À Sombra dos Gigantes

Eles representam 1% do Congresso, e, juntos, poderão ocupar um quarto da propaganda eleitoral gratuita. Mas quem são e o que pensam os chamados candidatos nanicos à Presidência nas eleições de 2010?

Por Fernando Vieira e Rodrigo Barros Publicado em 21/09/2010, às 12h30

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A corrida presidencial é uma disputa de gigantes. Quer dizer, nem sempre. A exceção à regra aparece em todas as eleições, com as candidaturas da minoria. Diante da estrutura cinematográfica dos três candidatos que despontam nas pesquisas, há sete presidenciáveis que se esforçam para sobreviver em um combate mais discreto. Não porque assim o queiram. Mas a realidade é que acabam à sombra dos líderes, praticamente alheios ao próprio desempenho na corrida eleitoral mais importante do país.

Ao mesmo tempo que permite uma proliferação de partidos sem fim, o sistema político brasileiro coloca as candidaturas pequenas em condições desiguais frente ao eleitor.

Popularmente chamados de nanicos, esses candidatos de menor expressão, oriundos de partidos de pouca ou nenhuma influência no meio político, representam em torno de 1% do Congresso Nacional. E juntos poderão ocupar cerca de um quarto do tempo dedicado à propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

Pode parecer uma eternidade sob o aspecto da representatividade, mas é pouco se comparado à exposição que os candidatos ditos principais encontram na mídia em geral. O prejuízo é grande para o resultado nas campanhas, reclamam os pequeninos.

"Com uma única cobertura do portal Terra, dobrei o número de meus seguidores no Twitter. Imagine se eu aparecesse no Jornal Nacional", diz o presidenciável José Maria Eymael (PSDC), que saltou de mil para dois mil seguidores em praticamente uma entrevista.

O termo utilizado para constantemente identificá-los na imprensa também é considerado pejorativo e incomoda alguns dos candidatos. "O nanico não tem nada atrás, não tem história alguma. Se aproveita de uma brecha da legislação para fazer um oportunismo. Não sou nanico, porque isso não é uma questão de tamanho, mas de seriedade", critica o candidato Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), que tem mais de meio século de vida política.

Com maior ou menor destaque, o fato é que qualquer um deles, em teoria, poderá ser o próximo presidente do Brasil. E as dificuldades para chegar lá são inversamente proporcionais às dimensões de suas campanhas.

"EY / EY / EYMAEL..."

Se a pesquisa fosse musical, o candidato do Partido Social Democrata Cristão (PSDC), José Maria Eymael, 70 anos, apareceria na primeira colocação. Quem não se lembra do jingle "Ey / Ey / Eymael..."? - praticamente, um hit. Para este ano, ganha novas versões em estilos variados, como sertanejo universitário, axé e milonga. Virou até ringtone.

Criada em 1985, pelo militante José Raimundo de Castro - hoje dirigente nacional da sigla -, a música se confunde com a história do presidenciável, marcando o lançamento do democrata-cristão na carreira político-eleitoral, quando disputou pela primeira vez o cargo de prefeito de São Paulo.

Eymael é gaúcho de nascimento. Cursou filosofia e direito. Começou seu envolvimento político no campo estudantil e religioso. Em 1962, filiou-se ao Partido Democrata Cristão (então PDC). A vida profissional o trouxe a São Paulo dois anos depois.

Ele lembra da "primeira tragédia da Democrâcia Cristã no Brasil", com o Ato Institucional número 2 (AI-2), que extinguiu a sigla juntamente com outras 12. "Ficamos duas décadas for a do cenário político brasileiro", afirma o presidenciável, que passou a se dedicar.

Nas eleições de 1998 e 2006, ele disputa a Presidência da República. "Foi um erro gravíssimo não disputarmos a eleição em 2002, porque time que não joga não tem torcida. Os partidos só crescem disputando eleições majoritárias", avalia.

Neste ano, E mael, que se consider a um candidato "centro-transformador", faz sua terceira tentativa. Caso seja eleito, a primeira medida como presidente será promover a reforma tributária. No site do PSDC, há uma carta com as diretrizes gerais da proposta de governo em 27 pontos, numa alusão ao número da sigla.

O espírito do projeto é uma mudança no modelo de gestão atual. O candidato, que se considera o quarto colocado na disputa, acredita na vitória. "N sso desafio é chegar a 5% nas pesquisas para obtermos um efeito alvanca e chegarmos ao segundo turno. Há casos semelhantes na história política", justifica.

AEROTREM, NEIL ARMSTRONG & MARCO POLO

Natural de Mutum (MG), Levy Fidelix, 51, despacha na sede do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), no bairro de Moema, zona sul de São Paulo. É sua primeira campanha presidencial - já havia tentado disputar a eleição de 1994, na época pelo então PTRB -, mas foi impedido pela Justiça Eleitoral.

Fidelix concorreu aos cargos de vereador, prefeito e governador de São Paulo, e deputado federal. Nunca se elegeu. As trocentas tentativas acabaram por deixá-lo conhecido pela proposta voltada ao transporte, especialmente um meio, sobre trilhos, parecido com os trenzinhos da Walt Disney World, como ele mesmo define. Segundo o presidenciável, a solução dos problemas de mobilidade urbana nas metrópoles passa necessariamente pela construção do aerotrem, sua marca.

Ele vai direto ao assunto: "Estamos muito contentes com o 'nosso aerotrem'", comemora. "A turma gozou tanto, disse que era utopia, e o Lula assinou o contrato dos termos para em novembro ser feito o leilão internacional", diz, se referindo ao lançamento do edital do trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro, ocorrido no dia da entrevista.

A modernização da infra-estrutura nacional considerada "a solução par a os gargalos de exportação e de mobilidade urbana, que estão entre os maiores problemas do país". Fidelix considera que a proposta inovara fez dele uma espécie de Neil Armstrong das ideias de transporte. "O mundo caminha para o espaço", diz, "e enquanto o aerotrem é feito por cima, o metrô se faz a passo de tatu". Sobre a mesa, um de seus dois celulares toca. Levy pede licença e atende à ligação.

Camila, estou proporcionando uma entrevista à revista Rolling Stone. Posso te ligar daqui a pouquinho?" Ele ouve com a tenção. E responde orgulhoso à pessoa na outra linha. "Muito obrigado. Eu te ligo, querida". Segundo a amiga, o noticiário na TV informara que "o aerotrem do Levy Fidelix finalmente saiu do papel" , com a assinatura de Lula. "Sou um homem visionário, com visão futura", ele ajeita a gravata e mais uma vez sorri orgulhoso de si mesmo. "Assim como Marco Polo fez história por trazer a pólvora para o mundo ocidental, Levy Fidelix trouxe ao Brasil o conceito da modernidade de transporte."

Mas ele faz questão de frisar que não é um candidato de uma nota só. O governo do PRTB pretende consolidar o Brasil potência e compreende que o país tem que ter, sim, a bomba atômica, pois só dessa forma poderá "ter domínio, respeito e condições de defender a Amazônia e o Pré-Sal". Levy segue no discurso citando a expressão em latim: "si vis pacen parabellun" [se quer es paz, prepare-se para a guerra]. "Não sou uma pessoa 'belicosa'", ele diz, "mas tenho visão de estadista internacional, não só para assuntos focados no imbigo (sic) brasileiro."

E ele avança: "Eu não quero ser nenhum Enéas - que Deus o tenha, com todo o respeito. Mas o Brasil precisa dominar o ciclo da energia nuclear, o que significa o do- mínio de arsenal atômico, se possível e se necessário".

Outro tópico do programa de governo peerretebista prevê que todo brasileiro nato terá uma conta-poupança paga pela União. Desde o nascimento todo brasileiro nato terá depositado mensalmente o valor de quatro salários mínimos (hoje R$ 2.040,00), resgatável após o beneficiário completar 21 anos de idade. A ideia é fazer com que o Governo Federal lance bônus que irão girar durante todo esse período no mercado futuro, segundo Levy. Outra proposta é a criação de penitenciárias em ilhas e navios sucateados que ficarão em alto-mar par a conter "orgias e excessos com celulares nas prisões".

NO XADREZ COM LULA

Nascido em Santa Albertina, interior de São Paulo, José Maria de Almeida, 52, começou a trabalhar como metalúrgico aos 14 anos de idade. Concluiu o ensino médio e fez carreira como fresador ferramenteiro. Participou dos movimentos sindicais do ABC no final da década de 1970 e foi preso em três ocasiões, sendo a última junto com Lula, na greve de 1980. "Ajudava na coordenação dos movimentos grevistas. Acabei ficando preso quase 40 dias, por ter histórico", conta.

Motivada por um panfleto sobre o Dia do Trabalho, a primeira prisão, em 1977, foi a mais marcante. "Ficamos quase uma semana apanhando no Dops", ele recorda. "Era de tudo, de choque elétrico, aquilo que a gente chama de cadeira de dragão, uma cadeira revestida de alumínio e com dois fiozinhos, até pau de arara. Eu não tive problemas físicos permanentes, só psicológicos. Já a Márcia Bassetto [Paes] e o Celso [Giovanetti] Brambilla ficaram com seqüelas graves."

Zé Maria, como é conhecido, deixou o ABC porque não conseguia mais emprego. Mudou-se para Minas Gerais, onde se mante ve engajado nos movimentos sindicais. Fundador da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do P T, deixou o partido em 1992, por "diferença nos rumos" e "enfrentamentos com a direção" da sigla à época - Lula e Zé Dirceu, respectivamente, presidente e secretário-geral.

"Quando surgiu o 'Fora Collor ', a direçã do PT era contra o lançamento do movimento.Por quê? Era melhor deixar o Collor sob aquelas denúncias, que ele iria se desgastando e facilitaria a vitória do PT em 1994",a firma."Nós tínhamos outra posição, de tentar derrubar o governo e reivindicar a antecipação das eleições gerais no país. Obviamente, era uma opinião diferente dada direção do PT, que queria deixar tudo em banho-maria."

O candidato hoje é anistiado. Não recebeu valores milionários, mas uma aposentadoria similar à função que exercia. Zé Maria disputa neste ano sua terceira eleição presidencial. O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) de fende como programa assegurar o pleno emprego para todos, com redução de jornada e salário digno, estatizar as grandes empresas e o sistema bancário, parar de pagar as dívidas externa e interna e promover a reforma agrária, com o fim das grandes propriedades. "É a inversão da ordem capitalista atual", resume.

"MEU NOME É PLÍNIO"

Plínio de Arruda Sampaio (Partido Socialismo e Liberdade - PSOL) tem mais tempo de política do que alguns candidatos têm de vida. É o político mais velho na disputa presidencial. Mas os 80 anos do paulistano, recém-completados, não o impedem de conceder entrevista em meio a deslocamentos e viagens de campanha. Faz tudo ao mesmo tempo com jovialidade. "Se tem saúde, qualquer pessoa permanece perfeitamente capaz", afirma.

O tempo, para Plínio, é relativo na questão eleitoral: "Há pessoas que não gostam de votar em gente velha e outras que não dão a menor importância". Para ele, o que vale mesmo é a experiência: "A grande vantagem é que todos sabem que ninguém passou pelos fatos públicos que estão determinando a realidade atual do país como eu passei", orgulha-se. Formado em direito pela Universidade de São Paulo (USP), em 1954, o candidato é promotor de Justiça e coleciona uma série de cargos públicos. Antes da ditadura, foi secretário de Planejamento e de Justiça no governo Carvalho Pinto (de 1958 a 1962) e deputado federal, até que acabou cassado pelo AI-1, nos dez primeiros dias do regime.

Ficou 12 anos exilado no Chile e nos Estados Unidos, onde fez mestrado. E retornou ao Brasil, ajudando na fundação do PT. Petista histórico, intelectual respeitado e ligado ao braço católico, Plínio deixa o partido em 2005, após escândalos do mensalão. Migra para o PSOL, pelo qual disputa o governo do estado de São Paulo em 2006. Neste ano, com o discurso na ponta da língua - o mesmo que defendia Lula antes de chegar ao governo -, faz sua primeira empreitada rumo à Presidência.

"Reduzir as desigualdades sociais entre os brasileiros, a distância abismal entre ricos e pobres. Todas as medidas de governo serão voltadas nesse sentido", afirma. "E vamos apontar soluções reais para que o povo tenha consciência delas", enfatiza.

A primeira medida em seu governo seria a reforma agrária. "Todas as propriedades acima de mil hectares podem ser desapropriadas para efeito de desconcentração das fazendas, para dividir para o povo que não tem terra." Depois, a redução da jornada de trabalho. "Aumentar imediatamente o emprego." A reforma tributária viria na sequência. E, com ela, a promessa de duplicar imediatamente o orçamento da saúde e educação, "por meio do prolongamento da dívida pública que hoje ocupa 36% do orçamento", ele afirma, "não é um calote, o que for dívida nós vamos pagar."

Depois de lutar por mais de 20 anos com o P T para chegar lá, Plínio não esconde a dificuldade de seu novo proje to. "Todo mundo é candidato para ganhar a eleição, mas tenho de ser realista e perceber que não tenho um partido com condição para uma probabilidade maior de vitória", observa.

Por isso, o desafio é mostrar que os três candidatos principais dizem a mesma coisa e tentar "levantar a dita consciência popular para debater ideias". Nada fácil considerando que a própria presidente do PSOL, Heloísa Helena, manifestou apoio à candidatura de Marina Silva (P V). "É mais uma dificuldade. Ela não é uma entusiasta da minha campanha. Estou discreto e não forçando nada, por que respeito sua posição", diz.

E tem um problema ainda maior, segundo Plínio: "É que me chamo Arruda. Vê se pode: um cara chamar Arruda nesse tempo? brinca. "Mas é é isso mesmo que faz com que a gente tenha ânimo par enfrentar . Porque a tese é muito boa, a po- sição é muito clara. E dificuldade é feita para ser superada. Vamos

provocar uma tomada de consciência. Se não para outubro, que seja para depois, porque o país não para."

CONTRA O FICHA LIMPA

Militante de esquerda há três décadas, começando no movimento estudantil e operário, Rui Costa Pimenta, 53, é jornalista e participou das discussões de fundação do Partido dos Trabalhadores, no movimento Pró-PT, por volta de 1980.

Hoje pelo Partido da Classe Operária (PCO), o paulistano disputa sua segunda eleição presidencial. Em 2006, teve sua candidatura para presidente da República impugnada pelo TSE, por problemas na prestação de contas de 2002. "Minha atividade jamais foi eleitoral, nunca fui parlamentar. É mais como jornalista, escritor e propagandista do socialismo." Pimenta hoje escreve e edita o jornal Causa Operária.

Sereno e realista, ele afirma que não entra na disputa presidencial com esperanças de vitória. É incisivo: "Consideramos que está fora de cogitação, neste momento, o nosso partido eleger o presidente da República ou fazermos bancada". "Não fazemos esse jogo de fingirmos que vamos ganhar. Dizemos claramente: o programa que defendemos depende de uma evolução do movimento dos trabalhadores e, no momento, isso se dá de forma muito lenta", explica.

Então por que participar do processo eleitoral? "O objetivo é criar condições para no futuro realizarmos o programa que de fendemos. Não é porque não vamos conseguir hoje e que não vamos trabalhar para o futuro." Pimenta diz ainda que o programa do PCO não é uma relação de promessas, que inevitavelmente não poderão ser cumpridas."Não será a mera eleição que já vai proporcionar a mudança que a g ente precisa. Dizer isso é vender ilusões."

O lema do partido é salário, trabalho e terra, sendo que o primeiro ato de Pimenta, caso seja eleito, será a reforma agrária. Para manter a coerência com a "soberania popular ", o candidato aborda a polêmica do Ficha Limpa sob um ponto inusitado. Ele é contra a lei: "Se você tem uma regra que proíbe tal candidato sob essa ou aquela condição, já há um filtro para apresentar um prato pronto ao eleitorado. E retira o poder de decisão do eleitor. Quem é o juiz da idoneidade: o povo ou indivíduos isolados que representam o poder estatal?", justifica.

A SUPERAÇÃO DO CAPITALISMO

O presidenciável do Partido Comunista Brasileiro (PCB) quer inverter a base de poder político atual. Ivan Martins Pinheiro, 64 anos e carioca, pretende construir o socialismo no país, por meio do chamado poder popular. O candidato rejeita a possibilidade de reformar o capitalismo. Prefere superá-lo.

Natural do Rio de Janeiro, Pinheiro é advogado e atual secretário-geral do PCB. Já foi candidato a vereador, deputado federal e prefeito do Rio, mas nunca se elegeu. Agora, disputa pela primeira vez a Presidência da República. E a essência revolucionária de seu programa de governo não estaria exatamente ligada a uma vitória no pleito 2010.

Ele se diz franco: "Não haverá o 'meu' governo, porque estamos diante de uma eleição manipulada", diz. "A mídia, a serviço da burguesia, já escolheu os dois ou três candidatos que poderão no máximo divergir na administração do capitalismo." O presidenciável sabe que dificilmente um candidato com perfil socialista irá ao segundo turno. "É uma luta longa, em que o protagonismo tem que ser do povo mobilizado."

A consolidação de sua proposta, não implica, necessariamente, em uma entrada na luta armada como forma de transformar o Brasil. "A atualidade brasileira é oposta a essa forma de luta", explica Pinheiro, "estamos dizendo que a 'revolução' será no sentido de mudanças profundas". Ele afirma que há aqueles que acreditam que podem corrigir o capitalismo e melhorar até chegar ao socialismo: os chamados de reformistas.

E existem os que acham que o capitalismo é irreformável, ou seja, desumano e antiético pela sua própria natureza. A revolução, para ele, portanto seria no sentido de que "o capitalismo tem de ser superado e não reformado".

Explica-se: "Na Bolívia, está havendo uma revolução, mas não se trata de uma revolução socialista. É o que eles chamam de revolução cultural e democrática. Então, é nesse sentido que falamos da super ação revolucionária do capitalismo".

Uma das medidas tomadas seria uma mudança imediata em um campo da política internacional. "Retiraríamos as tropas brasileiras do Haiti", afirma Pinheiro. "O que eles es tão precisando agora é que os armamentos sejam substituídos por engenheiros agrônomos e médicos."

O FUTURO PRESIDENTE DO BRASIL

Até o fechamento desta edição, João Américo de Souza, 78, ainda não havia conseguido obter na Justiça Eleitoral o registro para ser candidato. Apesar de seu nome ter sido aprovado em convenção partidária, o ex-senador maranhense entrou na disputa à revelia, contra a vontade de seu próprio partido, o PSL (Partido Social Liberal).

Nascido em Coroatá (MA), Américo de Souza, como prefere ser chamado, é economista, advogado e administrador de empresas. Ocupou os cargos de secretário e procurador geral de Justiça do Maranhão, estado pelo qual se elegeu deputado federal e senador. Foi fundador da OAB-DF e ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST). O partido desistiu de disputar a Presidência devido à resolução do TSE que limita as participações de candidatos a presidente em programas eleitorais. Pela regra, estaria vetada a participação de presidenciáveis nas campanhas regionais nos estados em que ocorram coligações diferentes da nacional. Souza não concordou. E resolveu solicitar candidatura por conta própria aos 47 minutos do segundo tempo. Ele atende à reportagem no momento em que aguarda a primeira decisão da Justiça Eleitoral sobre sua candidatura. Está bastante seguro. "Supersuperotimista!" E acrescenta: "Na hora em que o TSE me fizer candidato, eu serei o futuro presidente da República!"

O programa de governo de Américo é fundamentado em saúde, educação e segurança. Ele garante que irá reverter o déficit educacional durante os quatro anos de governo e conta que acabará com a "bandidagem"e as filas da saúde em apenas seis meses. E afirma: só um candidato com a sua "experiência teria a verdadeira noção do que é a falta de segur ança". Explica-se: Souza é morador da praia Turimar, Balneário Gaivota, sul catarinense. Em 2004, bandidos invadiram a residência do ex-senador. "Puseram o revólver na minha cabeça e na de minha mulher. E ficaram perguntando: 'Onde está o cofre? Onde estão os dólares? Onde está a arma ?'", ele conta. Encerrada a entrevista, o presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, indeferiu o registro de candidatura do ex-senador. Souza entrou com pedido de reconsideração. Segundo a Justiça Eleitoral, todos os recursos têm que ser julgados até o dia 19 de agosto.