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Em peregrinação pelos festivais independentes, o Porcas Borboletas investe na performance

Por José Júlio do Espirito Santo Publicado em 22/02/2010, às 09h35

O Porcas Borboletas mastiga as influências e faz algo diferente
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De cara, chega o aviso: "a banda Porcas Borboletas vem a público afirmar mais uma vez que não quer enganar ninguém". Publicado no perfil de uma das várias redes sociais de que o grupo mineiro participa, é usado para explicar, sem detalhes, suas influências.

Reunido em um boteco da Rua Augusta, em São Paulo, acompanhado de tantas cervejas e de Nelson Gonçalves, que sai da jukebox ao lado, o atual septeto Porcas Borboletas aguarda a hora do quarto e último show de sua mais recente excursão à capital paulista. E engana. Em 2009, o grupo foi responsável por uma das apresentações mais bacanas dos festivais independentes, gravou um álbum prazeroso de ser descoberto e a faixa "Menos", que já figura em diversas listas de melhores do ano. "Por causa da faculdade", fala o vocalista e violonista Enzo Banzo para explicar visual e atitude low-profile. "Cada um é de uma cidade do interior de Minas, mas a gente conheceu todo mundo morando em Uberlândia", Danislau Também, o outro vocalista, completa. A banda teve seus primórdios nas salas da Universidade Federal de Uberlândia, como o quarteto Pau de Bosta, em 1999 - um nome que a cidade, mesmo simpática ao som da banda, preferia evitar. "O legal de começar muito na brincadeira é que acabou conferindo mais liberdade para o processo", Enzo comenta. "Foi determinante para o caminho da banda depois." Desistiram da graça escatológica, mas mantiveram as iniciais. Porcas Borboletas surgiu como sexteto e em 2005 lançou Um Carinho com os Dentes, seu álbum de estreia. Em 2009, surgiu A Passeio, o segundo trabalho. "Acho que é bem diferente, mas a gente está dentro do processo", Danislau considera. "Do ponto de vista harmônico, de execução, dos arranjos, está um disco mais macio", Enzo complementa. E vem com diversas participações especiais. Marcelo Jeneci, acostumado a tocar com Deus e o mundo, coloca teclados na bela faixa-título. Paulo Barnabé, da Patife Band, toca em "O Rato", enquanto seu mano Arrigo Barnabé, junto com Junio Barreto e a atriz Leandra Leal entram no coro de "Super-Herói Playboy". Com ela, a ponte entre a banda e o filme Nome Próprio é feita novamente. "Na verdade, tudo começou com a amizade de Danislau com Clarah Averbuck que escreveu o livro no qual o filme é baseado", Enzo explica. No final, uma antiga canção da banda foi rebatizada de "Nome Próprio" e virou a faixa de encerramento do filme. A Passeio foi coproduzido com Alfredo Bello, produtor conterrâneo radicado em São Paulo, que também atende pela alcunha de DJ Tudo. "Ele tem bastante intimidade com a gente. Ao mesmo tempo, tem um olhar um pouco mais distanciado", diz Vi Vicious, o baterista, para explicar a colaboração na evolução musical da banda, que segue no rock influenciado pela MPB underground. "A gente parte do Tropicalismo, porque tem muita coisa provocativa ali", Danislau comenta sobre a lista de influências. "A gente é antropofágico."

Passa das 3 da manhã quando o show do Porcas Borboletas começa para os sobreviventes de uma noite de quarta-feira. Junto com Enzo, Danislau e Vi, Moita Matos na guitarra, Rafa Rays no baixo, Ricardim nas manipulações eletrônicas e Jack (o mais novo integrante) na percussão completam a banda. Já na primeira música, a banda mostra por que é conhecida como performática nos festivais. "A partir do momento em que você está cantando e sentindo, isso acaba repercutindo no gestual e tudo", Danislau comenta. "É mais uma entrega, mas as pessoas chamam isso de performance. Pode até ser."