6 PERGUNTAS

Jack White fala sobre os últimos dez anos e faz previsões sobre o futuro de sua música

Por Brian Hiatt Publicado em 18/03/2010, às 05h17

Nos últimos dez anos, White foi cantor, guitarrista, produtor e baterista
MATT CARR/GETTY IMAGES

A última década foi especialmente produtiva para Jack White, que lançou discos com White Stripes, Raconteurs e Dead Weather, além de escrever temas para a Coca-Cola e para o filme de James Bond Quantum of Solace e produzir mais de uma dezena de trabalhos de outros artistas. Ou seja, o roqueiro indie blueseiro é, na verdade, um dos músicos mais populares do planeta.

No começo da década, você tinha acabado de lançar o segundo álbum do White Stripes - quais eram os seus objetivos e suas expectativas naquele momento?

Demorou 100 anos para as pessoas poderem mais ou menos determinar o nascimento do blues, e eu tinha na cabeça a ilusão de que um novo blues estava surgindo na cena de onde nós vínhamos - que bandas como o White Stripes e o Soledad Brothers e outras do mesmo tipo estavam trazendo uma coisa nova para o blues. E aquilo bastava para me incitar a continuar, mais e mais, mas eu não tinha ilusão nenhuma de que o mainstream fosse em algum momento achar aquilo interessante.

Foi complicado andar na linha entre o mundo mainstream e o indie?

Eu nunca fui muito dessa ideia de "odeio ser famoso, vou me enclausurar porque as pessoas compraram meu disco". Nunca pensei assim. O que eu acho é que a ideia da fama pela fama é muito nojenta e baixa, então a ideia era ser famoso pelos motivos certos. E essa foi a grande dificuldade por uns dois anos lá atrás - saber se o que fazíamos era bom ou não. Algumas pessoas vinham e diziam: "Ah, o Backstreet Boys vende um monte de discos também. E aí?" Então nós estávamos confusos com isso. Nós não sabíamos bem ao certo o que estávamos fazendo, se sobreviveria ao tempo ou se as pessoas olhariam para banda como só mais uma.

Você se lembra de alguma coisa da composição do riff de "Seven Nation Army"?

Tem um funcionário aqui do Third Man que se chama Ben Swank, e ele estava com a gente na turnê pela Austrália quando eu compus essa música na passagem de som. Eu estava tocando pra Meg, ele vinha passando e eu disse: "Swank, olha esse riff". E ele disse: "Legal". [Risos] E mais engraçado ainda é que os selos nos Estados Unidos e no Reino Unido não queriam lançar essa música como primeiro single. Isso só prova que não dá pra prever nada.

Em 2005, você estourou com o Raconteurs e desde então parece que o seu caminho se expandiu. Quanto disso foi planejado?

Eu juro por Deus que foi 100% espontâneo. Nenhuma das bandas [The Raconteurs e The Dead Weather] foi planejada e as duas surgiram em momentos em que estavam totalmente no caminho das outras coisas que eu estava fazendo. Parar tudo e começar um novo projeto do zero e me envolver nele seria ir contra o que eu já vinha tentando concretizar. E eu não posso fazer isso. Não me sinto no direito de mandar parar o que já está sendo criado.

Você termina a década como baterista. O que isso diz da sua passagem pelos últimos dez anos?

Me sinto bem porque sei que a música está em primeiro plano nas minhas decisões. Não é a melhor jogada em termos de negócio, mas é o que preciso fazer pra continuar assim com a música e ter a mão na massa em matéria de criatividade.

Você ainda pensa num álbum solo? Ou álbuns?

Eventualmente. Sim, com certeza. Tipo, por exemplo, no começo de 2009, meu agente disse: "O que você vai fazer este ano?" Como se eu não tivesse nada em vista. E eu disse: "Relaxa, vai dar tudo certo".