Música "Suecada"

Banda paulistana Garotas Suecas entra na cena musical indie norte-americana

Por José Julio do Espirito Santo Publicado em 15/12/2010, às 15h20

O Garotas Suecas não quis focar nos Estados Unidos
MANOELA MIKLOS

"A gente tocou até em pista de boliche", diz Tomaz Paoliello, empolgado. O guitarrista do Garotas Suecas se refere a Asbury Lanes, clube de boliche transformado em casa de shows na pequena cidade de Asbury Park, no litoral de Nova Jersey. "Tem o palco na frente e o camarim atrás dele. É onde ficam as máquinas do boliche. Então você vê funcionando. É muito legal", explica a tecladista Irina Bertolucci. Foi lá um dos mais de 20 shows que o sexteto fez em sua quarta passagem pelos Estados Unidos.

Escaldante Banda, álbum de estreia da banda - que saiu na terra de Obama pela American Dust (e, neste mês, chega ao Brasil em CD e vinil) -, foi crucial para o sucesso da turnê. "Lançar o disco lá não foi uma opção. O projeto estava aberto tanto para um lançamento aqui quanto lá", declara o guitarrista Sergio Sayeg. Michael Saltzman, diretor do selo, revela: "Existem artistas fantásticos na American Dust, mas poucos fazem turnês. Procurávamos uma banda assim, animada em viajar e com uma performance ótima".

Em seus primeiros anos descrito como revivalista da Jovem Guarda, e com a sempre presente influência do rock dos anos 60, o grupo decidiu abrir o repertório para novos e antigos amores. "Toda vez que a gente ia para os Estados Unidos, a gente passava a ouvir muito mais som brasileiro", o baixista Fernando Freire confessa. Com essa nova bagagem - e como os doidos de Rebobine por Favor -, a banda "suecou" o som de Sly & the Family Stone, Curtis Mayfield e outros bambas da soul music . "A linha que guia nossa existência como músicos é a soul music", define Sayeg.