Examinando o Passado ao Vivo

Michael Stipe, do R.E.M., detalha os destaques do novo CD ao vivo do grupo

Por David Fricke Publicado em 11/01/2010, às 09h52

De sexualidade liberal a administração conservadora, tudo vira letra do R.E.M.

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"F oi assustador, mas saímos vivos", diz o vocalista Michael Stipe sobre os shows de 2007, em Dublin, cujo material foi transformado no mais novo CD ao vivo do R.E.M., Live at the Olympia. Para Stipe e seus companheiros de banda, as apresentações foram um teste público das canções que entrariam em Accelerate, álbum de 2008. Eles também aproveitaram para tocar músicas que não entravam no repertório da banda há duas décadas. "Queríamos complementar o que seria o estofo do show", diz Stipe, atualmente compondo para o próximo álbum do R.E.M., que teve as gravações iniciadas em novembro. O vocalista estava relaxado e falante durante os shows, avisando que "Pretty Persuasion" não é "exatamente uma história do tipo família". "Não sou esse artista sério, esotérico", diz Michael Stipe.

"Disturbance at the Heron House"

Document 1987

Rolavam boatos de que o vice de Reagan, o Bush pai, poderia se candidatar à presidência. Eu achava que os anos 80 eram tempos negros. Não tínhamos ideia do que estava por vir.

"Staring Down the Barrel of the Middle Distance"

Sobra de Accelerate 2008

É claramente política. É também sobre ter chegado ao fim dos meus 40. Estou olhando para o fundo do poço da meia-idade. Quem diabos sou eu? O que conquistei? Sou eu dizendo, "Isso é uma merda. Me sinto desapontado fazendo parte de minha própria geração".

"Carnival of Sorts"

Chronic Town 1982

Esta é a cena noturna de O Homem Elefante [ filme de David Lynch, lançado em 1980]. É o circo deixando a cidade, acompanhando o lago. Ouvi a música e me fez pensar em um trem. Fechei meus olhos e vi a paisagem. Meu trabalho é criar letras que pareçam ser as únicas adequadas para aquela música.

"Driver 8"

Fables of the Reconstruction 1985

É como respirar - não preciso pensar quando estou cantando esta música. Eu estava ouvindo as fi tas das gravações ao vivo e pensei em como a música era linda, com imagens tão incríveis. Escuto nossos álbuns antigos e penso, "Ok, é aqui que deu errado, de tal jeito podemos melhorar isso". E "Uau, isso é muito bom. Você não é a farsa que achava que é".

"Cuyahoga"

Lifes Rich Pageant 1986

É uma palavra dos indígenas que eu pronuncio errado na música. O rio Cuyahoga, em Ohio, pegou fogo em 1969 por causa da poluição despejada em suas águas. A música trata da devastação ambiental e de nossa história com os índios, que não é nada agradável.

"Pretty Persuasion"

Reckoning 1984

É sobre um casal liberal, heterossexual, que emprega garotas e rapazes mais jovens e depois os seduz. Eu não sucumbi. Mas estava ciente dos perigos e da eletricidade que eles geravam. A razão de eu ter dito que "não é uma história do tipo família" foi que três das minhas afilhadas, todas abaixo dos 14 anos, estavam na plateia. E não era algo apropriado para elas ouvirem do padrinho delas.

"Drive"

Automatic for the People 1992

Antes do punk, havia algumas músicas com as quais eu tinha afinidade. Uma era "Rock on", de David Essex. "Drive" é minha homenagem a isso. Foi a primeira música que escrevi em um computador. Minha escrita à mão muda radicalmente de um dia para outro. Sou capaz de escrever os melhores versos do mundo e jogar fora porque minha letra está uma merda. Ou a escrita está linda, mas os versos são um lixo e ainda assim vão parar na música.