Febre da Selva

Os recifenses do River Raid querem conquistar o mundo, um festival de cada vez

Por Pablo Miyazawa Publicado em 17/08/2010, às 05h47

ABERTO PRO MUNDO Depois de tocar duas vezes no Texas, o River Raid planeja turnê pela Europa
Eduardo Rocha / Divulgação

"É uma coisa curricular, abre muitas portas", define Giba, guitarrista do quinteto The River Raid, sobre a segunda participação da banda no festival South by Southwest (SXSW). "Quando se fala que tocou dois anos seguidos, você tem uma credibilidade diferente. As pessoas dão mais valor." É uma tarde fria de março, e Giba e os companheiros - Ricardo Leão (guitarra e voz), Dudu Melo (baixo), Marcelo Pompi (guitarra) e Pedrinho Pacheco (bateria) - aproveitam o tempo livre em Austin (Texas), um dia após tocarem no SXSW. "A música está em um mercado global", continua Giba. "Quando se pensa globalmente, se consegue atingir nichos, pessoas que se identificam com sua música nos lugares mais diversos."

O River Raid surgiu em Recife no final dos anos 90 (o nome vem de um game antigo), mas o primeiro disco só foi gravado em 2007. A ideia de cantar em inglês veio dessa época, e surgiu da necessidade febril de se fazer ouvir em outras praias. "Resolvemos compor em inglês para ver o que poderia dar de caldo", diz Ricardo. "Quanto ao som, a gente ainda toca o que faz a cabeça da gente", emenda Giba - a dizer, um rock agressivo, baseado em riffs pesados de guitarra calcados nos anos 90 e algum uso de sintetizadores. A empreitada rendeu convites para festivais nos Estados Unidos e no Canadá, uma experiência que hoje carregam como preciosa bagagem. Outro sinal de tino empreendedor é a parceria com a marca de v estuário Levi's, que, entre outros privilégios, proporcionou a participação do River Raid no SXSW. "O modelo tradicional de música caiu faz tempo", explica Ricardo. "Os artistas estão buscando novas saídas pra poder continuar produzindo."

Para divulgar o recente In a Forest, a b anda planeja uma turnê pela Europa, em setembro. Apesar do foco no mercado internacional, o River Raid não se vê obrigado a reforçar uma "brasilidade" da música. "A gente é do Nordeste, mas cresceu ouvindo rock", define Giba. "É natural que tenha um resíduo de nossa origem no que fazemos. Mas não estamos querendo impor esse tipo de identidade no som."