Você Deveria Doar para a Entidade de Wyclef?

Depois de levantar 2 milhões de dólares, a organização sem fins lucrativos do cantor haitiano sofre investigação

Por Evan Serpick Publicado em 15/03/2010, às 18h41

Nos dias seguintes ao terremoto no Haiti, Wyclef Jean - o mais famoso filho haitiano - colocou mãos à obra, lançando um campanha para levantar fundos para sua intituição de caridade, Yéle Haiti, além de auxiliar na coleta dos corpos na área de Porto Príncipe.

Mas mais tarde, na mesma semana - depois de arrecadar mais de 2 milhões de dólares - a Yéle teve sua integridade questionada. O site TheSmokingGun.com divulgou documentos que indicavam várias transações questionáveis, incluindo um pagamento de 250 mil dólares feito para um canal de TV haitiano, de propriedade de Jean e seu primo Jerry Duplessis, e 100 mil dólares pagos a Jean por um show beneficente em Mônaco.

Horas depois de voltar do Haiti, em 18 de janeiro, Jean deu uma emocionada entrevista coletiva. "Eu nunca, nunca tomaria dinheiro da Yéle para uso próprio," disse ele. "Já erramos antes? Sim. Já usamos dinheiro da Yéle para gastos particulares? Absolutamente não."

Mas Art Taylor, da Better Business Bureau's Wise Giving Alliance, diz que mesmo a desconfiança da corrupção pode ser arrasadora. "Encorajamos organizações a evitar qualquer sombra de conflito de interesses, porque isso sobrecarrega a entidade com a necessidade de explicar o que está fazendo," diz ele. "É algo que mancha você."

O presidente da Yéle, Hugh Locke, diz que graças a sua associação com Jean, a organização tem um alcance que as outras não tem: "Eles confiam mais nele do que em gente de fora."

Recentemente, Jean e Locke contrataram um auditor de fora, vindo de uma ONG, para monitorar os gastos. Além disso, os dois conseguiram assegurar a entrada de capital privado para cobrir os custos administrativos da organização, fazendo com que a totalidade de recursos arrecadados seja repassada para a caridade. "A Yéle foi concebida muito mais como um movimento do que como uma organização," diz Locke. "Ela pertende ao Haiti."

Tradução por J.M. Trevisan