No Palco com um Kiss

Guitarrista brasileiro faz turnê com Paul Stanley

Renato Viliegas Publicado em 13/08/2007, às 18h05 - Atualizado em 31/08/2007, às 19h30

Paul Stanley e Rafael Moreira, em ação em Los Angeles: rock a noite toda
Divulgação

Atlanta, outubro de 2006: após quase uma década, Paul Stanley, guitarrista e principal voz do Kiss, pisa em um palco sem seus eternos parceiros de banda, no início da turnê de seu novo disco solo, Live to Win. Aos 54 anos, ele canta e pula como um garoto. Ao seu lado, um guitarrista mais de 20 anos mais jovem realiza um sonho, entre um solo e outro de hits como "Detroit Rock City" e "Love Gun". Seu nome é Rafael Moreira, um paranaense de Cambará, que se mudou para os EUA em 1995 para estudar música.

"Foi um sonho realizado. Kiss foi uma das razões para eu começar a tocar guitarra", conta Moreira, que teve sua primeira grande chance quase que por acaso: "Um amigo ligou, avisando de um teste para a banda de uma cantora nova que tinha acabado de assinar com a Sony. Fui lá ver qual que era". Essa "cantora nova" era ninguém menos que Christina Aguilera. Rafael passou no teste, e logo fez a sua estréia, caindo direto na fogueira: "Meu primeiro show foi uma apresentação ao vivo no Saturday Night Live, uma das maiores audiências da TV americana. No dia seguinte, tocamos no Madison Square Garden!".

Depois de Aguilera, trabalhou durante quatro anos com Pink. As experiências foram mais que suficientes para qualificá-lo como líder da House Band, o grupo montado para acompanhar os concorrentes do programa Rockstar Supernova, e que serviu como cartão de visitas para o contrato com Paul Stanley. "Ele assistia o programa, e gostou tanto da banda que resolveu nos contratar para a turnê de lançamento de seu CD solo", conta Rafael.

Aliás, o programa continua rendendo histórias para a House Band, mas não de uma forma agradável. "Estamos processando o Supernova", conta Rafael. "Já tínhamos acertado que abriríamos os shows da turnê deles. Datas, salários, hotéis... mas sem razão alguma, eles cancelaram a nossa participação, e pra complicar, continuam anunciando na TV a nossa presença na turnê."

Enquanto espera pelos novos shows com Paul Stanley (a banda segue com ele para a Austrália e Japão), Rafael se dedica ao seu outro projeto, o power trio Magnético. "É uma volta às minhas raízes." Enquanto o primeiro CD não sai, Rafael aproveita para uma rápida passagem de férias pelo Brasil, mas não esconde a vontade de subir em um palco por aqui. "Não vejo a hora de tocar no meu país!", diz. Será que dá pra trazer o Paul junto?