Os melhores de 2009: discos

Artistas do Top 10 de nossa lista de melhores discos do ano falam sobre seus trabalhos

Redação Publicado em 11/01/2010, às 19h56

Atualizado em 11 de janeiro, às 19h50

1 - Céu - Vagarosa: "Esse álbum é mais ousado. Não tinha muitos planos de reconhecimento de larga escala. Foi [um trabalho] extremamente sincero. Fiz sem pensar no peso de ser o segundo álbum. Outra ousadia é a ausência de instrumentação. É aquela temática de 'Cangote': o ócio, o vagar, o vagaroso. Um pouco de leseira não é pecado. A Jamaica é uma influência que sempre tive. Quis trazer essa ideologia para a música, sua estrutura. Queria que soasse mais tocado de banda, não de produtora."

2 - Cidadão Instigado - Uhuuu!: "Esse é nosso terceiro album e fiquei muito feliz com o resultado. Deu muito trabalho pra ser finalizado, mas ficou do nosso gosto. Vejo o Uhuuu! como uma continuação do nosso trabalho, nem pior e nem melhor que os outros. São todos registros da nossa história."

3 - Erasmo Carlos - Rock 'n' Roll: "Olha, é um disco sincero. Eu vi o nascer do rock 'n' roll. Não sei por informação, como a geração de agora que recorre ao passado para ouvir o que foi o rock. Ouve friamente. Não viveu a magia do nascer da coisa, como eu. Toda a aura de grandiosidade, o ineditismo. O disco é muito sincero de minha parte. Gravei em nove meses. Um parto mesmo. Fiz umas 25 músicas - eu, meu violão e minha bateria eletrônica. Quando convidei o Liminha para produzir, ele fez uma coisa que desde o início eu não fazia: conservou o que eu fiz. Os músicos no estúdio, sabe, começam a mudar harmonias. Minha música é simples e direta, sem frescura. Pelos modismos, os músicos mudam a música toda. O Liminha disse: 'Vamos conservar tudo o que você fez'. Entendeu a raiz, o sentimento do trabalho."

5 - Móveis Coloniais de Acaju - C_mpl_te: "O C_mpl_te é, antes de tudo, um álbum que preza pelo coletivo. É o trabalho do grupo, das dez pessoas que fazem parte do Móveis. A ajuda do [Eduardo] Miranda foi muito bacana também, trazendo uma unidade ao álbum. Depois dessa gravação pudemos lançar esse disco inteiro de graça para as pessoas baixarem no projeto Álbum Virtual, da Trama. Foi um projeto muito bom e prazeroso de trabalhar." (Bejo Mejia, flautista da banda)

6 - Black Drawing Chalks - Life is a Big Holiday for Us: "Desde o início, esse segundo disco foi feito com a intenção de passar a experiência que ganhamos na estrada desde o Big Deal. Conhecemos outros lugares, tocamos com outras bandas, trocando ideias e ouvindo coisas novas, incluindo bandas gringas, e isso contribuiu pro resultado final do Life is a Big Holiday for Us. No fim das contas, o disco surgiu naturalmente, nada planejado ou com algum deadline marcando em cima. As músicas surgiram espontaneamente, sendo que algumas foram compostas antes mesmo de sair o primeiro disco; outras só ficaram prontas um dia antes da gravação. Ao todo, a produção durou cerca de um ano, sendo que a gravação foi feita em duas semanas. O material foi todo produzido no estúdio Rocklab, de Gustavo Vazquez, onde já havíamos gravado o Big Deal e onde também nos sentimos à vontade, totalmente entre amigos. Fabrício Nobre sempre nos acompanhou e, dessa vez, participou de perto da produção do CD. Nas 11 faixas, nós procuramos tirar e trabalhar com timbres mais crus e gravar ritmos mais dançantes e menos 'caretas' [risos]. Bom, estamos muito felizes com a repercussão. Não esperávamos nada além da repercussão do Big Deal e acabamos nos surpreendendo muito." (Victor Rocha, guitarrista e vocalista da banda)

7 - Mariana Aydar - Peixes Pássaros Pessoas: "Esse disco começou pelo assunto: eu queria falar sobre a relação do homem com o meio que o cerca, com ele mesmo, a mente doida, os valores invertidos, e quando tudo isso vai embora e fica o silêncio bom, a paz. Não queria falar do amor romântico e sim de um amor mais universal. No começo estava cheia de conceitos mas tudo mudou, porque o disco tem seu próprio rumo e cabe a você ouvir o caminho e ir por ali, e foi o que fiz. Foi um processo totalmente orgânico, sincero, vindo do coração e de um amadurecimento. As músicas foram sendo feitas especialmente para o disco por compositores amigos que eu admiro muito da minha geração, portanto tive a liberdade de estar bem perto de todas as composições. É um disco de muita parceria entre eu e Duani, que compôs sete das 13 faixas, tocou vários instrumentos e produziu ao lado do Kassin - que também foi incrível, conseguiu capturar e incentivar essa parceria e tirou o som grave que eu tanto queria e que ele conhece muito bem."

8 - Lucas Santtana - Sem Nostalgia: "O disco é uma brincadeira em cima do formato voz e violão. Usamos várias técnicas de gravação e equipamentos diferentes(além do violão e da voz) para que ao final o disco não soasse como um disco tradicional de voz e violão, e sim, as vezes eletrônico, parecendo uma banda, folk, etc. Os ambientes que usei no disco foram um diferencial importante para a sonoridade dele. Há muito tempo tinha essa "patologia" de querer fazer um disco de voz e violão que saisse do formato tradicional dos últimos 50 anos e fiquei muito satisfeito com o resultado."

9 - Wado - Atlântico Negro: " O disco dá continuidade à minha aproximação com a música de periferia. A ideia veio do conceito do sociólogo inglês Paul Gilroy e mergulha no universo histórico, mítico e rítmico do entrelaçamento entre África e Américas: um movimento iniciado nos navios negreiros e que segue até hoje, através do samba, do afoxé, do funk e do reggaeton. Atlântico Negro tem uma sonoridade bem orgânica (o que me deixou bem feliz), muitas ambiências e salas nos sons das baterias e percussões. Além disso, voltei a tocar violão de nylon e guitarra, acho que nunca toquei tanto nos discos, antes me concentrava mais em cantar. O disco é manifesto, afeto, festa, melancolia, bravura, fragilidade, poesia, afoxé, funk e samba."

10 - Mallu Magalhães - Mallu Magalhães: "Em mim, esse novo álbum cai como uma luz de um próximo passo. Sinto ele como uma segunda etapa de minha vida e carreira que, por tanta sinceridade e transparência, se misturam. Depositei ali o que pude arrancar de meu peito em forma de canção, e agora sinto completar mais uma pequena parcela de mim como ser humano existente nesse mundo estranho."