6 perguntas

Sem Talento

Por Austin Scaggs Publicado em 22/02/2010, às 09h33

Wayne Coyne, à frente do Flaming Lips
DIVULGAÇÃO

Wayne Coyne, do Flaming Lips, fala sobre sua inabilidade musical e o novo CD

Em vez de usar um estúdio de gravação, o Flaming Lips preferiu produzir seu 12º álbum, Embryonic, na sala de estar do multi-instrumentista Steven Drozd, em Oklahoma. "Achávamos que estávamos só trabalhando em demos", diz o vocalista Wayne Coyne. "Mas a casa nos deu um certo groove." O resultado é um álbum duplo épico, que abandona o grudento psych pop de trabalhos anteriores e incorpora os intensos improvisos do stoner rock, como em "Convinced of the Hex" e "Your Bats".

Se alguém te desse um violão durante alguma festa, você tocaria?

Quando era mais novo, eu era capaz de tocar o que eu achava que era "Smoke on the Water", mas não sei tocar músicas dos outros. Estávamos em uma festa em Barcelona e Pete Best, baterista original dos Beatles, estava tocando. Jackson Browne estava lá também e foi convidado para subir no palco. E ele respondeu: "Não faço isso". Se ele não faz, alguém do meu calibre jamais deveria tentar.

O Flaming Lips é veterano em festivais - qual o melhor em que vocês já tocaram?

Diria que foi o Lollapalooza, em 1994. Os Beastie Boys tinham acabado de lançar Ill Communication. Eles estavam no auge. The Breeders tocava nas rádios e tocamos com Boredoms, Stereolab, Palace Brothers e Guided by Voices.

Em Oklahoma há o Beco Flaming Lips. O que rola por lá?

Bem que eu queria dizer que acontece todo tipo de perversidade, traficantes e tal. Mas é só uma rua que se conecta a uma área onde há alguns restaurantes, em uma parte mais descolada da cidade. Assim que o prefeito disse "Devíamos dar uma rua a eles", surgiu uma grande controvérsia. As pessoas diziam "Não podemos dar o nome de uma rua a eles; a banda tem uma música chamada 'Jesus Shootin' Heroin' (Jesus Injetando Heroína)."

Os primeiros 30 segundos do novo álbum são sons estranhos de guitarra e microfonia. O que a gravadora disse quando ouviu isso?

Por isso é um grande começo. É como um aviso: "Vamos improvisar!" Eles sabem que somos estranhos e adoram isso.

Por que fazer um álbum duplo?

Sempre volto a algo que George Martin diz sobre o Álbum Branco, dos Beatles: "Daria um ótimo álbum simples". Se fosse um disco só, uma das minhas músicas favoritas em todos os tempos, "Revolution 9". não teria entrado. Por isso começamos a gravar as coisas mais estranhas e gostamos tanto que mantivemos no álbum.

Você tocou baixo em Embryonic. Como avalia suas habilidades musicais?

Não sou um bom músico, mesmo em um nível equivalente ao punk rock. Acho que você tem talento ou não, e eu não tenho. Mas o punk rock não existiria se o gênero tivesse sido deixado na mão de músicos de verdade. Caras que são meus heróis, como Gibby Haynes, Henry Rollins e John Lydon, não estariam por aí.