Julian Casablancas

O vocalista do Strokes fala sobre o retorno da banda, seu álbum solo e a paternidade

Por Brian Hiatt Publicado em 18/10/2010, às 19h29

DESENCANADO Julian Casablancas não está muito empolgado com a volta do Strokes: "Fico feliz de fazer isso para as pessoas"
Matt Crossick

Após um hiato de quatro anos, Julian Casablancas e o Strokes estão de volta, suando a camisa na produção do quarto disco - o primeiro desde First Impressions of Earth, de 2006. Mas não fique achando que Casablancas está animadíssimo com a ideia de voltar. "Há muitas coisas diferentes do ponto de vista musical que eu desejo fazer", diz o vocalista, que lançou seu primeiro álbum solo - Phrazes for the Young - em novembro de 2009 e continua em turnê para promovê- lo. "E estou feliz de fazer o lance do Strokes também." Após o show no Lollapalooza e em outros festivais nos Estados Unidos, a banda retornou imediatamente ao estúdio. "Eu sei que muita gente está feliz de ouvir um disco novo do Strokes", ele diz. "Então eu fico feliz de fazer isto para essas pessoas."

Os fãs estão enlouquecendo porque querem ouvir as músicas antigas nestes shows do Strokes. Como é isso para você?

Para algumas pessoas, o Strokes não passa de uma lembrança divertida - "Encha a cara e caia na balada!" Tudo bem, mas essa coisa toda de [imitando voz de bêbado] "rock and roll!"... Eu simplesmente nunca me liguei nisso. Está tudo muito bem, é divertido, mas não é aí que a minha cabeça está. Eu sempre me ligo nas coisas novas, mesmo que seja uma música nova do Strokes. Eu prefiro tocar as músicas em que estou trabalhando no momento, mas quem diabos vai querer ver isto?

O que o levou aos arranjos rebuscados do seu disco solo?

No primeiro disco do Strokes, eu queria que as coisas fossem simples. Desta vez, eu queria que fossem complexas - duas melodias diferentes, duas baterias. É meio que um arcoíris, uma coisa mega. Eu originalmente joguei a pia da cozinha toda lá dentro, e acabei tirando 80%. Da próxima vez, é possível que eu faça o contrário, uma coisa mais simples. Talvez eu tenha ofendido os ouvidos de algumas pessoas. "Tem notas demais", como no filme Amadeus [risos].

Você mostrou as músicas para os Strokes primeiro?

Uma música: "Ludlow St". Foi recebida com uma espécie de não reação.

Então, foi essa não reação que o levou a fazer um álbum solo?

Eu nem sei por onde começar . No início, eu quis aprender com os problemas de bandas do passado e não quis fazer picuinha nem ser ganancioso. Então a ideia era que compartilhássemos tudo de maneira igualitária. Eu escrevia as músicas, mas achava que compartilhar o crédito faria com que ficássemos mais próximos ou faria com que eles gostassem de mim. Mas acho que surtiu o efeito oposto: causou meio que um desdém, e foi aí que surgiram alguns dos problemas. A s coisas ficaram um pouco difíceis. A gota d'água pode ter sido os três álbuns solos [dos outros integrantes do Strokes]. Não foi uma reação raivosa da minha parte, foi uma coisa lógica.

Qual é a situação com a banda agora?

Está tudo bem agora. No final, não posso colocar a minha visão no Strokes como colocava antes, então estamos seguindo num sis tema de colaboração - talvez assim seja melhor. A s ideias loucas e aleatórias eu posso usar nos meus discos solos. Não consigo ser feliz se eu tiver que diluir as coisas demais.

Você já está compondo para seu próximo projeto solo?

Sempre estou compondo algo. Tenho tanta coisa que nem sei o que fazer com tudo. Uma parte vai para o Strokes, outra parte vai ser sei lá o quê - coisas para cantores pop, temas de programas para a tele visão. Tenho um pote cheio de canções, um monte de ideias que são simplesmente eu cantarolando em um gravador. O meu próximo projeto é querer escrever a nova música-tema par a o [time de beisebol nova-iorquino] Mets. Estou falando muito sério: tenho algumas ideias, tenho que ver se eles gostam... Eu também adoraria produzir uma música do Pearl Jam. Isso seria um sonho, porque eu sou fã.

Depois de gravar o seu álbum em Los Angeles e Omaha, você voltou a Nova York. Está pronto para se mudar para o (bairro do) Brooklyn?

Ah, sim, o centro cultural do mundo - você não tem permissão de ser uma banda nova se não for do Brooklyn. É bacana e tal, eu gosto do ambiente lá, mas não. Simplesmente não vai dar.

O seu filho já está com 6 meses de idade. Você já descobriu que tipo de pai quer ser?

É tão engraçado ter um filho. Ser pai tem a ver com o instinto, não com o intelecto. Você não pode racionalizar: "Será que eu pularia de um abismo pelo meu filho?" Você simplesmente vai lá e pula. Você só quer que a sua família seja próxima e cheia de amor . Mas vamos ver . Talvez eu seja um péssimo pai [risos]. Como é que eu vou saber?