser confiante e humilde ao mesmo tempo. Eu sou muito agradecido por tudo, só acredito que estamos entre os melhores.

Você faz planos para o Killers ou simplesmente deixa as coisas acontecerem?

Bom, a gente não pode prever o futuro. Nós fazemos o nosso melhor, temos nossas aspirações, nossos sonhos. Quero dizer, ainda não fomos capa da Rolling Stone!

Isso é um objetivo?

Sempre foi. Quando eu era pequeno, minha mãe cantava "The Cover of the Rolling Stone" [Dr. Hook & The Medicine Show] lavando a louça. E isso ficou sempre ali, no meu subconsciente.