O Mundo Não é o Bastante

O disco dela saiu atrasado, o psiquiatra está no telefone e o relógio biológico está a toda - mas nada impedirá a busca de Shakira pela dominação global

Por Vanessa Grigoriadis Publicado em 22/02/2010, às 17h47 - Atualizado em 27/06/2012, às 10h48

A maior parte do tempo, quando Shakira está gravando em Nassau, perto de sua casa nas Bahamas, ela usa pijama o dia inteiro e quase nunca usa sapatos. Mas hoje supostamente é seu último dia de trabalho em She Wolf, o álbum que vem criando há um ano, então ela decidiu comemorar, usando um colar de prata, um vestido negro longo de seda com alças finas e sapatos plataforma que elevam seu 1,58 m de estatura. "Meu namorado tem 1,83 m de altura e, às vezes, parece que sou o chaveiro dele, uma coisinha pequena", diz, e suspira. "Estou tão pronta para isso acabar!", exclama. "Acabei de falar para o meu empresário, 'Estou pronta para cabelo e maquiagem, me tire daqui'." Enquanto Shakira entra no estúdio, no entanto, seu humor começa a mudar. Quando não consegue achar as chaves do carro na bolsa Gucci, procura por elas com a intensidade de alguém que perdeu o passaporte antes de um voo internacional. Quando as encontra, entra em sua perua Mercedes imaculada, coloca The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, para tocar e corre por uma sinuosa estrada litorânea. De um lado, a estrada é ladeada por mangueiras de folhagem densa, e do outro há um vasto trecho do brilhante mar do Caribe, que ela olha demoradamente. "Não entro no mar há tanto tempo", reclama.

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Sempre há atividade no estúdio, com a exausta equipe de gerência de Shakira digitando nos BlackBerries e engenheiros fazendo mudanças na sala de controle ("Pedi para eles criarem todos os meus "kás" e "erres" no computador, porque não consigo pronunciar essas letras sem sotaque", Shakira explica). O Compass Point Studios foi fundado no final da década de 1970 por Chris Blackwell, da Island Records: o AC/DC gravou três álbuns ali, incluindo o clássico Back in Black (1981), e as paredes estão repletas de discos de ouro e retratos de artistas dos anos 80 descansando no Caribe. "Sou uma grande fã de Bob Marley, Cure e AC/DC, e, quando ouvi sobre este estúdio lendário onde todos eles gravaram, sabia que tinha de ser ali", conta Shakira. "Este lugar é o principal motivo para eu me instalar nas Bahamas."

Como artista, Shakira é perfeccionista - "Sou aquariana, mas fiquei virginiana com o tempo", define. Ela compôs 60 músicas para She Wolf, reduzindo-as para dez no estúdio. Hoje, precisa enviar nove mixes para masterização e terminar "Spy", uma música em dois compassos com Wyclef Jean, para que possa ser masterizada amanhã também. "Essa música é como o projeto de um casal", diz. "Construímos a casa juntos, mas os homens não são muito focados nos detalhes. Agora sou a esposa, que ficou em casa para arrumar as flores no vaso." Seu processo como produtora é ouvir tanto com o corpo quanto com os ouvidos. Na verdade, "Hips Don't Lie" (quadris não mentem), sua primeira colaboração com Wyclef e o single mais vendido de sua carreira, é uma frase que ela usou no estúdio por muito tempo. "Eu dizia 'e aí, vocês estão vendo meus quadris mexendo?'", diz, rindo. "'Não? Então não está funcionando. Meus quadris não mentem'."

Uma assistente entrega a Shakira um pote de café, e ela prepara sua própria xícara. "Cortei o café por seis meses, porque quando tomo café fico com desejos", conta. "Mas agora preciso tomar três vezes por dia." Ela está tentando controlar o peso, embora não devesse. É linda, com um rosto expressivo em forma de coração, cílios grossos e um corpo supertonificado, sem os retoques plásticos peitorais que normalmente completama imagem. "Na Colômbia, sou a única mulher que não tem implantes", afirma. "Os cirurgiões colombianos são os melhores da América do Sul, junto com os brasileiros. É mais barato lá e os médicos deixam os seios bem naturais, muito bons."

Ela entra na sala de controle. "Está pronto?", pergunta a Gustavo Celis, engenheiro de mixagem vencedor do Grammy, esperando ouvir seu novo mix para "Men in This Town", uma faixa sobre solteiras desesperadas à caça de homens decentes em Los Angeles.

"Preciso de um pouco mais de tempo", diz um trêmulo Celis.

Ela pressiona os lábios. "Posso ouvir o que você já tem?"

Celis balança a cabeça. "Bom, é o mesmo de ontem", admite.

"Sério?", responde Shakira, esticando a palavra. Irritada, ela batuca em um bloco de papel à sua frente. "Não sei se vamos conseguir terminar tudo hoje", ela diz. "Provavelmente este não será o último dia de gravação."

Mas o disco está atrasado - será que ela vai receber alguma bronca da gravadora por perder o prazo novamente? Shakira levanta a cabeça, pensando na pergunta. "Você quer saber se tenho que implorar a alguém para ter um tempo a mais?", ela diz. "Implorar? Ah, não. Não."

Não é preciso dizer que esta não foi a última noite do disco de Shakira. Ela já mexeu bastante em She Wolf, porque se importa muito com o possível sucesso do álbum. "Sei que este é o meu momento nos Estados Unidos", afirma ela, que já é uma superestrela global com 50 milhões de discos vendidos e ganhos de mais de US$ 100 milhões - mesmo que não esteja exatamente no mesmo patamar de Beyoncé. "Esta é minha chance de consolidar minha carreira e meus sonhos como artista, para que eu possa fazer música por muito tempo e viajar pelo mundo." Pode parecer frio e calculado, mas para Shakira, é um momento emotivo: depois da turnê, ela quer formar uma família. "E esta é menos uma decisão intelectual do que uma necessidade física", afirma, com um lampejo de empolgação iluminando o rosto. "Parece que meu corpo está pedindo para reproduzir, para ter uma barriga enorme e gerar bebês, e, quando o bebê chegar, não quero estar em meio a 100 mil projetos."

She Wolf é apenas o terceiro álbum de Shakira em inglês, e ela nem falava o idioma até o fim dos anos 90 - aprendeu sozinha, ouvindo os ritmos das músicas de Leonard Cohen e Bob Dylan. "Para mim, o interessante é que, na adolescência, eu era roqueira, ouvia Nirvana, Aerosmith e Tom Petty, e não havia nenhuma influência latina na minha música naquela época", conta. "Quando comecei a cantar em inglês, fui buscar minhas raízes latinas e do Oriente Médio, experimentando com fusão e outras culturas. Agora, quero ser livre para fazer o que quiser sonoramente. Acho que a música dance de hoje tem muito a oferecer nesse sentido." Sam Endicott, vocalista do Bravery e cocompositor de "She Wolf", afirma: "Shakira tem a mente aberta. Amo quando ela uiva em 'She Wolf', é tão bizarro e legal".

Em setembro, depois que o single "She Wolf" não decolou nas rádios norte-americanas - chegou ao número 11, mas nunca entrou no Top 10 -, parece que Shakira e sua gravadora trabalharam rápido para conseguir um single que desse certo. Na véspera do Video Music Awards da MTV, em 12 de setembro, Amanda Ghost, presidente da Epic e coautora da música "Gypsy" - um possível terceiro single do novo álbum -, diz que recebeu uma ligação do produtor Timbaland. Ele queria que ela escutasse "Give It Up to Me", uma faixa que tinha em mente para Shakira, embora o álbum She Wolf estivesse pronto. "Odeio mudar de planos", conta Amanda, "mas a indústria fonográfica de hoje é o Velho Oeste, então estou contrariando as regras e começando tudo de novo". Ela tocou a música para Shakira no carro, no caminho para o VMA, e juntas decidiram adiar o lançamento do disco em um mês. "Falamos: 'Foda-se tudo'", diz Amanda.

O drama não parou por aí. Para "Give It Up", Shakira ajustou suas partes à distância, escrevendo as letras no carro durante sua turnê promocional na Alemanha e tirando um dia de folga em Londres para gravar. No início, parecia que Timbaland cantaria todas as partes de rap na faixa, mas então eles contrataram o rapper Flo Rida para gravá-las - daí, conta Amanda Ghost, "Todo mundo ficou louco quando Lil Wayne disse que queria participar". Embora Lil Wayne e Shakira agora dividam a responsabilidade pela música, eles se encontraram apenas uma vez, rapidamente, quando aterrissaram em um aeroporto nas Bahamas ao mesmo tempo. "Essa é a abordagem moderna para as coisas, com tão pouco tempo e tanta coisa acontecendo", diz Shakira, rindo lindamente. "Acho que o verei quando gravarmos o videoclipe."

Shakira é uma das melhores paqueradoras do mundo, e essa risada faz parte disso, uma sequência longa de risos rápidos que são tão bonitinhos que parecem vir de um unicórnio bebê. Ela tem dois lados: um totalmente adorável e outro totalmente agressivo, uma diva difícil que não se importa de colocar o mundo no caos, desde que consiga o que quer. Mulheres poderosas podem ser assim, e não é o jeito mais iluminado de ser, mas Shakira se considera uma feminista de carteirinha. Ela se cerca de "mulheres fortes, determinadas, lutadoras" e pode discursar por um bom tempo sobre as injustiças enfrentadas por seu gênero. Está empolgada com o vídeo de "She Wolf", que tem movimentos pornocontorcionistas dentro de uma vagina rosa enorme, mas ficou passada quando sua mãe não gostou muito dele. "Fiquei surpresa no início e pensei como seus fãs e os colombianos iriam ver aquilo", fala Nidia, a mãe dela, por telefone, da Colômbia. Afinal, "She Wolf" é amplamente sobre a dificuldade de as mulheres se satisfazerem, em um mundo no qual os homens estão no comando. "Vivemos em uma sociedade que reprime os sonhos subconscientes das mulheres", diz Shakira, apertando os olhos. "Sabe, as mulheres têm de fazer um esforço enorme por toda a vida, muito mais do que os homens. Lidamos com tantas pressões: da estética, e como a sociedade quer que nos saiamos como mães, filhas e esposas, e, para completar, devemos suar na academia tentando nos livrar da celulite."

Isso também está na pauta hoje: enquanto espera o engenheiro de som terminar o mix, Shakira pega uma sacola preta de couro cheia de roupas de ginástica e vai para a parte de trás do estúdio, onde uma treinadora baixinha montou uma academia para que ela se exercitasse duas horas por dia. Dezenas de faixas elásticas saem do teto, e uma máquina de step está posicionada na frente do espelho, pronta para fazer sua parte na rotina diária de um zilhão de agachamentos. "Faço até minha perna quase cair", ela conta. "Nunca havia ido à academia, mas aos 32 anos vejo que meu corpo responde negativamente à comida ruim. Então, tenho de fazer o dobro de esforço."

Dobro do esforço é a maneira de Shakira se mover pelo mundo: ela faz negócios no mundo que fala em inglês e no que fala espanhol, e está produzindo She Wolf nos dois idiomas de uma só vez. Provavelmente seu próximo álbum será apenas em espanhol e ela está se preparando para uma turnê global depois dele. Na verdade, seu namorado, Antonio de la Rúa, filho do ex-presidente da Argentina Fernando de la Rúa, recentemente viajou à Colômbia para ajudar a pesquisar para o novo álbum em espanhol. "Fomos a vilas diferentes, nas áreas mais remotas na selva, onde ainda se fala dialeto africano", conta o produtor John Hill, que acompanhou Antonio na expedição. "Gravamos compositores de 85 anos, grupos de acordeonistas infantis, pessoas cantando na rua - só pegando coisas para inspirarem Shakira para o disco."

Fruto da união tardia entre uma colombiana e um dono de joalheria descendente de libaneses (que tinha sete filhos de um casamento anterior), Shakira parece sempre ter sido determinada: começou a aprender dança do ventre aos 4 anos, quando viu uma apresentação em um restaurante do Oriente Médio. "Gostei tanto que pedi para meu pai gravar algumas músicas árabes e minha mãe me comprou um vestido turquesa sob medida para eu treinar", diz. Compôs suas primeiras músicas por volta dos 8 anos, então se inscreveu em uma escola de modelos e se apresentou no circuito de feiras na Colômbia antes de assinar um contrato com a divisão latina da Sony aos 13 anos (ela emboscou um representante no lobby do hotel onde estava hospedado para conseguir um teste). Só que seus primeiros dois discos não foram tão bem, e ela se viu obrigada a aceitar um papel em uma novela que lhe rendeu o prêmio de "Melhor Bumbum da TV" por um jornal. Shakira finalmente chegou às paradas em 1994 com um álbum de rock, Pies Descalzos. "Continuei frequentando a mesma escola depois disso", conta, "mas comecei a dar autógrafos durante as aulas".

Atualmente, Shakira não passa muito tempo na Colômbia, embora seus pais ainda vivam lá, mas está profundamente dedicada a ajudar a solucionar os problemas sociais do país, resultantes da corrupção do governo e de 30 anos de guerrilhas. Ela tem praticamente uma segunda carreira como defensora da educação pré-escolar, falando em fóruns em todo o mundo e construindo escolas de ensino fundamental na Colômbia por intermédio de suas três fundações. "Shakira é jovem, mas poderia ter 50 anos", afirma Maria Emma Mejia, chefe de uma das fundações. "Ela tem uma disciplina excepcional." As escolas são geridas em conjunto com o governo, mas fornecem uniforme, aulas de música e dança e, em alguns casos, contratam as mães dos alunos para fazer almoços nutritivos. "Na América Latina, há um ciclo estúpido no qual, se você nasce pobre, morrerá pobre", diz Shakira. "Estamos tentando mudar isso."

Recusar-se a manter o status quo virou algo muito importante para Shakira, e isso é parte do motivo pelo qual ela se recusa a casar com o namorado, embora sejam monógamos e estejam juntos há nove anos. "É engraçado como a imprensa quer nos ver casados e, depois, divorciados", fala, com uma ponta de raiva. "Bom, eu não vou fazer nada disso." Ela talvez tenha repudiado também seu catolicismo, embora não declare isso abertamente. "Fiquei muito prática, muito racional", afirma Shakira. "Se não vejo, não acredito." Esta noite, quando os assistentes começam a contar histórias sobre ver fantasmas no estúdio, ela fala: "Eu tinha tanto medo de fantasmas quando era mais nova. Não tenho mais! Não acredito em nada disso". Ela ri e, então, faz um lamento debochado: "Ah, desculpe! Onde quer que você esteja, perdão!"

Para seguir seu próprio caminho, Shakira vai a um psicoterapeuta freudiano, um analista de 70 anos que ela visita frequentemente quando está em Nova York e com quem fala pelo telefone de outros lugares. "Amo ver um mapa do meu subconsciente e ter um espaço que é só meu, em que a mente pode falar e consigo ouvi-la", diz. "É o capitão de nosso navio e nosso destino." Ela acha que se prendeu um pouco à fase de fixação oral em sua vida. "Sempre vivi pela minha boca, como uma pessoa na cadeia vive através da janela", já afirmou. "É minha maior fonte de prazer - o que digo, o que canto, os beijos que dou, o chocolate que como."

Mesmo com discursos assim, Shakira ainda é uma boa garota, uma perfeccionista. É difícil não sentir pena dela enquanto ela dá duro, buscando o superestrelato sob a pressão intensa do tempo e da necessidade de formar uma família. Depois de malhar, começa a trabalhar em um dia longo no estúdio. Com os dois assistentes grandões, agoniza sobre uma futura agenda promocional em Miami por uma hora: os três falam alternadamente e usam os BlackBerries como advogados de defesa, preparando resumos, constantemente balançando a cabeça com a inaptidão da pessoa na outra ponta das mensagens. Logo, entram em uma sala de reunião para considerar as possíveis capas do álbum na tela de um laptop. Shakira rola centenas de imagens, a maioria com diferenças imperceptíveis, enquanto os assistentes murmuram: uma é "confusa e ininteligível demais para ser compreendida", outras são "masculinas, um pouco demais". Ela suspira: "A fonte devia ser mais livre", ela diz, balançando a mão. "She Wolf é sobre fazer o que você quer!"

São quase 10 da noite quando Shakira finalmente fala, via Skype, com o engenheiro de som de Wyclef Jean, para discutir as 15 versões de "Spy" que ele enviou durante o dia. Ela se senta em uma poltrona Aeron, bem no centro do console, escrevendo as mudanças no trompete, na bateria e nos vocais em um bloco branco com linhas. "Wyclef está meio que enterrado lá agora", ela diz. "Ele é meu amigo, tenho de protegê-lo." Ela ri. "Sabe, essas músicas foram gravadas quando eu estava em Paris - bebendo vinho, comendo queijo, sentindo a vibração. Não dá para recriar exatamente esse tipo de coisa." Pega uma lixa e começa a passar sobre as unhas, balançando a cabeça. "Ontem, quando a gente se falou, eu estava tão horrorosa", ela diz, e mexe o pé descalço. "É tudo o que vou mostrar a ele hoje pela webcam: só o meu pé."

A conversa telefônica dura algumas horas, até que Shakira finalmente escuta as mixagens. "Ah, lá vem um desejo por causa daquela xícara de café", diz. "Quero chocolate." Em vez disso, satisfaz sua fixação oral com cereal ("130 calorias por xícara! É muito!") e um minipicolé que ela mesma fez com corozo, uma fruta que, ela afirma, só pode ser encontrada na cidade colombiana de Barranquilla. "Tentei plantar corozo aqui, mas não deu certo", Shakira fala, segurando o estômago de fome. "Sou viciada em açúcar, e tarde da noite é ruim. É quando eu faço coisas ruins. Não! Quer dizer, quando eu como coisas ruins." E acrescenta: "Foi uma escorregada freudiana".

A sessão de mixagem continua e ela está em pé, no meio da sala. Tirou os sapatos - o vestido é tão longo que, sem eles, não consegue evitar tropeçar na barra. "Estou de volta à minha altura normal", diz, então fecha os olhos. "Tenho de focar 100% da minha energia física e intelectual na música", afirma. A faixa começa e, pela primeira vez, seu rosto fica completamente sério - de repente, ela se transformou em um totem, e até seus lábios parecem ter perdido a carne, formando uma linha sólida. Então, começa a se mexer, e desta vez sua dança não é sedutora, não é para um homem nem para as câmeras. Ela balança os braços, seu ventre se movendo estranhamente no centro do corpo. É como se estivesse possuída.

Quando abre os olhos, eles estão vidrados - quase como se estivesse chapada. Ela enfia o palito de sorvete na xícara de café e solta uma risada nervosa. "Que diabos", ela fala. "Vamos enviar isso para a masterização. Talvez meus ouvidos estejam tapando, mas deixo isso agora com vocês e sua consciência. Podem mandar prensar, que eu vou ouvir no disco". Fecha os olhos novamente e, pela primeira vez, parece que está em paz. "Estou sentindo", ela diz.