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Vendas de cd caem, mas números não abalam mercado

Renata Honorato Publicado em 01/02/2007, às 00h00 - Atualizado em 31/08/2007, às 19h07

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André Porto

Os números até apontam o contrário, mas o mercado defende com unhas e dentes a galinha dos ovos de ouro das gravadoras. Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), o balanço das vendas no primeiro semestre de 2006 continuou em baixa e registrou uma queda de -16,65% em unidades vendidas, o que, a grosso modo, representa uma mudança na maneira do brasileiro consumir música.

Apesar de negativo, o levantamento não preocupa as gravadoras. "Nos mercados de música mais desenvolvidos, as vendas digitais por meio de internet e telefonia móvel estão compensando a gradual redução nas vendas de formatos físicos", opina Paulo Rosa, Diretor Geral da ABPD, para quem as estatísticas não representam uma decadência da indústria fonográfica. "No início da década, os 'pessimistas de plantão' consideravam que CDs estariam extintos em cinco anos, ou seja, em 2005. Essas previsões evidentemente não se confirmaram. Novas formas de comercialização estão sendo testadas pelo mercado mundial e qualquer previsão sobre qual modelo prevalecerá é especulativa", completa.

Cláudio Condé, presidente da Warner Music Brasil, compartilha da mesma opinião: "O CD não vai morrer. Trabalhamos com a seguinte previsão: em 2010, o mercado 'físico' representará 50% do total de vendas, dividindo igualmente o espaço com a comercialização de música digital". Embora acredite na vida longa da mídia física, Condé não aposta em crescimento em 2007. "Esperamos que os números mantenham-se os mesmos. Não acho que a comercialização via web compensará a queda", prevê.

Embora também não dêem crédito ao fim da mídia física, as lojas procuram por soluções. "Sentimos essa queda muito mais no Brasil do que em outros países devido à pirataria", diz Benjamin Dubost, diretor comercial da rede Fnac Brasil. "Realizamos ações para baratear o preço dos CDs de catálogo, geralmente menos pirateados". Ex-presidente da Associação Brasileira da Música Independente, Pena Schimidt também não imagina um mundo sem os disquinhos: "O LP também não morreu: descobriu seu nicho, assim como os livros de jardinagem e as agulhas de tricô. O CD faz parte da indústria do presente, junto com chocolate e flores. É ainda um belo maço de canções que precisa andar em buquê", filosofa.

E se a pirataria digital é mais uma das vertentes que dita ou não o fim do mercado de CDs como o conhecemos, o Governo se mobiliza como pode. Relator do polêmico projeto de lei que prevê a autenticação de todo usuário ao acessar a internet (cuja votação foi adiada para o próximo ano), o Senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG) tem convicção de que sua idéia coibirá o download ilegal: "Ninguém terá de se autenticar para baixar mp3. Entretanto, mesmo tratando-se de um projeto mais amplo, a iniciativa deve contornar a pirataria", explica.