Mais José Serra

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Por Ricardo Franca Cruz, Pablo Miyazawa, Rodrigo Barros e Fernando Vieira Publicado em 14/09/2010, às 12h05

RS entrevista José Serra
Ilustração Marcelo Calenda

Leia abaixo, em tópicos, mais trechos da entrevista exclusiva com José Serra, candidato a presidente pelo PSDB:

Sobre quando decidiu disputar a presidência da República:

"Esse é um processo gradual. Desde que me sinto gente, que tenho memória, eu sempre tendia a me envolver na política. Agora, isso nem sempre foi ligado à questão do país, não era uma coisa abstrata de 'poder pelo poder' etc. Isso eu nunca tive, nem nos primeiros devaneios de criança até agora. Eu ganhei um atlas quando devia ter entre sete, oito anos, e ficava nesse livro conhecendo cada pedaço do Brasil. Quando eu lia livros de geografia, ficava lamentando o fato de o Brasil ser chamado de país essencialmente agrícola. E quando comecei a ler jornal, eu lia uma seção que falava sobre o movimento do Porto de Santos e o que se exportava. Exasperava-me o fato de a gente só ser um grande exportador de café e não de outras coisas. Eu lia sozinho isso e isso me incomodava. Eu queria que a gente fosse outra coisa. Isso é desde que eu me sinto gente. Sempre foi um projeto. Se você quiser, pessoal, de raízes psicológicas, que seja. Mas ligado a um projeto concreto de Brasil."

Sobre o que aprendeu sobre si mesmo durante os anos na política:

"Eu fiz muitos anos de análise, então o que eu tinha que ter aprendido a meu respeito, aprendi do ponto de vista individual. Não sei se você faz análise. É o seguinte: na análise, você aprende tudo sobre você mesmo, só não aprende a se comportar de acordo com aquilo que aprendeu. Você dá razão inteiramente, deve ser assim, assado etc., mas na prática, são outros quinhentos. Mas muito especialmente agora, para mim, a eleição é algo prazeroso. Eu nunca tive isso tão claro quanto nessa campanha, com todos os riscos, com toda a dificuldade. Me dá prazer, e o fato de me dar prazer me dá energia. Porque você se ganha muito mais quando está fazendo uma coisa obrigado. Isso também no trabalho. Tem gente que trabalha naquilo que mais gosta, isso é uma maravilha, quase ninguém ama fazer o que está fazendo. Mas aqueles que conseguem isso, vivem melhor. E nesse sentido, eu estou vivendo muito bem."

Sobre as válvulas de escape do stress de campanha:

"Não dá tempo de abrir a válvula. Em geral, o que mais me ajuda é alongamento, isso me ajuda muito, automassagem, que eu sei fazer, e, quando posso, estar com os meus netos. Sempre que posso, vejo filmes à noite na televisão. Eu vejo muito National Geographic, Animal Planet e History Channel. Mas a correria e a necessidade de fazer algo mais cedo estão encurtando a minha jornada noturna, mas ela ainda existe. Segundo vários astrólogos, a minha melhor hora, o pico da boa disposição e da inteligência, é às 20 para as 2 da madrugada. Eu digo não porque eu acredite necessariamente, mas porque foram muitos diferentes que disseram a mesma coisa."

Sobre o vídeo "Serra comedor":

"Aquilo foi de alguém favorável [risos]. A pessoa é meu partidário. Para ser sincero, eu achei muito criativo. Olha, eu estava dizendo: 'como a dona Maria, como o Alex...' Eu não falo: "como Vânia". Eu falo: "como a". Ter a ideia de editar foi genial, com criatividade. Agora, é uma brincadeira. O que é que eu posso fazer? Eu sou assim: quando não se pode fazer nada, já foi. Vai fazer o quê? Você está sujeito a isso. Você está no Twitter, vão brincar. Eu fiquei surpreso quando me falaram dessa história por telefone. Quando eu gravei, foi improvisado. Eu navego pouco hoje, na verdade, nunca naveguei muito em blogs, porque quando você é objeto de notícias, você se sente que é o centro do mundo, porque a internet homogeneiza tudo. Se você está numa campanha, precisa investir o seu tempo naquilo que é fundamental. Então, é de bom vitre, como se dizia antigamente, evitar ti ti ti, detalhes, porque senão você perde a atenção daquilo que é fundamental. Isso eu tenho bem claro."