Sucesso Feito em Casa

O Owl City ganhou as paradas do mundo inteiro – e tudo começou em um porão

Por Nicole Frehsée Publicado em 13/04/2010, às 07h14

Adam Young escreveu o disco do Owl City durante noites de insônia
Pamely Littky

O sucesso recente mais inesperado saiu do porão úmido e sem janelas de uma casa de fazenda centenária na minúscula cidade de Owatonna, Minnesota. É ali onde Adam Young, 23 anos - que compõe músicas de synth pop etéreas sob o codinome Owl City -, gravou o disco Ocean Eyes. "É, tipo, o cômodo mais nojento do mundo", diz Young, que mudou seu quarto para o porão de 42 metros quadrados dos pais durante o primeiro ano do ensino médio. "Mas é uma casa pequena - e era o único lugar para o qual eu podia fugir."

Gravar em casa não foi fácil. "Eu tocava uma música para meus pais e eles diziam 'É boa, mas você provavelmente deveria estar fazendo a lição de casa'", conta Young, que abandonou a faculdade em 2008 e largou o emprego em uma fábrica da Coca-Cola para fazer música. Mesmo assim, seus pais estavam curiosos - às vezes, ficavam escutando do topo da escada. "Adam é quieto e prefere criar sem um público", diz a mãe, Joan. "Respeitávamos isso, mas tenho de admitir que ouvíamos de vez em quando."

Gravado durante crises de insônia, com Max, o yorkshire terrier de Young, no colo, os carrilhões cintilantes, batidas suaves de electro e letras sussurradas do álbum dão uma sensação de intimidade, de algo caseiro. "O forno e o aquecedor de água ficavam a metros de onde eu gravava, então arruinavam as músicas quando eram ativados", conta Young. "Eu desligava o forno e meus pais acordavam parecendo blocos de gelo e gritavam para eu ligar de novo."

Em janeiro, Young - que viajou de avião pela primeira vez em 2008 - começou uma turnê como atração principal. "É difícil, porque sou tímido e apresentações ao vivo são para extrovertidos", diz (antes dos shows, ele relaxa ouvindo a trilha sonora de Procurando Nemo). Em maio, voltará para Owatonna, onde comprou uma casa recentemente. "Embora esteja em meu próprio canto, o porão ainda é o que eu gosto", afirma. "Sou meio que um habitante das cavernas."