MONDOMASSARI TM

Por Fábio Massari Publicado em 11/02/2010, às 07h57

Giant Squid mostra que o mar está para peixe
DIVULGAÇÃO

Giant Squid - The Ichthyologist

(Translation Loss)

A etiqueta Translation Loss orgulhosamente apresenta uma bombástica aventura discográfica pelas assustadoras - e belas - profundezas do oceano da alma. Com direção (engenharia, produção e mixagem) de Matt Bayles (Isis, Mastodon, Pearl Jam) e fantástica arte de Sam Kieth (Batman e Wolverine), o segundo longa do Giant Squid, The Ichthyologist , é baseado numa graphic novel (ainda não publicada) de autoria do vocalista/guitarrista Aaron John Gregory. Prog titânico e articulado, pesadão e modernoso em sua versatilidade. Uma viagem "eclética" repleta de ação e emoção: rifferama dura, quase extrema, e seus contrários inebriantes, narcóticos; vocais severos e nervosos, extáticos, e o delicioso canto das sereias; metais entocados aqui e ali Pela natureza da coisa, não é para todo mundo. Em algumas resenhas do disco, quando querem provocar, dizem que tem até seus momentos nu-metal.

Baroness - Blue Record (Relapse)

No caso do poderoso Baroness, vale o clichê dimensional: em outras instâncias existenciais, seriam monstros. O disco azul, Blue Record, segundo pela Relapse, vem na sequência da elogiada estreia vermelha, "Red Album", e confirma a invejável forma do quarteto de Savannah, Geórgia. A começar pelos ótimos vocais de John Balzley, trata-se de banda pra lá de competente em pleno estado da graça compositiva e com, se me permitem, absoluto e irredutível apetite por destruição. "Bullhead's Psalm", "The Sweetest Curse", "Jake Leg" e "Ogeechee Hymnal" são alguns dos destaques desse potencial, virtual clássico instantâneo. De inegável apelo setentista, explora com capricho matizes e texturas atemporais. As tramas guitarrísticas são precisas, no peso (tem muito) e na delicadeza. Fazendo bonito como herdeiros de certa tradição mais aristocrática do hard rock (Sabbath/Zeppelin), o que pega mesmo é o fato de que o Baroness cometeu, com esse Blue Record, uma obra transcendente, que fala por si. É possível que consumi-lo em vinil seja ainda mais divertido.

Você lê esta matéria na íntegra na edição 41, fevereiro/2010