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O Céu é o Limite

Com livro, disco e DVD, o inimitável Rogerio Skylab planeja a dominação mundial

Mateus Potumati Publicado em 01/02/2007, às 00h00 - Atualizado em 31/08/2007, às 19h20

Rogerio Skylab: vai para o trono ou não vai?
André Vieira

A banda, ao fundo, leva um som de primeira - uma mistura classuda entre punk, jazz e temperos brasileiros pontuais. Pega bem, sem dúvida, em uma playlist que tenha Frank Zappa, Tom Zé, X-Ray Spex, Essential Logic e seus pares. Talvez o bom gosto seja uma medida preventiva para amenizar o que está por vir. Ou, o que é mais provável, para provocar um grande paradoxo. Porque, durante a próxima hora e pouco, o homem à frente da banda comandará uma ode ao mau gosto. Afinal, ele é o mestre do mal-estar, o bufão da festa do apocalipse, a alma escarnecedora na encosta do abismo. E ainda hoje, após 14 anos na mais franca e desamparada independência, o carioca Rogerio Skylab não se cansa de rir.

Depois de um 2006 produtivo, em que lançou seu sexto disco de estúdio (Skylab VI), seu primeiro livro (Debaixo das Rodas de um Automóvel, Editora Rocco) e virou habitué do Programa do Jô - construindo uma relação parecida à de Harvey Pekar e David Letterman na TV norte-americana nos anos 80 -, Skylab prepara o combo de 2007. Em abril, fará dois shows em São Paulo, nos quais lançará Skylab VII e gravará seu primeiro DVD. A julgar pela faixa inédita a que tivemos acesso, "A Última Valsa", o Skylab a ser lembrado é ainda mais visual e preocupado em explorar timbres para criar ambientes extremos. O chorus exagerado da guitarra e o vocal modorrento deixam a valsa torta, tão ébria como o seu personagem - o bêbado que, depois de apagar na rua, levanta e cambaleia sem rumo, "pelo simples prazer de seguir, sem início, sem meio, sem fim".

As gargalhadas negras de Skylab, claro, estão longe da unanimidade. A parcela que possa se ofender diretamente com a música não o preocupa. "Será que eu poderia chocar alguém hoje? Teria que ser pior que a realidade, e isso é impossível", comenta. Mas há uma possibilidade mais nociva: ocupar um espaço histórico menor na música, entre o gratuito e o picaresco. Neste caso, Skylab julga ser alvo da mídia, "como o funk carioca", de um "protecionismo ao politicamente correto e à periferia". "Se você conseguir juntar essas duas coisas, como o Marcelo D2, certamente será entrevistado pela Regina Casé", teoriza. "Mas, quando aparece um cara matusquela, com um discurso diferente e que consegue agradar à produção de um programa na maior emissora de TV brasileira, o que acontece? Não há como ignorar. Ao mesmo tempo em que existem grandes barreiras, existem furos espetaculares. O Programa do Jô, a Editora Rocco, esta matéria na Rolling Stone... são furos que precisarão ser absorvidos. Afinal, o matusquela existe."